Impor limites, não limitações

A imposição de limites é um elemento crucial, que influencia de forma determinante as nossas relações, sobretudo as que mantemos com os nossos filhos. O problema é que à medida que vão crescendo, os nossos filhos vão questionando cada vez mais as normas, diretrizes e responsabilidades que tentamos manter em casa.

Os limites estão intimamente relacionados com a nossa identidade e a nossa integridade, pois marcam até onde estamos dispostos a ir numa determinada questão ou situação. Sempre que sentimos que deveríamos dizer «não» e nos reprimimos e cada vez que perdemos a razão por causa do modo — por vezes veemente, desagradável ou agressivo — como os estabelecemos, estamos a coloca-los em causa. Por outro lado, ao não respeitarmos os nossos próprios limites, encorajamos os nossos filhos adolescentes a agirem do mesmo modo.

Estabelecer limites que não se trata de impormos a nossa autoridade de uma forma rígida e inflexível mas de estabelecer regras que facilitem a convivência. Não se trata de restringir a liberdade dos nossos filhos adolescentes, mas de lhes ensinar o verdadeiro significado da palavra «responsabilidade». Em última instância, estes limites ensinam‐nos a valorizar a confiança, aprendendo a assumir as consequências dos seus próprios atos, decisões e atitudes. Além disso, contribuem também para fomentar neles a proatividade e a disciplina.

Existem muitas formas de estabelecer limites, mas a mais eficaz consiste em atrevermo‐nos a dizer «não». Quando o proferimos, o «não» tem o poder de nos transformar em autênticos vilões aos olhos dos nossos filhos adolescentes. adolescentes. É, inclusivamente, possível que nos respondam com verdadeiras barbaridades, como dizerem que não gostam de nós ou que somos os piores pais de toda a História da humanidade. No entanto, mais importante do que este tipo de chantagem e de manipulação emocional, é o facto de um «não» oportuno, dito da forma adequada, ser fundamental para o respeito das nossas necessidades e até para evitar ceder às exigências, amiúde exageradas, dos nossos filhos.

A diferença entre limites e limitações

Não é preciso gritarmos para transmitirmos as nossas decisões negativas com firmeza e convicção. É mais eficaz dizermos‐lhes o que temos para dizer com calma e serenidade, evitando responder emocionalmente às possíveis reações deles e sem nos justificarmos muito.

Vale a pena também refletirmos sobre a diferença entre limites e limitações.

Os limites são necessários, mas as limitações não. E impomo‐las sem nos apercebermos, pois estão estreitamente relacionadas com a nossa forma de ver o mundo e com os nossos próprios medos, frustrações e carências, que projetamos diariamente nos nossos filhos, sobretudo quando se tornam adolescentes e começam a fazer as suas próprias escolhas e a decidir o que pretendem fazer com as suas vidas. Um exemplo poderia ser, por exemplo, por força da repetição, fazer‐lhes crer, desde a primeira infância, que «a melhor defesa é o ataque», que «a mudança é uma coisa má» ou que «para sermos felizes, é importante sermos bem‐sucedidos ou termos a aprovação dos outros».

Se o que pretendemos é aumentar o seu potencial em vez de os limitarmos, temos de começar por tentar superar as nossas próprias limitações. E o melhor modo de conseguir isto é identificando‐as,
questionando‐as e abandonando‐as sempre que não tragam nada de positivo às nossas vidas.

em Esta casa não é um hotel, Irene Orce, Self

Irene Orce: Leciona na Faculdade de Economia da Universidade de Barcelona (UB) no mestrado de Desenvolvimento Pessoal e Liderança. Desde jovem que iniciou a sua jornada de autoconhecimento, adquirindo conhecimentos e formando-se com ferramentas como o Eneagrama e a Programação Neurolinguística. Em 2009 concluiu o seu mestrado em Liderança e Coaching Pessoal na UB, no seguimento do qual criou a “Metodologia Metamorfosis”. Este método destina-se a acompanhar profissionalmente as pessoas que querem desenvolver o seu potencial para construir uma vida mais coerente com os seus verdadeiros valores e necessidades.