A Arte de Influir 4 – Sabia que 60% dos problemas têm origem na má comunicação?

Em artigos anteriores já falámos das diferenças entre manipular e influir. É sempre importante refletirmos o que estamos a trazer em termos de resultado à outra pessoa. Os bons comunicadores não são só aqueles que dominam as melhores técnicas da oratória, mas também aqueles que, para além disso, interiorizam as mensagens e sabem transmiti-las de uma forma coerente, em função de determinadas coordenadas racionais e emocionais. É fundamental “oferecer” o que somos e perceber como somos vistos pelas outras pessoas. É algo que deve ser muito bem pensado, porque disso depende a nossa posição na vida, no trabalho e nas nossas relações.

Peter Drucker, considerado um dos gurus mais influentes na área da gestão moderna, disse, há alguns anos, que “mais de 60% dos problemas existentes nas organizações têm a sua raiz na má comunicação”.

A pergunta que lhe faço diz respeito à sua comunicação. Consegue alcançar os seus objetivos com algo tão simples como a escrita ou a oralidade? E sem escrever ou falar? Consegue transmitir o que pretende ou, nem quando tenta aplicar o que sabe, consegue convencer alguém? Quantas vezes já deu por si a perder energia e a pensar “eu devo ter uma dificuldade a expressar-me, porque ninguém me entende…”. Mas, quando isto acontece, a pergunta que deveríamos fazer em primeiro lugar é: “Temos cuidado com o que dizemos? Usamos as palavras adequadas? Empregamos as expressões mais oportunas em cada momento? Ou improvisamos?”

As respostas vagas do “vale tudo” ou do “tanto faz” levam-nos de novo ao ponto de partida: devemos preparar o nosso cérebro para comunicar tudo de forma correta e, consequentemente, planear os nossos encontros com os outros. Só a experiência e a clareza nos temas nos poderão colocar futuramente numa posição de podermos “relaxar” mais. De outro modo, não o fazer é subestimar as outras pessoas, achando que qualquer coisa que digamos, mesmo que desorganizadamente, vai surtir efeito ou soar credível.

Quando somos apanhados desprevenidos numa conversa, surge uma tendência para a precipitação. Ela é uma “antítese” da capacidade de influenciar. Reagir em lugar de agir, terá regularmente resultados opostos aos pretendidos. Num mundo onde a informação é cada vez mais duvidosa, evite também citar coisas que leu ou ouviu para gerar “certezas”.

    • Liberte-se de informações negativas. Ajudará a abrir a sua mente para o que é realmente importante.
    • O que fazemos pode influenciar os outros mas também a nós próprios. A influência é como o eco: devolve o que recebe.
    • Domine o tema e domine o destino dos temas que introduz. Se só reagir em lugar de agir, tenderá a errar na forma de comunicar e gerar resultados opostos aos que pretendia.
    • Evite citar. Há quem considere que dá um ar de pessoa culta, mas por vezes são apenas uma forma de repetirmos erradamente as palavras de alguém.
A coerência interior é a chave da repercussão exterior. A importância de: o que pensamos coincidir com o que dizemos e o que quisemos dizer coincidir com o que de facto dissemos implica que a nossa reputação se vá forjando ao longo do tempo e se solidifique a imagem que os outros têm de nós. Construa a imagem daquilo que quer ser. Mas não queira ser o que não é. Poderá enganar os outros no curto prazo, mas brevemente vão perceber que construiu uma imagem de alguém que não é, e voltará a perder o interesse das outras pessoas.