Os três passos para definir uma intenção

Saiba como definir objectivos ou uma intenção e de como garantir que é eficaz.

O processo seguinte vai mostrar‑lhe como definir uma intenção útil e específica para tentar alcançar outros objetivos. Na verdade, quanto mais praticar o ato de definir intenções, mais irá compreender o propósito destes objetivos.

1º Passo – Pergunte a si mesmo:
Porque é que vale a pena gerar mudança?

Um componente importante deste processo consiste em determinar porque é que você quer mudar, para começar. Determinar porque é que quer mudar é como construir os alicerces de uma casa; se não os construir como deve ser, o resto da estrutura acabará por cair.

Ao longo dos anos, fui abordado por clientes com diversos objetivos, e colaborei com eles para descobrirmos as suas intenções. Cada um deles tinha intenções diferentes e, para trabalharmos juntos, tínhamos de descobrir a razão pela qual eles tinham este objetivo de se aperfeiçoar a si próprios. Para implementar e sustentar a mudança, as nossas razões para os nossos objetivos têm de ser específicas.

2º Passo – Contemple a sua razão

«Contemplação» parece muitas vezes uma palavra estrangeira, não é? Muitos de nós têm uma noção de contemplação que inclui um ancião de túnica e sandálias, sentado no cimo de uma montanha do Tibete, a refletir sobre a humanidade em geral. Contudo, talvez fique surpreendido ao saber que a contemplação é provavelmente uma das partes mais fáceis de compreender de toda esta prática. Na sua definição mais simples, a contemplação consiste apenas em pôr de parte uma pergunta durante um determinado período de tempo e deixar que a resposta se revele por si mesma.

Um dos motivos pelos quais a contemplação parece intimidante é que esta exige‑nos que abdiquemos tanto do desejo de saber imediatamente a resposta, como do nosso controlo para a encontrar sem mais demoras. Estamos tão habituados a encontrar instantaneamente outros tipos de respostas através de motores de busca da Internet, como o Google, que esperamos encontrar imediatamente todas as nossas respostas.

Fazemos parte de uma cultura que adora intelectualizar e analisar e sentimo-nos gratificados quando percebemos as coisas. Esforçamo‑nos imenso por discutir tudo até à exaustão, dissecar e bater na mesma tecla até o assunto perder o interesse. Contudo, todas estas ações são o oposto da contemplação, e podemos dar em loucos ao esforçarmo‑nos cada vez mais por encontrar respostas que continuam a ser elusivas. Se fôssemos realmente contemplar uma questão, simplesmente deixávamo‑la em paz até que a resposta estivesse pronta para se revelar.

Imaginemos que está a tentar escolher uma pré‑primária para o seu filho frequentar, e até pesquisou vários lugares. Descobriu que tem de tomar uma decisão até um mês antes do primeiro dia de escola, para conseguir cumprir os vários requisitos de admissão dos programas escolares. Se, no tempo que lhe resta entre pesquisar escolas e optar por uma, você continuar a reler brochuras, perguntar a amigos sobre as experiências dos filhos deles e imaginar uma dúzia de cenários possíveis que implicam que o seu filho não tenha uma boa formação, está a intelectualizar a questão e não a contemplá‑la.

Em vez disso, para contemplar esta questão, faça primeiro a sua pesquisa e depois pare totalmente de pensar nas várias escolas. Talvez tenha de pôr a questão de parte por uns dias ou um mês até que a sensação certa o oriente para a melhor decisão. Por mais tempo que demore, a decisão irá acontecer na altura certa. É provável que encontre exatamente a escola certa para o seu filho, e isso acontecerá por não se esforçar tanto. A contemplação inclui relaxar a mente e permitir que um sentimento mais elevado assuma o controlo. Quando isto acontece, a sua espontaneidade e energia virão à tona, e as coisas acabarão por correr ainda melhor do que aconteceria se a mente intelectual estivesse a controlar.

Assim que tiver perguntado a si mesmo porque quer encetar uma prática espiritual, ser‑lhe‑á útil contemplar a sua resposta antes de avançar. Não há um limite definido para o tempo que esta contemplação deve durar, mas se estiver ansioso por começar, recomendo que espere pelo menos uns dias para não pensar no assunto antes de avançar para o passo seguinte.

3º Passo – Pergunte a si mesmo:
Está a ser sincero em relação às respostas que encontrou?

Depois de ter perguntado a si mesmo porque é que está a fazer algo e ter contemplado as suas respostas possíveis, está então na altura de observar se está a ser ou não sincero perante as respostas que encontrou. Tal como o ato da contemplação, este ato de observar a verdade poderá parecer intimidante, mas na verdade consiste apenas em perguntar a si mesmo se realmente sente que é verdade o que declarou como motivo para realizar a atividade.

Se decidiu começar esta prática porque queria ser mais saudável e melhorar o relacionamento com o seu cônjuge, assim que a tiver começado terá de ponderar se está a ser honesto em relação às suas intenções. Por exemplo, digamos que através desta experiência melhorou a sua saúde física e está a sentir um pico de energia; se em vez de simplesmente desfrutar da sua nova vitalidade, disser a alguém para mudar de vida de forma semelhante, então as suas ações não estão honestamente a refletir intenções úteis.

Este passo não é tão definitivo como os anteriores, pois irá observar‑se não apenas durante um período de tempo fixo, como ao longo da sua prática. Tendo em conta o espaço de tempo mais alargado, pondere definir um lembrete para si mesmo, de forma a perder alguns minutos a cada duas semanas ou todos os meses para refletir sobre as suas intenções originais. Talvez já tenha reparado que não forneço um método para decidir se está ou não a ser sincero relativamente às suas intenções; isto acontece pois a única pessoa que o pode saber é você, e não há qualquer resposta de sim ou não. Você tem a responsabilidade de observar a importância dos seus pensamentos e ações. Na próxima parte do livro, aprofundaremos a questão do ato de observação e como este pode ser usado para concretizar o nosso equilíbrio e felicidade de forma mais completa.

A definição de uma intenção para si mesmo não só estabelece a base para a sua prática, como também o ajuda a investigar a verdade por trás das suas ações e a descobrir se está ou não a beneficiar‑se com as decisões que toma. Inicialmente, certas decisões poderão parecer mais difíceis e outras serão tão fáceis de tomar que ficará a pensar porque é que nunca tinha encontrado essas respostas. Começará a dar‑se conta de que quando define as intenções adequadas para si mesmo, tudo se tornará uma expressão da sua prática. Passará a fazer as coisas porque o ajudam a si e aos outros a sentirem‑se bem e continuará a evoluir a cada dia, para o resto da sua vida. Por sua vez, a sua prática tornar‑se‑á uma expressão de quem você é.

em “Desperte o Guru que há em si”, Yogi Cameron, Self. Saiba mais aqui.