A prática no dia-a-dia

Que passos práticos é que podemos dar para treinar as nossas mentes nestas nossas vidas tão ocupadas e neste mundo tão complexo e tantas vezes confuso?
O primeiro passo a dar é estabelecer uma prática meditativa diária. Isto exige disciplina. Nem sempre é fácil guardar algum tempo para meditarmos todos os dias; há tantas outras coisas que chamam a nossa atenção. Mas, conforme acontece com qualquer outro tipo de treino, se o praticarmos regularmente, começaremos a usufruir dos frutos. É claro que nem sempre conseguiremos concentrar-nos ao tentarmos meditar. Algumas vezes sentir nos-emos aborrecidos ou inquietos.

Estes são os altos e baixos inevitáveis desta prá tica. O importante é o empenho e a regularidade com que se pratica, não é a forma como se sente a pessoa.
O violoncelista de renome mundial Pablo Casals, aos 93 anos ainda praticava três horas por dia. Quando lhe perguntaram porque é que ele ainda praticava com aquela idade, respondeu: «Estou a começar a ver algum progresso.»

O treino da meditação apenas acontecerá através do seu próprio esforço. Ninguém pode fazê-lo por si. Existem muitas técnicas e muitas tradições e você poderá encontrar a mais adequada para si. Contudo, o que provoca uma transformação é a regularidade com que se pratica. Se o fizermos, algo começará a acontecer; se não o fizermos, continuaremos a agir segundo os vários padrões da nossa limitação.

Ninguém pode fazê-lo por si.

O segundo passo é treinarmo-nos para permanecermos conscientes do nosso corpo ao longo do dia. À medida que vamos avançando nas nossas tarefas diárias, frequentemente perdemo-nos em pensamentos sobre o passado e sobre o futuro, deixando de estarmos conscientes dos nossos corpos.
Uma reação simples e útil para nos lembrar mos quando estivermos perdidos nos pensamentos é o sentimento tão comum de precipitação. A precipitação é um sentimento de cair para a frente. As nossas mentes estão sempre mais adiantadas do que nós, concentrando-se no sítio onde queremos ir, em vez de se fixarem no nosso corpo no sítio em que estamos.
Aprenda a prestar atenção a esta sensação de precipitação – que não tem nada a ver com a velocidade a que estamos a avançar. Podemos sentir-nos apressados enquanto avançamos devagar e podemos estar a avançar rapidamente e, ainda assim, estarmos fixos nos nossos corpos.

O sentimento de precipitação apenas nos lembra que não estamos presentes. Se puder, repare no pensamento ou na emoção que lhe captou a atenção. Depois, só por um instante, pare e volte a fixar-se no corpo: sinta os pés no chão, sinta o passo seguinte.

Um pequeno instante sozinho num quarto demonstrar-se-á mais valioso do que qualquer outra coisa que lhe possam dar.
Rumi

Joseph Goldstein em Um Coração Repleto de Paz

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