Ansiedades

ansiedades

Todas as nossas emoções têm um objetivo e uma funcionalidade, elas são adaptativas. Se pensarmos na raiva, ela pode ser o motor que nos leva a fazer algo, que nos impele ao movimento. A tristeza permite a expressão de algo difícil e a sua mobilização para fora de nós, e a ansiedade e o medo também tem funções muito importantes.

Ao longo do tempo fomos afastando a ideia de que o ser humano é um animal e como tal, cortámos com a perceção daquilo que não é racional e renegamos o que é entendido como impulsos, intuições ou sensações primitivas. Mas somos animais e ter esta informação bem presente ajuda a compreender o nosso corpo.

Vamos imaginar uma gazela. Esta gazela está na savana a comer a sua ervinha de uma forma tranquila mas presente, ou seja, está alerta ao que a rodeia. O seu batimento cardíaco é normal e é o sistema para-simpático que está a trabalhar. Repentinamente surge uma ameaça, há um leão por perto. A gazela dispara, o batimento cardíaco sobe e é o sistema simpático que toma a dianteira, promovendo a reação de fuga. Quando a ameaça desaparece, assim desaparece o medo e a ansiedade, o batimento cardíaco diminui e a gazela volta calmamente ao seu pasto. Este é o movimento natural entre ficar ansioso e relaxar. O medo e ansiedade têm então esta funcionalidade: manter o alerta para potenciais ameaças e reagir perante elas.

Então qual a ligação para o homem? O grande problema do homem permanentemente ansioso é que não consegue parar de correr a fugir de um leão que só existe na sua cabeça. Há um botão que está sempre ou quase sempre ligado (consciente ou inconscientemente) e que o faz estar ansioso: com um batimento cardíaco mais acelerado, dores de barriga e, em casos mais graves, uma inabilidade tremenda em funcionar.

Como lidar com tudo isto? É importante tomar consciência do sintoma mas também da origem, até porque as crises de ansiedade ou ataques de pânico surgem quando estamos numa situação ou perante um estímulo que não aciona estes mecanismos (é diferente das fobias). É importante conhecer o nosso corpo e saber os primeiros sinais para encontrar ferramentas para lidar com os sintomas. No entanto é também importante procurar a origem destes sintomas em terapia. Vamos mergulhar?

Foto de Guillaume de Germain em Unsplash

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