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Bolo-rei

Ingredientes:

  • 130 gr. de manteiga
  • 3 ovos
  • 130 gr. de açúcar
  • 3 colheres de sopa de Vinho do Porto
  • 2 dl. de leite
  • 500 gr. de farinha
  • 20 gr. de fermento do padeiro
  • Frutas cristalizadas q.b.
  • Amêndoas q.b.
  • Nozes q.b.
  • Pinhões q.b.

Misture o fermento com o leite e um pouco de farinha. Deixe levedar cerca de duas horas.

Coloque a restante farinha num recipiente grande e junte o preparado do fermento, os ovos, a manteiga previamente amolecida, o açúcar e o vinho do Porto.

Amasse muito bem. Junte os frutos secos. Pode também adicionar algumas das frutas cristalizadas, cortadas aos pedacinhos.

Quando começar a fazer bolhas junte as frutas e estenda a massa em forma de rosca, colocando-a num recipiente com buraco, untado com manteiga.

Deixe levedar durante umas horas, cobrindo com um pano por cima e colocando num sítio seco e escuro.

Pincele com gema de ovo, coloque as frutas cristalizadas por cima e coza em médio forno até ganhar uma cor dourada.

No livro O Grande Livro do Natal Português, Self 2020

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A Vida não tem Mapa

Um livro é uma semente. E a semente por si só não se transformará em algo maior do que uma semente, mas tem muito potencial. Para vingar, ela requer água, atenção, terra, proteção, sol…

O livro por si só também não cria uma floresta de novas possíbilidades em nós. Não nos dá a casa decorada e pronta a habitar.

Precisamos de ter disponibilidade para receber essa informação, e essa será a nossa terra que recebe essa semente. Vai ser necessário ir para além da leitura, dar claridade à nossa temperança, regar os nossos sentimentos, pensamentos e ações, e por vezes cortar alguns ramos mais afoitos. Este tratamento especial que cada um dará a si próprio será único e é por isso que uma semente igual poderá crescer de forma diferente, consoante o ambiente onde se encontra.

Será sempre necessário estar atento, consciente e ativo neste caminho que é a vida. É necessário proteger a nossa sementeira, o pequeno rebento que vai brotando até à grande e sábia árvore, pois por vezes é preciso muito pouco para deitar um gigante ao chão. Será fundamental dar calor à nossa semente, mas não nos podemos esquecer de que também existem tempestades e que nem sempre tudo desagua num belo jardim de flores. Às vezes, acordamos num descampado e isso também pode ser normal ou ajudar a potenciar o nascimento de novos rebentos. Será que aguentaríamos a felicidade todos os dias? Como estar na vida com tudo aquilo que ela contém, de bom e de mau? É um desafio! E se, de facto, não conseguimos controlar ou mudar fatores externos, podemos mudar a forma como lidamos com o que acontece, e isto é um grande poder. Mas com um grande poder vem também uma enorme responsabilidade.

Esta é de facto uma das minhas maiores aprendizagens. Aquilo que já passou e que me trouxe sofrimento não pode ser mudado. A minha história, a tua história, é o que é, não pode ser mudada.

No entanto, apercebermo-nos de que temos o poder de olhar de outra forma para a nossa história é um enorme volte-face. É aqui que podemos chegar à possibilidade de agradecer tudo o que nos aconteceu, pois permitiu-nos chegar até aqui. Se não tivesse tido as experiências que tive, algumas tão dolorosas, certamente que hoje não estaria a escrever este livro e não seria psicoterapeuta.

Claro que deixo esta nota de rodapé: isto não valida o que de errado foi feito contigo e não desculpa quem te fez sofrer. Aquilo que faz é devolver-te o teu poder para que, ao invés de ficares preso e arredado a essa má experiência ou a uma pessoa que te fez mal, te possas libertar e recuperar o controlo sobre essa situação, internamente.

Através desta leitura, o meu objetivo é partilhar formas de simplificar gestos do dia a dia, potencializando-os e transformando-os em atos conscientes e passíveis de incutir a nossa própria mudança e evolução pessoal. Quando estamos nesse caminho, às vezes já nos doem os pés, sabemos que a meta está longe e que existem alguns dias em que a tempestade entra na estufa onde guardamos as sementes e as plantinhas. Será muitas vezes assim: construir, reconstruir e resistir aquando de um passo atrás. A evolução pessoal é cansativa, e creio que todos o podemos reconhecer nos nossos próprios processos. Muitas vezes pensamos que estamos sempre a revisitar os mesmos temas ou que nunca mais resolvemos determinada situação. Quantas vezes ouvi pessoas a defender que a ignorância é uma bênção e que os dias precedentes a este abrir de olhos para o mundo interno eram paradisíacos.

Mas como poderia ser melhor viver no total desconhecimento daquilo que nós somos? Sem saber para onde ir, sem ter um caminho para seguir? Sem saber sequer aonde queremos chegar?

A ignorância ou inconsciência sobre nós próprios faz perpetuar estados de infelicidade, insatisfação ou sentimentos de vazio e de falta de propósito.

Este livro pretende ser esse extra, essa ferramenta que, apoiada por muitas outras, pode ser um mapa que ajude no caminho.

É esse o conceito: vamos construir um mapa, navegando pelas ruas, edifícios, jardins, iluminação! Mas este será um mapa muito especial, pois será construído pelo leitor, com base na sua experiência e com as suas ferramentas. Muitas vezes encontramos becos sem saída porque usámos o mapa errado e aquilo que pensávamos que era intuição foi afinal uma decisão com base no medo ou impulso. Noutras situações, damos por nós a usar o mapa de outra pessoa: “se resultou para ela!”. Não quer dizer que resulte para ti… Aqui começa uma nova jornada, esse é o desafio que eu tenho para ti. Deitamos fora os croquis dos outros e construímos o nosso caminho. E no fim, apesar de lermos o mesmo livro, o mapa vai ser diferente para cada um, pois partimos da visão e experiência de cada um para o desenhar.

Ao longo dos vários temas, e antes mesmo de apresentar este projeto que vamos pôr em marcha, é necessária uma condição de base: consciência. A consciência tem vários significados, seja do ponto de vista neurológico ou moral. Neste caso, ou seja, num processo de desenvolvimento pessoal, estar consciente é conseguir estar a par de muita coisa: da nossa história e experiências (passado), daquilo que está a acontecer agora (presente), e das perspetivas saudáveis e realistas que temos para o futuro. Acresce a tudo isto ter a consciência daquilo que queremos trabalhar, isto é, tornar conscientes as nossas dificuldades, desafios, e gerar insights ou pontes sobre possíveis origens ou explicações.

Este processo é complexo e funciona a diferentes níveis. Podemos estar conscientes de algo que nos tocou, como por exemplo alguém que nos magoou, e tentamos perceber o porquê dessa mágoa e que impacto tem na nossa história. Ou pode acontecer o contrário, quando o mesmo evento se repete, mas com um familiar próximo, e o movimento é apenas o de ficarmos inundados pela emoção negativa. O importante é manter uma mente curiosa, que questiona e que quer saber mais.

Seja como for e simplificando: se queres trabalhar alguma coisa na tua vida, é preciso primeiro ter consciência de que existe algo para trabalhar! E por vezes a tomada de consciência não é imediata e existem também diferença que nos distinguem. Alguns de nós podemos nem estar cientes desta necessidade de consciência. Nestes casos, é quase como que uma inconsciência inconsciente. Não estamos, na realidade, conscientes do nosso processo, de onde nos situamos ou para onde queremos ir, em termos de evolução pessoal. Há uma completa desresponsabilização, ou seja, assumimos que nada é da nossa responsabilidade e não nos sentimos culpados por nada (falaremos sobre a desresponsabilização mais à frente). Estamos numa constante busca no exterior da responsabilidade por tudo o que ocorre na nossa vida. É como ter uma consciência contraída, onde aguardamos que alguém surja na nossa vida com uma varinha mágica que faça desaparecer os nossos problemas, ou seja, achamos que não somos donos e muito menos responsáveis pelo nosso futuro, assim como nos consideramos incapazes de mudar alguma coisa. Viver no aqui e agora parece impossível e permanecemos presos nos traumas do passado e nas expetativas sobre o futuro.

Num estádio intermédio, onde é possível contactar com uma maior perceção sobre nós próprios, acresce uma maior responsabilização sobre a nossa vida. Estamos numa consciência mais expandida. Ficamos gratos com o que nos acontece de bom e surpreendidos com as sincronias. Sentimo-nos mais atentos ao que se passa à nossa volta, estar no aqui e agora não é difícil e é cada vez mais um ponto assente, mas permanece a viagem temporal na nossa mente.

Com a maior capacidade de estarmos conscientes e com um maior autoconhecimento, aumenta o contacto direto com a essência: esta seria a consciência mais evoluída. Somos agradecidos por tudo o que nos acontece, seja bom ou mau, prevalecendo sempre um sorriso. Vivemos no aqui e no agora sem qualquer dificuldade.

O passado ficou para trás, resolvido e vivido, e o futuro não é uma preocupação. Vive‑se sem medos e com uma serenidade ativa.

No livro “A Vida não tem Mapa

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Vamos começar por baixo: trabalhar em casa não é um mar de rosas.

Temos vindo a promover o teletrabalho porque nele vemos enormes vantagens, que são perfeitamente quantificáveis. Mas precisamos de manter três coisas claras:

  1. O teletrabalho não é sempre a escolha certa para a empresa.
  2. O teletrabalho nem sempre é a forma perfeita para o trabalhador.
  3. Existem desafios no teletrabalho.

Trabalhar em casa ou em qualquer lugar é, em si, uma escolha. Por vezes, trabalhar em casa não é a melhor solução. Então, necessitamos de escolher outro lugar para trabalhar. Se em casa não conseguirmos reunir as condições que permitam vencer os desafios, significa que não está a funcionar.

Criar condições para trabalhar passa por:

  • Criar uma zona de trabalho adequada ao tipo de trabalho. Se precisas de documentos, precisarás de uma forma de os organizar e ter à mão.
  • Se precisas de monitores grandes, não podes trabalhar na sala de jantar. Precisas de um lugar onde não percas constantemente tempo a desmontar e montar o teu setup.
  • Se precisas de fazer muitas reuniões, não podes fazê‑lo no mesmo lugar onde o teu filho tem aulas online ou onde a tua companheira(o) está também em reunião. 
  • Compra uma cadeira adequada para trabalhar e onde possas estar várias horas. As cadeiras da mesa de refeição não são adequadas para passar muitas horas sentado.
  • O hardware tem de ser adequado. Investe nas condições de que precisas. Quando o equipamento não é adequado, é muito fácil aumentar a frustração.

(…)

Princípio: Começa e acaba o teu dia

Isto parece dolorosamente óbvio, mas a maioria das pessoas não o faz. Começa e termina o teu dia de trabalho. isto é, cria um tipo de estímulo mental para indicar quando estás “no trabalho” e quando estás “desligado”.
Se não começares o teu dia a tratar isto como trabalho, estás apenas em casa. Com o trabalho a distrair‑te constantemente da tua vida. Rituais matinais, como sejam tomar banho e vestires‑te como se fosses para o escritório podem ser importantes para ti. Os sapatos fazem também uma grande diferença. Calçamos sapatos para ir trabalhar e tiramo‑los quando chegamos. Um simples sinal tal como calçar sapatos ou fazer um caminho falso para o trabalho.

como uma caminhada à volta do quarteirão. Cria espaço para fazeres a transição.
O mesmo se aplica no final do dia. Pode ser tão simples quanto passar 15 minutos a rever os itens que tens abertos, a responder a e‑mails e mensagens instantâneas urgentes, a fechar janelas e a rever o teu calendário ou a criar a lista de afazeres do dia seguinte. Finge um trajeto para casa. Escolhe um podcast de 10 minutos, caminha pelo quarteirão e volta. Faz um telefonema pessoal. Agenda uma aula de yoga ou uma marcação para te forçar a sair de casa à mesma hora.
Esta disciplina mental irá ajudar‑te a estabelecer melhor os limites e irá garantir que o trabalho não invade a tua esfera pessoal.

Princípio: Limites criam liberdade

Há alguns benefícios incríveis de trabalhar remotamente, mas só podemos chegar lá se formos responsáveis. Defino responsabilidade como habilidade de ação. Quanto mais flexível quiseres ser no que toca a fazer pausas e a trabalhar no teu próprio horário, mais responsável tens de ser nos teus hábitos e estrutura. Precisas de limites mais claros e regras mais rígidas para o trabalho em concreto, e o resto ficará mais fácil.
Queres poder dormir uma sesta curta? Cumpre prazos e participa em reuniões. Queres ir trabalhar para a praia? É melhor seres bom a comunicar a tua disponibilidade e a responder na hora.
Se não existirem fronteiras claras entre o trabalho e o resto da tua vida, acabas por te sentir acorrentado ao e‑mail de trabalho e constantemente “ligado” e disponível.
Isto é meio caminho andado para te sentires esgotado, por isso traça alguns limites.

Princípio: Não te esqueças de que és humano

Ouve o teu corpo
Para seres capaz de pensar e executar, as necessidades do teu corpo precisam de estar asseguradas. Isso significa ter almoços em condições (ou seja, longe do computador), lanches saudáveis, beber muita água, fazer exercício algumas vezes por semana e dormir em condições.
Deixa a tua mente recarregar
Faz uma pausa a cada 45‑50 minutos. O cérebro só se consegue focar no máximo até 52 minutos. Por isso, ao fim desse tempo, levanta‑te, anda pela sala e volta – isto pode ser o suficiente para recarregares baterias. Ao contrário de um escritório, estar em casa significa que ninguém te julga se precisares de uma sesta de 15 minutos. Isto é muito mais saudável do que beber uma bebida energética ou exagerar na cafeína.

No livro TELETRABALHO, Self 2020

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O supermodelo que se tornou Yogi…Cameron

Cameron

Alguns de nós podem lembrar-se de Yogi Cameron, também conhecido como Cameron Alborzian, do video “Express Yourself”, da Madonna. Ele também foi destaque numa das campanhas impressas mais memoráveis ​​da Guess Jeans de 1988-92. Na verdade, ele foi um dos primeiros supermodelos do sexo masculino, trabalhando para estilistas tão notáveis ​​como Versace, Gaultier, Dior e YSL.

A sua aparência é eclipsada pela sua energia pacífica e presença brilhante.

CameronYogi Cameron nasceuno Teerão, filho de uma inglesa e de um pai iraniano. A revolução começou quando ele tinha dez anos e os seus pais rapidamente o enviaram para um internato na Inglaterra. Tendo tido uma vida familiar próxima, esta alteração foi uma grande mudança. “Foi um momento impactante que me mostrou que, mesmo que você tenha todo o amor no mundo, algo mais pode surgir na vida e mudar as suas circunstâncias dramaticamente. Você precisa de confiar em algo mais divino do que os seres humanos “.

Em 1986, depois de frequentar uma faculdade de desporto para estudar medicina desportiva, ele foi abordado enquanto caminhava pelas ruas de Londres para ser modelo. “Eu disse:” Claro! “Durou 12 anos”, explica Cameron. O seu sucesso no mundo da moda levou-o a um evento de beneficência na África do Sul, onde conheceu Nelson Mandela. Este foi outro ponto de viragem na sua vida: “Olhei para todas aquelas pessoas geniais à minha volta a sala e pensei: Chegamos a este momento de transição onde Mandela acaba de ser libertado da prisão depois de 27 anos e se tornou o Presidente da África do Sul. Ele era um homem muito pacífico. Eu já fiz tudo o que eu precisava fazer no mundo da moda. Agora, precisava encontrar o meu propósito.”

No início Cameron não sabia o que era esse propósito. Trabalhou num restaurante e depois tornou-se professor de ioga. Posteriormente, Cameron, que já conhecia o Ayurveda, encontrou uma escola no sul da Índia, candidatou-se a um programa de formação e foi aceite. “Deixei a vida ocidental para trás durante sete ou oito anos. Aprendi medicina ayurvédica. Aprendi o caminho do Yoga e fui ensinado por um guru. Decidi voltar aqui porque o meu guru, o Dr. Vasudeva, o guru de Arsa Yoga, me enviou “, explica Yogi Cameron,” eu não queria sair de lá. Pensei: “Estou aqui e estou feliz. E eu estou feliz por apenas ser feliz. “E o meu professor disse:” É por isso que tens de ir. Seres modelo não foi por acaso. Recebeste esse rosto para que possas influenciar  os ocidentais de uma maneira que eu não posso. Tu podes influenciar jovens, idosos; eles irão conectar-se contigo.”

O efeito da prática espiritual de Yogi Cameron é claramente evidente, em grande parte devido à sua disciplina. Ele diz: “A disciplina é a espinha dorsal do progresso. Se tornarmos algo importante para nós, nós conseguimos fazê-lo. Se não for importante, não acontecerá. Se a vida de alguém é futebol e é importante para si, ele não perderá o Super Bowl. Estará lá e provavelmente preparou-se para isso, abdicando de outras coisas.”

Os ensinamentos de Yogi Cameron estão disponíveis nos seus dois livros publicados: Desperte o Guru que há em Si é um guia de princípios ayurvédicos e de yoga simples e um manual para incorporá-los na vida quotidiana. O  seu livro mais recente, O Verdadeiro Plano: é um guia de semana a semana para restaurar a sua saúde natural e felicidade, é um plano passo a passo para encarnar e praticar os sutras de yoga de Patanjali no quotidiano.

Prática diária para quem trabalha das 9 às 5

O maior benefício de uma carreira é a capacidade de incorporar a rotina pessoal na rotina profissional. O maior obstáculo é que o trabalho e a viagem ocupam uma parcela tão grande do dia – às vezes dez a onze horas. A seguinte rotina é sugerida para aqueles que trabalham em num trabalho de 9 para 5 ou algo parecido.

Manhã
Desperte entre as 5:00 e as 7:00 da manhã. Deixe tempo suficiente na sua manhã e pratique rituais de limpeza e óleo e também pratique exercícios de postura, respiração e concentração.(Isso provavelmente exigirá pelo menos 45 minutos ou uma hora para praticar com consciência adequada. Se o seu horário de viagem matutino já exige que você se levante intensamente cedo e não o deixe sem tempo, tente pelo menos praticar a respiração no carro, no comboio ou em qualquer outro modo de transporte que você use.)

No fim da manhã
Se possível, tente guardar pelo menos três horas desde que você acorda até comer a primeira vez, mesmo que isso aconteça já no trabalho. Isto é ideal para que a força digestiva aumente um pouco com a atividade da manhã.

Tarde
Se você fizer uma pausa para o almoço, passe pelo menos cinco ou dez minutos em silêncio. Isso irá ajudá-lo a processar a sua carga de trabalho da manhã e centrar-se em si mesmo para estar fresco  durante o resto do tempo antes de ir para casa.

Tarde
Se você não chegar a casa até as 7:00 ou as 8:00 da noite, ou mesmo depois, faça uma refeição ligeira na sua viagem para que não tenha que comer tão perto da hora de dormir.

Período noturno
Tente passar pelo menos dez minutos em silêncio antes de entrar no período da noite e construir a sua força de vontade contra hábitos destrutivos, como a ingestão de álcool ou outros estimulantes, uma quantidade excessiva de tempo a ver televisão ou computador, ou mesmo uma quantidade excessiva de tempo  a falar ou a ler. Vá para a cama entre as 9:30 e as 11:00 da noite.

Se você achar que não tem tempo na sua vida, então a maneira como você utiliza o seu tempo provavelmente precisa ser revista. Deve haver sempre tempo para a sua saúde e espiritualidade.

Os rituais de limpeza e óleo, exercícios de pós, respiração e concentração, bem como “prática de construção de fundação”, são todos explicados em detalhes nos seus livros.

texto adaptado de um artigo de Dale Nieli, em www.layoga.com

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Vulnerabilidade vs fragilidade

Existem muitas crenças associadas à não demonstração de força. Não podemos chorar em público. Não podemos fraquejar. Temos de ganhar, nem que seja na semântica. Temos de ser fortes em todas as áreas. A sensibilidade perdeu espaço e se antes era usada quase de forma misógina (como forma de inculcar a aversão pelo género feminino), hoje ninguém a pode mostrar. Já nem as crianças escapam: “não sejas mariquinhas, não chores.”

Estou a dar o pior cenário e de uma forma generalista, sei que existem exceções à regra e ainda bem. É com as exceções à regra que criamos inovadores que criam um mundo melhor. Há de facto uma crença de que temos de nos fazer de fortes. Na minha ideia diria até que é algo evolucionista: temos de nos safar e sobreviver. Nada contra. O problema é que ao encapotar a nossa sensibilidade, tapamos também a possibilidade de expressar as nossas emoções. Deixamos de pedir ajuda e tendemos para a criação de duas faces: a que não mostramos a ninguém (e às vezes nem a nós), e a que sai para o mundo, toda engalanada. E isto parece-me ser muito solitário.

Às vezes o difícil é não fazer de forte. Por vezes o desafio é saber baixar a guarda, tirar a armadura, deixar de ser duro, mostrar que existe um outro lugar atrás dessa muralha. É algo que não queremos mostrar, que escondemos porque construímos uma ideia de que não podemos mostrar esse lugar secreto. É uma construção que nos vai acompanhando no nosso crescimento e se não temos um lugar onde podemos tirar esta armadura (em casa, com a família ou amigos, por exemplo), vamos viver com um conflito interno entre as tais duas faces.

Vamos então separar as águas. As palavras têm muita força e influenciam os nossos estados psicoemocionais. Por isso, e na minha perspetiva é importante delimitar conceitos. Por um lado, há a fragilidade, que remete para algo que é frágil, que precisa de cuidados, que não se consegue cuidar, que é efémero ou “quebradiço” na sua totalidade. Por outro há a vulnerabilidade que remete para a existência de uma parte menos forte de algo. Como por exemplo as vulnerabilidades de um castelo, que terá os seus pontos fracos, mas que ainda assim não o concretizam na sua totalidade, pois essa estrutura terá os seus pontos fortes e inquebráveis.

Façamos agora a passagem para os nossos estados internos. Se nos vemos como frágeis, não nos concebemos fortes, mas se pudermos entrar em contacto com os nossos lugares vulneráveis, permitimo-nos acolher essa dicotomia em nós. Porque nós somos fortes e também vulneráveis, pois somos seres sencientes, sensíveis e com desafios. Partir de uma imagem de vulnerabilidade permite-nos acolher esse lado, sabendo que existe um lado de força para nos ajudar. É permitir que as emoções aflorem, sem ter medo que elas nos “partam” ou fragilizem. É contactar com os nossos defeitos ou incapacidades sem sermos engolidos por eles. É ver como os nossos mecanismos de defesa às vezes nos fazem mal, sem entrar em guerra com eles, que tanto nos ajudaram (e ajudam).

E às vezes pode ser mesmo uma questão de reorganização interna (do mental ao corporal) para que, no nosso dicionário interno, possamos mudar as definições destes conceitos. E assim, em vez de fragilidade, podemos falar de vulnerabilidade, que acarreta o lado forte que há em nós. Não quebramos, mas sentimos, passando pela dor e aprendendo com ela ao invés de a evitar, fingindo que não existe.

Se isto é fácil? Claro que não. É todo um processo, e um processo demora tempo e tem um princípio, muitos meios e às vezes não tem fim. Nada como começar.

Foto de Annie Spratt em Unsplash

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Mitos do Envelhecimento do Cérebro

envelhecimento

Para descobrir qualquer nova promessa que o cérebro superior possa conter, temos primeiro de resolver um antigo mistério. Não há mais antigo — ou maior — mistério do que o envelhecimento. Até recentemente, só elixires mágicos, poções ou a fonte da juventude eram fugas possíveis à devastação da idade. O recurso à magia mostra quão perplexa estava a mente. O envelhecimento é universal, sem ninguém poupar, e, contudo, medicamente falando, nunca ninguém morre de velhice. A morte ocorre quando pelo menos um sistema-chave do organismo sucumbe, e o resto do corpo vai então atrás. O sistema respiratório está quase sempre envolvido: a causa imediata de morte para a maioria de nós será uma paragem respiratória. Mas pode-se igualmente morrer de falha cardíaca ou renal. Entretanto, virtualmente todo o material genético do corpo pode estar viável no momento em que falha o sistema-chave.

Como impedir que esse único sistema crítico deite tudo o resto abaixo? Ter-se-ia de prestar atenção a todo o corpo a vida inteira. A previsão é extremamente difícil. Diversos fatores impedem seja quem for de ver com antecedência onde levará em última análise o processo de envelhecimento.

Incerteza 1: O envelhecimento é muito lento.

Tem início por volta dos trinta anos e progride sensivelmente à razão de um por cento ao ano. Esta lentidão impede-nos de observar de facto uma célula a envelhecer. Vemos os efeitos apenas passados anos. Nem estes efeitos são uniformes. Para cada aspeto de deterioração mental e física, algumas pessoas melhoram de facto com a idade. Ao fazerem exercício bastante, podem tornar-se mais fortes do que eram em novas. Para umas poucas afortunadas, aos noventa anos a memória pode melhorar em vez de declinar. O envelhecimento é como um exército esfarrapado, no qual algumas células avançam diante das outras, mas todo o exército se move a passo de caracol e com grande furtividade.

Incerteza 2: O envelhecimento é único.

Toda a gente envelhece de maneira diferente. Gémeos idênticos que nascem com o mesmo ADN terão perfis genéticos completamente diferentes aos setenta anos de idade. Os seus cromossomas não terão mudado, mas décadas de experiência de vida terão levado a que a atividade dos seus genes tenha sido ligada e desligada num padrão único. A regulação de cada célula, minuto a minuto durante milhares de dias, faz com que os seus corpos envelheçam de formas imprevisíveis. Em geral, somos duplicados genéticos uns dos outros no momento do nascimento mas completamente únicos no momento da nossa morte.

Incerteza 3: O envelhecimento é invisível.

Os aspetos do envelhecimento que vemos no espelho — cabelo grisalho, rugas, pele fl ácida, e por aí adiante — indicam que algo se passa ao nível celular. Mas as células são imensamente complicadas, sujeitas a milhares de reações químicas por segundo. Estas reações são fixas e automáticas. Estabelecem-se ligações entre várias moléculas, dependentes das propriedades atómicas dos elementos que constituem o organismo, principalmente os grandes seis — carbono, hidrogénio, nitrogénio, oxigénio, fósforo e enxofre. Se estes átomos forem agitados num recipiente de laboratório, executarão reações automáticas em milionésimos de segundo. Por si só, o fósforo é tão volátil que numa inflamável colisão com oxigénio, explodirá. Mas ao longo de milhares de milhões de anos, os organismos vivos desenvolveram combinações incrivelmente intrincadas que impedem tão cruas interações. O fósforo nas suas células não é explosivo. Entra num químico orgânico conhecido por ATP, adenosina trifosfato, uma componente-chave na ligação de enzimas e transferência de energia.

Um biólogo poderia passar toda uma vida a estudar a forma como somente esta complexa molécula opera no interior da célula, e contudo o controlador de cada reação permanece invisível e desconhecido. Enquanto uma célula funcionar regularmente, ninguém precisa de ver o controlador.

Uma espécie de inteligência química está claramente em ação, e basta dizer que o ADN, porque contém o código da vida, é o princípio e o fim de tudo o que ocorre no interior de uma célula. Mas devido ao envelhecimento, as células param de funcionar com completa eficiência, e é então que o elemento invisível ergue a cabeça. Os átomos não têm a capacidade de descambar, mas as células têm. Porquê e como, não é previsível — isso apenas é detetado depois se se dar uma reviravolta errada.

Todas estas incertezas conduzem a uma única conclusão. Não há alternativa a prestar atenção ao seu corpo todo durante toda a sua vida. Mas essa é precisamente a coisa que a maior parte das pessoas acha quase impossível de fazer. As nossas vidas estão cheias de contrastes, e nós estamos viciados nos seus altos e baixos. Caminhar a direito sem desvios parece enfadonho. Implica uma espécie de sufocante puritanismo, em que a autonegação é regra e o prazer exceção. O verdadeiro desafio, tal como o vemos, é tornar toda uma vida de bem-estar tão desejável que deixe de ser uma penitência.

Como começar? Independentemente da abordagem que você faça ao antienvelhecimento, o seu cérebro está envolvido. Nenhuma célula do organismo é uma ilha — todas recebem um fluxo ininterrupto de mensagens do sistema nervoso central. Certas mensagens são boas para as células, e outras são más. Comer um cheeseburger todos os dias envia um tipo de mensagem; comer brócolos cozidos a vapor envia outra. Estar casado e feliz envia uma mensagem diferente de estar só e isolado. Você quer claramente enviar mensagens que digam a cada célula para não envelhecer. Aí reside a promessa. Se conseguir maximizar as mensagens positivas e minimizar as negativas, o antienvelhecimento torna-se uma possibilidade real.

Acontece que o antienvelhecimento é um gigantesco circuito de retroalimentação que dura toda uma vida. O termo circuito de retroalimentação é recorrente neste livro pois a ciência está cada vez mais a descobrir a forma como estes circuitos funcionam.

Em 2010 um excitante estudo conjunto da Universidade da Califórnia em Davis e da UC em São Francisco revelou que a meditação leva ao aumento de uma enzima crucial chamada telomerase. Na extremidade de cada cromossoma está uma estrutura química repetitiva chamada telómero, que atua como ponto final no fim de uma frase — encerra o ADN do cromossoma e ajuda a mantê-lo intacto.

Nos últimos anos, o desgaste dos telómeros tem sido ligado ao colapso do organismo à medida que envelhece. Devido a uma divisão celular imperfeita, os telómeros ficam mais curtos, e surge o risco de que o stress degrade o código genético de uma célula. Parece ser importante ter telómeros saudáveis, e portanto é uma boa notícia o facto de que a meditação pode aumentar a enzima que reabastece os telómeros, a telomerase.

Esta investigação soa altamente técnica, sobretudo do interesse de biólogos celulares. Mas o estudo da UC foi um passo mais longe e demonstrou que os benefícios psicológicos da meditação estão ligados à telomerase. Elevados níveis de telomerase, que parecem ser igualmente suportados por exercício e uma dieta saudável, fazem parte de um circuito de retroalimentação que resulta, por surpreendente que pareça, numa sensação de bem-estar pessoal e na capacidade de fazer face ao stress.

Esta descoberta única ajuda a cimentar o princípio mais básico da medicina mente-corpo: o de que cada célula espia o cérebro. Uma célula renal não pensa por palavras; não diz para consigo própria: Tive um dia horrível no trabalho. O stress está a matar-me. Mas participa sem palavras desse pensamento. A meditação traz uma sensação de bem-estar à mente, ao mesmo tempo que passa a mesma sensação, através de um químico como a telomerase, ao seu ADN. Nada é excluído do circuito de retroalimentação. A conexão mente-corpo é real, e as escolhas fazem a diferença. Com esses dois factos assentes, o cérebro antienvelhecimento contém indizível promessa.

Prevenção e Riscos

Sem saber porque envelhecemos, a medicina fez a abordagem de que o envelhecimento é como uma doença. Os germes causam danos celulares, e o mesmo faz o envelhecimento. É sensato que se foque em manter o seu corpo saudável e a funcionar. O lado físico do antienvelhecimento é similar a programas de prevenção para qualquer distúrbio resultante do estilo de vida. Façamos uma revisão dos pontos principais. Soarão familiares após décadas de campanhas de saúde pública — e contudo não deixam de ser uma parte vital do seu bem-estar físico.

COMO REDUZIR OS RISCOS DE ENVELHECIMENTO

Faça uma alimentação equilibrada, cortando nas gorduras, açúcar e alimentos processados. A dieta preferida é a mediterrânica: azeite em vez de manteiga, peixe (ou fontes de proteínas à base de soja) em vez de carne vermelha, cereais integrais, legumes, mistura de frutos secos, fruta fresca e vegetais integrais que providenciem muita fibra.

Evite comer em excesso.

Pratique exercício moderado pelo menos uma hora três vezes por semana.

Não fume.

Beba álcool, de preferência vinho tinto, com moderação, ou nenhum de todo.

Use cinto de segurança.

Tome precauções para evitar acidentes domésticos (desde chãos escorregadios, escadas íngremes, riscos de incêndio, passeios gelados, etc.).

Durma uma boa noite de sono. Pode ser igualmente proveitoso com o avançar da idade fazer uma pequena sesta à tarde.

Mantenha hábitos regulares.

Em termos de prevenção, o lado físico do antienvelhecimento está sempre a ser refinado. Tome a questão da obesidade, que atingiu agora proporções epidémicas na América e Europa Ocidental. O excesso de peso é desde há muito reconhecido como fator de risco para muitos distúrbios, incluindo doença cardíaca, hipertensão e diabetes Tipo 2. Mas agora um tipo específico de gordura, a gordura abdominal, está a ser apontado como o tipo mais nocivo. A gordura não é inerte como a gordura de uma barra de manteiga. Está constantemente ativa, e a gordura abdominal envia sinais hormonais que são nocivos ao organismo, bem como alteradores do equilíbrio metabólico. Infelizmente, o exercício por si só não nos livra da gordura abdominal. É necessário um programa geral de perda de peso e exercício; ingerir bastante fibra parece igualmente ajudar a combater a gordura abdominal.

Dada a nossa profusão de refinado conhecimento, o verdadeiro problema jaz noutro lado, na conformidade. Saber o que é bom para nós e fazê-lo são duas coisas diferentes. O exercício é um constante batucar dos conselhos de prevenção, e contudo estamos a tornar-nos uma sociedade cada vez mais sedentária. Menos de 20% dos adultos fazem a quantidade de exercício recomendada para uma boa saúde; uma em cada dez refeições é ingerida no McDonald’s, onde a comida é rica em gordura e açúcar e quase desprovida de fibras e vegetais.

A conformidade é difícil quando o seu cérebro está programado para fazer as escolhas erradas. Certos sabores, por exemplo — especialmente salgados, doces e ácidos —, são tão imediatamente atrativos que gravitamos direitos a eles. Com a repetição, estes sabores tornam-se os nossos preferidos. Com repetição suficiente, tornam-se os sabores a que deitamos mão automaticamente, vitimizados por um hábito inconsciente. (A indústria de snacks tem um termo — ritmo de mascar — para descrever a forma automática como as pessoas metem na boca pipocas, batatas fritas ou amendoins sem parar até a embalagem ficar vazia. Este é o suprassumo do comportamento inconsciente, considerado altamente desejável entre fornecedores deste tipo de comida mas desastroso para a dieta de qualquer um.)

É inútil que os peritos de saúde censurem o público ano após ano para que mude de hábitos e depois esperem conformidade. Menos eficaz ainda é você censurar-se a si próprio. Quanto pior se sentir consigo mesmo, mais probabilidades terá de se deixar desencorajar. Uma vez desencorajado, acontecem duas coisas. Primeiro, vai ficando entorpecido, farto de se debater consigo próprio. Segundo, procura um paliativo para o seu desconforto, usualmente através de distrações. Vê televisão ou procura rápidas fontes de gozo comendo snacks doces e salgados. Desta forma, o esforço de fazer melhor acaba por fazer pior. Se a censura resultasse realmente, os Estados Unidos seriam uma nação de praticantes de jogging acotovelando-se para chegar à secção de produtos orgânicos do supermercado.O envelhecimento é um processo muito longo. Um curso de gestão de stress, uns quantos meses de ioga, tornar-se vegetariano durante uns tempos — são todos pontos no ecrã no que toca ao lento arrastar da idade. Claramente, para prevenir o envelhecimento, temos de solucionar o problema da não conformidade.

Deepak Chopra em Supercérebro

Foto de Keren Perez em Unsplash

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Leite: Faz bem ao corpo?

leite

Uma paciente veio ao meu consultório a queixar-se de dores nas costas após uma queda. A radiografia mostrou osteoporose avançada e uma fratura grave na região lombar. Quando lhe mostrei a radiografia, disse-me que, de forma nenhuma, poderia ter ossos frágeis porque bebia dois copos de leite por dia. Tal como esta paciente, milhões de pessoas já ouviram dizer que, se queremos ter ossos fortes, temos de beber leite.

Afinal, o leite fornece cálcio, fortalece os dentes, mantém o coração saudável e impede os ossos de se tornarem frágeis e quebradiços (osteoporose). Contudo, isto não é verdade. Eis o que não dizem:

1. O leite de vaca pasteurizado não é uma boa fonte de cálcio. Um dos piores efeitos colaterais da pasteurização é que torna insolúvel a maior parte do cálcio contido no leite cru.

2. O benefício da vitamina D, vista como um dos ingredientes essenciais do leite, é insignificante. Na verdade, os níveis de vitamina D no nosso sangue são minimamente afetados por fontes dietéticas como o leite.

3. O leite é a alergia mais comum, afetando 8 em cada 10 adultos, provocando-lhes sintomas que eles nem sequer associam ao consumo de produtos lácteos. A intolerância e a alergia a leite de vaca são também um fator na síndrome de morte súbita infantil. Os bebés que consomem leite de vaca têm uma probabilidade 14 vezes superior de morrerem de complicações renais e 4 vezes superior de morrerem de pneumonia, relativamente aos bebés amamentados.

5. O leite envelhece o corpo e enfraquece os ossos.

Em defesa do leite

Sou contra o leite? Não. E acho que todos os mamíferos deviam bebê-lo — durante a infância, e apenas leite proveniente das suas próprias espécies.

Leite na infância. Somos a única espécie que bebe leite de outro animal durante a idade adulta. Alguma vez viu um chimpanzé adulto a ser amamentado por um elefante ou um gato adulto a sê-lo por um cavalo? Não!

Porque simplesmente não é natural. Todos os mamíferos amamentam as suas próprias espécies durante um curto período de tempo imediatamente após o nascimento. Depois do desmame, nunca mais bebem leite.

Na natureza, não há nenhuma espécie que beba leite durante a idade adulta. Então porque é que a média de consumo de leite dos adultos nos EUA é de 82 litros por ano?

Leite de espécies específicas. As necessidades nutricionais para mamíferos bebés são satisfeitas pelas características únicas do leite produzido pela sua própria espécie. Uma vaca fornece à sua cria hormonas, proteínas, enzimas e anticorpos que previnem doenças e ajudam o metabolismo e o crescimento específicos da sua espécie, da mesma forma que as mães humanas o fazem com os seus bebés.

Por exemplo, a caseína é a principal fonte de proteína encontrada no leite de vaca. É esta proteína que faz com que um bezerro de 45 quilos se torne num animal adulto de 900. O bebé humano pesa, em média, menos de 3,5 quilos e cresce até se tornar um adulto de 75 quilos.

Abasteceria a sua mota com combustível de foguetões? Então porque é que haveria de abastecer o corpo humano com o combustível adequado a um animal gigantesco?

A ciência provou que as crianças precisam de leite materno humano. Um bebé que não é amamentado tem um risco 10 vezes maior de ser hospitalizado durante o primeiro ano de vida, um risco 60 vezes maior de ter pneumonia e pode ter um QI significativamente menor, bem como dificuldades comportamentais ou de discurso. Terá, ainda, um risco maior de sofrer de asma, alergias, problemas digestivos, infeções, diabetes tipo 1, eczema, de vir a desenvolver linfomas e leucemia, bem como um maior risco de obesidade.

A ironia: muitos dos problemas de saúde prevenidos pela amamentação humana são causados pela ingestão de leite de vaca. Em meados do século XIX, o leite materno humano foi substituído por leite de vaca para situações de emergência (como quando a mãe morre ao dar à luz). Como resultado, muitas das crianças morreram. A grande concentração de proteína no leite de vaca foi demasiada para os seus rins, causando desidratação.

Bigodes de leite e os média

Está na altura de fazermos a grande pergunta: se o leite de vaca é tão pouco saudável para os seres humanos, porque é que os média o retratam como uma bebida altamente saudável? Já ouviu falar de oferta e de procura?

A indústria dos laticínios é constituída por grandes organizações. A Dairy Farmers of America (DFA ) tem 16 mil agricultores, que produzem cerca de 28 mil milhões de litros por ano, e faz 8 mil milhões de dólares. O National Dairy Council (NDC ) declara trabalhar em colaboração com aqueles que estão comprometidos em assumir a liderança da promoção da saúde e do bem‑estar infantil.70

A American Dairy Association and Dairy Council, Inc. (ADADC ) assume, igualmente, um objetivo interessante — quando vi o site corporativo, tornaram-se claras, de imediato, as suas motivações (adicionei itálicos e negritos para enfatizar).

Missão: «A ADADC, Inc. é criada e dirigida por agricultores com o propósito de aumentar as vendas e a procura de produtos lácteos. A ADADC, Inc. trabalha com a Dairy Management Inc.™ e é responsável por aumentar a procura de produtos lácteos produzidos nos EUA (…).»

Propósito: Em prol dos agricultores dos EUA, aumentar as vendas e a procura de ingredientes e produtos lácteos dos EUA.

Papel: Trabalhar de forma proativa e em parceria com líderes para aumentar e aplicar o conhecimento, criando oportunidades para expandir os mercados lácteos.

Visão: Iniciar perspetivas visionárias, procurar agressivamente novas oportunidades e implementar programas inovadores que criem um mercado de produtos lácteos mais forte.

Ou seja, a missão, os propósitos, o papel e a visão da ADADC focam-se numa só coisa: fazer dinheiro! O palavreado expressa motivações que se referem a aumentar as vendas, construir mercados (não ossos) mais fortes e criar oportunidades para os expandir. Porque é que a declaração da missão não refere ajudar a humanidade? Alimentar os pobres? Criar ossos e músculos fortes ou ajudar as pessoas a perder peso? Esse tipo de propaganda acerca dos laticínios é deixada para as empresas de publicidade. As vacas não são as únicas a ser exploradas.

Dr. David Friedman em Afinal o Que Raio Devemos Comer?

Uma foto de Brian Suman em Unsplash

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E se a meditação fosse a sua própria vida?

meditar

Quando as pessoas meditam, fazem-no frequentemente com a ideia de que estão a tentar chegar a algum lado. Meditação orientada para uma meta é um oximoro se é que já ouvi algum!

Sentamo-nos nas nossas almofadas na posição de lótus, cerrando os olhos com força, zelosamente contando respirações ou recitando o nosso próprio mantra, tentando com toda a força fazer alguma coisa acontecer. Ou dizemo-nos que nem pensar em meditar — que falharíamos miseravelmente ao fazê-lo, pois somos demasiado tipo A e de todo capazes de nos sentar sossegados ou aquietar a mente por mais de trinta segundos.

Mas, e se a vida fosse uma meditação viva? Que tal seria estar num estado de meditação durante cada momento de vigília?

Esqueça isso de ter um ponto focal, um mantra, uma maneira especial de se sentar. Esqueça visualizações, ou contagens, ou qualquer tipo de ponto de entrada especial. Pense na respiração — entra e sai, preste-lhe ou não atenção. Pense no sofá debaixo de si, ou no solo sob os seus pés, ou nos sons no quarto, simplesmente como são. Todas estas coisas estão sempre à nossa volta, mas em vez disso convencemo-nos de que precisamos de algum complicado processo para nos fazermos chegar lá. Use o que tem no espaço em que está. Está numa cadeira de dentista? Fantástico. Ou no percurso habitual de comboio? Trabalhe com isso.

Mas quando se trata das histórias que contamos a nós mesmos, estar neste estado meditativo requer um pouco mais de trabalho.

Imagine diante de si uma tela branca. Olhe realmente para a tela branca. Harmonize-se com ela. E se esta tela branca — expandindo-se até à infinidade — for a sua verdadeira natureza? Se você for uma tela branca, então tudo é possível. No instante em que começamos a enchê-la com deves e não deves, com maneiras de fazer as coisas, com mantras e práticas, ela fica tão pejada que não há espaço para mais nada.

Tantos de nós temos a nossa «prática» — mas para o que praticamos nós? Em última análise o verdadeiro propósito da prática é levar-nos a lado nenhum. Mas estamos tão orientados para metas que precisamos de um destino — enquanto isso esquecendo-nos de que o que está em causa é a viagem.

Pronto, bem sei que disse nada de visualizações, mas tenha lá paciência comigo: imagine que a sua vida pode ser retratada numa tela. A própria vida é a tela. Quando olha para esta tela, vê tudo o que ali foi colocado. Que, na sua maior parte, não teve origem em si.

Alguém — os seus pais, muito provavelmente — lhe deu um nome, um lugar de nascimento, uma história. À medida que foi avançando vida fora, rótulos exteriores têm sido sobrepostos sobre a tela: talvez mãe, esposa, filho, filha. As pessoas têm-nos dito quem somos, e isto enche a tela também.

Agora comece a arrancar esses rótulos. Aprofundou o seu autoconhecimento. Conhece-se agora, e isso significa que pode desmantelar o que conhece. Força — arranque esses rótulos. Raspe essas limitações. Remova todas essas diferentes palavras que estão a meter-se no caminho de ser uma tela branca. Mesmo a noção de espiritualidade — cada conceito, cada ideia, cada papel a desempenhar, cada responsabilidade: raspe-os todos. Ao fazê-lo, experimente a liberdade (ou talvez o terror) da tela branca.

Porque a tela branca é a vida. Antes de nascermos, nada somos. Depois de morrermos, nada somos. Apenas cometemos o erro de acreditar na nossa própria permanência. Mas não precisamos morrer para nos desfazermos de tudo o que foi afixado na tela branca.

Podemos experienciar uma profunda alteração se fizermos isto estando ainda vivos. Isto, meus queridos amigos, é o que significa morrer para si próprio.

Iluminação tem a ver com destruir toda e cada falsa noção que tem a seu próprio respeito. Raspe as camadas, os véus, tudo o que tem considerado ser mais importante que nada.

Agora fique em branco.

Panache Desai em À Descoberta da sua Assinatura de Alma

Foto de Stephanie Greene em Unsplash

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Desintoxicação Diária

detox

A maior parte de nós faz o seu melhor para ter cuidado com aquilo que ingere, mas a verdade é que o que eliminamos é igualmente importante. Para atingirmos a nossa máxima beleza, temos de fomentar constantemente a remoção de toxinas das células.

Existem dois tipos de toxinas: as toxinas exógenas, que vêm de poluentes e produtos químicos presentes no ambiente, e as toxinas endógenas, que são os subprodutos normais derivados do metabolismo e são criados dentro do nosso corpo. As nossas células são renovadas diariamente por dois processos opostos, o de construção (anabolismo) e o de desconstrução (catabolismo). Em consequência, o organismo tem de eliminar uma enorme quantidade de detritos celulares todos os dias. Se isto não for feito eficazmente, pode sobrecarregar o corpo e contribuir para a acumulação de  toxicidade.

A desintoxicação acontece naturalmente, mas podemos tomar medidas para aumentar o seu nível de eficácia. Apoiar os processos diários de desintoxicação do nosso corpo é crucial para manter uma pele límpida e resplandecente e uma aparência jovem.

ESTÁ DEMASIADO INTOXICADO?

Quais das seguintes hipóteses se aplicam a si?

• Mente confusa, lentidão de raciocínio

• Problemas frequentes de estômago ou inchaço

• Dores e incómodos crónicos

• Prisão de ventre e problemas digestivos

• Maus odores corporais

• Mau hálito

• Fadiga permanente

• Pele flácida e envelhecida

• Forte adição a doces

• Acordar com o nariz entupido

• Língua saburrosa

Se três ou mais destes problemas o afetam, é provável que a sua desintoxicação diária precise de algum apoio suplementar. Esteja atento aos conselhos prestados neste pilar e aplique-os para melhorar os mecanismos de purificação diários do seu corpo.

O Seu Belo Fígado, Construtor de Beleza

O fígado é um órgão fulcral para a beleza. Pesando cerca de 1,3 kg cheios de potência, o fígado é o principal órgão para a desintoxicação. Trabalha incansavelmente para limpar o sangue de toxinas e bactérias e para neutralizar os poluentes. Na verdade, filtra cerca de um litro de sangue por minuto, lidando com os produtos agroquímicos, as toxinas, os poluentes, os aditivos alimentares, os conservantes, os resíduos, os pesticidas e inúmeras outras impurezas e produtos químicos anónimos que introduzimos no nosso corpo inconscientemente (ou conscientemente, no caso daquelas margaritas que bebeu na happy hour da última sexta-feira!). Depois de processar todas essas toxinas, o fígado segrega-as para o sistema digestivo, para que sejam eliminadas do organismo, ou confere-lhes uma forma solúvel em água para que sejam filtradas pelos rins e excretadas como urina.

É extremamente importante dar apoio ao seu fígado se quiser ter uma pele, olhos e cabelo bonitos. Além do seu papel na desintoxicação, este órgão é o guardião de alguns produtos sagrados para a beleza. Armazena vitaminas A, B12 e D, assim como ferro, cobre e glicose, libertando estes nutrientes na corrente sanguínea conforme necessário.

Quando o fígado está sobrecarregado por toxicidade ou é agredido, torna-se disfuncional e não consegue desempenhar as suas tarefas essenciais — desde a desintoxicação à queima de gorduras e à purificação do sangue — com a eficácia devida. Isto pode levar ao envelhecimento prematuro e a menos energia e beleza. Quando o fígado consegue processar eficazmente as toxinas, a pele torna-se mais luminosa e mais bela, há mais nutrientes a chegar aos folículos capilares e sentimo-nos, em geral, mais belos e com mais energia. A boa notícia é que este é um órgão resiliente, com superpoderes regeneradores. A menos que tenha um fígado extremamente danificado ou uma doença como a cirrose, há muitas medidas que pode tomar para o ajudar a reconstruir-se e a regenerar-se, mesmo que tenha abusado dele no passado. Cuidar do fígado é uma tarefa essencial de beleza.

TÓNICO PARA O FÍGADO DE BELEZA NATURAL

Esta bebida tonificante, purificante e anti-inflamatória pode ser feita em qualquer momento para ajudar a nutrir o organismo e para estimular o fígado.

  • 1 pedaço de gengibre com 2,5 cm, finamente fatiado
  • Água filtrada (o suficiente para encher uma caneca de chá)
  • Sumo de meio limão
  • 2 colheres de sopa de mel cru (ou de açúcar ou néctar de coco)
  • ¼ de colher de sopa de açafrão em pó
  • Uma pitada de pimenta caiena
  • Uma pitada de pimenta preta

Coloque as fatias de gengibre numa caneca de chá. Aqueça a água numa chaleira ou numa caçarola e deite-a sobre as fatias de gengibre, deixando-as em infusão durante cerca de 3 minutos. Junte os restantes ingredientes e misture bem. Beba imediatamente.

Deepak Chopra e Kimberly Snyder em Beleza Natural

Foto de Dominik Martin em Unsplash

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Pandemia ou Pandemónio?

pandemónio

Sempre gostei do meu sossego, dos momentos em silêncio. Mas um silêncio forçado, passado pouco tempo, começa a incomodar. Há mais tempo para pensar em tudo, para dar voltas e voltas à cabeça com coisas que não interessam assim tanto.

Um início de quarentena cinzento em que as séries, os livros e os filmes fizeram passar o tempo rápido e disfarçadamente e o sono não vinha. Um medo instalado com incertezas, com a obrigatoriedade de nos mantermos longe de quem gostamos, a proibição da liberdade, de poder ir tomar um café, estar à beira mar, de poder ir passear o meu cão sem estar sempre a evitar pessoas.

Muitas destas coisas começaram a mexer com a minha cabeça e, instalou-se o pandemónio. Então como vou eu lidar com isto ?

É verdade, foi um início cinzento… mas depressa passou quando comecei a definir as minhas rotinas, os meus objetivos, voltar a fazer coisas que nunca teria tempo não trabalhando a partir de casa.

De volta à pintura, espalhar as tintas por todo o lado e dar uso à imaginação, a diferença é que antes não tinha um gato com 6 meses, portanto o meu Simba amarelo tigrado, passou a ser de todas as cores possíveis. Acho, ou aliás, tenho a certeza que esta quarentena infinita foi mais fácil com a companhia deste pestinha, mesmo que não me deixe trabalhar e goste de se deitar em cima do computador, espalhar as folhas, entre muitas outras asneiras, fez-me (e faz) muita companhia.

Assim como o meu cão Tobias que ficou mais feliz com esta quarentena do que se possa imaginar, um cão mimado que adora os seus passeios no campo. E claro que se ele já passeava muito agora fazia passeios aventureiros a descobrir caminhos e paisagens incríveis nesta aldeia que fica, como diz a minha avó, “atrás do Sol posto”.

Ahh! Claro que também tentei fazer pão e bolos, mas não há barriguinha que aguente ! E aprender croché com a avó? Que desgraça… nem uma almofada, nem um pano saiu dali. Também foi engraçado redecorar a zona de trabalho, já que iria passar mais tempo ali, dar animo à coisa, mas colar papel de parede não é muito divertido sozinha (muito menos com um gato…). 

E quando os dias passam e não se vê um fim para isto, começa a saudade… a saudade de brincar com os sobrinhos e das conversas da mana, o café com os amigos aos fim-de-semana, a saudade do abraço do namorado, que por mais chamadas de video que façamos, a distância sobrepõe-se. E as saudades de dançar…

De entrar naquele salão, calçar os sapatos, ouvir a música e simplesmente dançar. Começámos a reinventar a fazer treinos online. Sem contacto, obviamente, com os pares e com muita falta de espaço, mas a melhor sensação de todo este tempo foi voltar a calçar os sapatos, dançar num corredor minúsculo e ouvir aqueles gritos amorosos do treinador “estiquem as pernas, estiquem os braços, não olhem para o chão…”. Voltámos aos pés feios, aos músculos doridos (obrigada Ricardo ahah), mas com o coração cheio e a mente descansada. E tenho de agradecer a paciência infinita dos meus pais que, com muito amor, lhes peço para mover toda a mobília, todos os dias de treinos, os expulso da sala e fecho a porta para poder dançar durante duas horas.

Não era preciso uma pandemia para me lembrar da importância que é estar com as pessoas importantes para mim. Não era preciso um corte obrigatório de liberdade para me lembrar do quanto gosto de passear de mão dada à beira-mar. Não era preciso uma restrição de proximidade social para saber o quanto gosto de estar no café com os meus amigos ao fim-de-semana a falar de tudo e de nada. Não era preciso restrição do toque para saber o quão importante a dança é para mim e para a minha sanidade mental. Não era preciso ficar obrigatoriamente em casa para me lembrar de mimar sempre o Simba e o Tobias.

Tudo isto não era preciso, mas foi necessário e por mais que tudo isto pareça agora um pandemónio, a verdade é que deu para valorizar ainda mais momentos simples, como ler um livro à varanda, com o sol na cara e o ar puro da aldeia. 

Agora a Self. A Editora Self é relativamente nova na minha vida e tem sido uma boa surpresa. Não só a nível laboral como a nível pessoal.

E muitos livros me passam rapidamente pelas mãos, mas há um que se destacou pela curiosidade que eu tinha de desmistificar algumas coisas em relação à alimentação. O Paradoxo da Longevidade. Um livro que nos ajuda a perceber as coisas maioritariamente simples que podemos fazer para viver uma vida mais saudável, não só viver mais, mas também melhor.

Também gosto muito de livros de ficção e, apesar de ainda não ter lido todos os livros desta trilogia, Magia de Papel, Magia de Vidro e Magia de Mestre, são livros que despertam a minha curiosidade por causa do meu gosto pessoal. Gosto pela aventura o mistério, mesmo que seja mais sombrio ou bizarro, são livros que recomendo para quem tenha um gosto mais de fantasia e ficção como eu.

Beatriz Vieira