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A Lei dos Ciclos

Ciclos

Desde Junho que assistimos, como em quase todos os anos, à temporada de furacões e tempestades que assolam regiões do Atlântico e Leste do Pacifico, nomes como o Furacão Irma, Havey, cada um com a sua intensidade, ficam na memória daqueles cujas vidas são afectadas, pelo rasto de destruição que fica na sua passagem. A esses directamente, mas a todos nós que assistimos à distância fica um sentimento profundo de impotência, empatia e compaixão perante um fenómeno tão intenso da Natureza.

É em momentos como esse, como também nas nossas “tempestades” pessoais, um divórcio, uma traição, uma morte, um despedimento, e que provocam a mesma devastação, física, emocional, psicológica, que nos questionamos sobre o sentido ou falta dele. Perante o caos aparente imaginamos um Universo sem sentido, e a Vida Humana atirada à sua sorte, à mercê de situações sem controlo. Assim parece, mas não corresponde à realidade.

Se observarmos com atenção percebemos na Natureza uma organização, uma ordem, de leis orquestradas num Universo inteligente. Vejamos o movimento da Terra, o ciclo das estações, o fluir das marés. Esta ordem que observamos designa-se de Leis Superiores ou Leis do Espírito. O conhecimento dessa lei ajuda-nos, quer a dar um sentido mais amplo à Vida, como também aumenta a nossa responsabilidade na forma como lidamos com a natureza, como lidamos e construímos a nossa vida, nos nossos hábitos, nas nossas escolhas.

Tribos ancestrais estavam muito conectadas com essas leis, conheciam-nas profundamente, especialmente na pessoa do Xamã, que orientava a comunidade, através de rituais como modo de alinhamento do ser humano com a natureza. Esse respeito, essa relação do Homem com a natureza perdeu-se. O conhecimento dessas Leis altera a nossa relação com o nosso poder pessoal, é o antídoto para o medo. Todo o conhecimento é poder e este era centralizado numa minoria. Estas leis eram do conhecimento secreto, na antiguidade, nas Sociedades Ocultistas.

A beleza do momento que vivemos actualmente é que todos temos acesso a essa informação. E o que sabemos dessas Leis é que a Vida é uma constante renovação, ciclos intermináveis de morte e renascimento, uma Never Ending Story, seres eternos.

O Mundo nunca irá acabar. Acaba na forma como o conhecemos, renova-se, é a Lei dos Ciclos. Capítulos encerram, outros abrem-se. Somos o herói da nossa história, construímos o argumento e o guião da história e livro da nossa vida. Qual o próximo capítulo da sua vida?

Shivai

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Descomplicar as mudanças

mudançasMudanças são inevitáveis! Grandes ou pequenas. Às vezes queremos que as coisas mudem na nossa vida, mas o medo atrapalha. Daí à resistência à mudança é um passo e daqui ao conflito interno é um outro passo, segue-se o bloqueio e a insatisfação. Temos muitos sonhos, desejos, ambições e aspirações mas tudo isso implica algum risco. Queremos a mudança sem mexer muito com a nossa segurança. Queremos a mudança mas com garantia, mas a Vida não tem Seguro. Adoro uma frase de Helen Keller: “A Vida é uma aventura audaciosa, ou não é nada. A segurança é geralmente uma superstição, ela não existe na Natureza.”

Às vezes queremos as coisas fáceis, fáceis, sem termos que nos implicar, evitando participar activamente no processo de mudança. Queremos uma vida melhor ou uma outra vida, com mais sentido, mais sumarenta, seja viver um outro amor, novas amizades, um novo trabalho, uma outra casa, uma outra cidade ou até um outro país e por aí vai. A dificuldade em abraçar a mudança começa em nós, na nossa percepção negativa ou pessimista. Espera-se o pior, enrolados numa espiral descendente, a nossa imaginação transporta-nos para os cenários mais fantasmagóricos, frequentemente pouco prováveis e assim, e medo agiganta-se, gera ansiedade, paralisa, e o mais grave, tira-nos a clareza mental para as soluções e encontrar o melhor curso de acção. Sim, devemos ser cuidadosos e prudentes, observar e analisar as possibilidades, mas não obstinadamente cautelosos.

mudançasA atitude face à mudança revela, proporcionalmente, a nossa própria facilidade/dificuldade em mudarmos aspectos de nós mesmos, desenvolvermos novas atitudes. Outro grande obstáculo à mudança baseado na insegurança é o excesso de controlo. Fechados na nossa mente, num rodopio mental, revisamos e analisamos os mínimos detalhes numa pré-ocupação e perfeccionismo desconcertante e desgastante levando, por vezes, a uma perda de energia vital.

Porque mudar é preciso? Porque é a essência da Natureza e da vida humana. Somos naturalmente equipados para a mudança mas nós atrapalhamos um mecanismo que é inato. Mudar, mais do que um desejo é uma necessidade. Atingir novas realizações, vivenciar outras experiências dão-nos um sentido de propósito, de vitalidade.

O sentimento de auto-realização, contentamento e bem-estar pessoal, objectivos da alma humana, só possíveis de atingir quando estamos dispostos a explorar todas as possibilidades desta grande aventura que é a vida.

Shivai

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As emoções – o nosso GPS interno

emoções

Vivemos uma época fantástica em que o conhecimento está tão acessível a todos que o procuram. Temos toda a ajuda disponível, para lidarmos com os dilemas, desafios e encruzilhadas da vida, quer seja em livros, seminários, cursos. Mas, paradoxalmente, nunca tanto como hoje esse conhecimento encontra dificuldade em ter um canal prático. A vida na sua correria, exigências, contrastes, pede-nos mais sabedoria, não só conhecimento. De onde vem essa sabedoria? Tem na verdade várias fontes, como a experiência, mas vou apenas cuidar de uma outra: as emoções. Na mesma linha, já muito se falou e se explicou mas ainda assim, nunca tanto como nestes nossos dias, vemos a dificuldade de cada um a lidar com os seus estados emocionais em especial os negativos, seja raiva, medo, tristeza.

A vida corrida, exigente, desligou-nos do nosso mecanismo inato para lidar, quer connosco mesmos quer com os outros, enfim o mundo à nossa volta. Passámos a ter medo de sentir, de olhar, enfrentar, cuidar e acima de tudo aprender a transformar. Limitamo-nos a uma existência asséptica, estéril, superficial, falsamente segura.

Num mundo em permanente mudança, o que hoje é novidade amanhã é obsoleto, procuramos respostas que só encontraremos no único lugar de onde fugimos, dentro de nós, no nosso equipamento emocional. Perceber que o nosso estado de espírito está directamente ligado ao que nos rodeia, desde o mais pequeno ao maior acontecimento do nosso dia-a-dia, já é um passo! Reconhecer que não posso livrar-me das minhas emoções, que sempre irei sentir algo, e sim, às vezes coisas que não gosto. As emoções dizem-nos que estamos vivos, que somos seres sensíveis, que as palavras, as cores, os cheiros, o tempo, nos tocam, mexe e remexe. Já pensou que no mesmo local do corpo onde sente o medo é o mesmo onde sente o entusiasmo, a excitação do novo, de uma aventura, da satisfação de um desejo realizado: o seu plexo solar (três dedos acima do umbigo).

E não, as nossas emoções não são um equívoco da Natureza, um qualquer erro ou ironia da Vida para nos infernizar o juízo. Não existem para serem abafadas, neutralizadas, ignoradas. Existem para nos orientar, proteger, são a fonte de sabedoria e informação que nos ajudam a interpretar, escolher, decidir. As emoções dizem-nos qual o impacto de determinada coisa em nós – é onde reside a nossa verdade! É onde reside a nossa verdadeira força, mas até lá chegar há todo um processo de reaprender a tirar o melhor das nossas emoções. Para não ficarmos em teorias e meras palavras, deixo algo bem prático por onde começar. Parece simples, mas é um desafio.

Comece por sentar-se, consigo, em silêncio, tranquilamente, coloque uma mão no seu plexo solar e pergunte-se: o que estou a sentir? Defina a emoção, podem ser várias e contraditórias, porque somos seres muito complexos. Pergunte de novo e aguarde, veja como isso o faz sentir, e RESPIRE! Faça disso uma rotina – a sua rotina de ecologia emocional!

Shivai.