Posso partilhar o que sinto ao publicar o primeiro grande livro em Portugal sobre o Bruce Lee?

bruce

Há algum tempo partilhei num blog post do site da Vida Self um artigo onde o Bruce Lee surge como recorrência a uma das minhas aprendizagens de vida. Falava nesse artigo sobre a arte de Fluir.

Desde muito pequeno que elegi o Bruce Lee como inspiração. No meu tempo a televisão eram 2 canais. RTP1 e RTP2. Quando digo “no meu tempo” quase que me sinto um velho ancião. E quando falo de 2 canais televisivos quase que imagino os risos das pessoas que me possam estar a ler e sejam mais novas que eu. De facto hoje o mundo é diferente. Não havia internet… É verdade. Eu próprio hoje tenho dificuldade em imaginar. Mas os filmes do Bruce Lee eram tesouros que surgiam em video. Em cassetes de VHS… cassetes que alugávamos no video clube do bairro. Quem é que eu estou a querer enganar… deixem-me ser mais transparente… as que eu via eram quase sempre pirateadas pelo meu vizinho do 2º esquerdo.

Ele tinha 2 vídeos e gravava de um para outro e depois todos no bairro tínhamos Sim… era assim que se gravavam coisas nesse “meu tempo”. Mas sabem que mais? Esse tempo era de acesso escasso mas tinha tanta magia… Uma das magias era as vezes sem conta que víamos os mesmos filmes. Víamos até decorarmos os trejeitos mais específicos de cada um dos personagens. As falas e os golpes que eles davam. Cada filme era um culto. Nem sempre era pela sua qualidade. Às vezes era mesmo só porque não tínhamos muitos filmes. Mas não no caso do Bruce Lee… Ele era e é um dos meus maiores ídolos de sempre.

No caso do Bruce Lee… não eram só as falas. Eram os golpes que íamos ali para o bairro da Quinta da Alagoa em Carcavelos, ensaiar e cair redondos no chão tal como cai quem está a fazer tudo com o coração inteiro. Eu sempre fui ágil e inspirado nas artes marciais. E embora pequeno… sentia-me o Bruce Lee por dentro e por fora todos esses dias da minha infância.

É-me difícil hoje saber exatamente quais dos meus amigos se sentiam como eu, por dentro. Mas eu vivia muito mais do que só os golpes fatais. As frases dele tocavam-me para lá da “gabarolice” do seu personagem. E até essa atitude me fazia sentido: a crença em si próprio, a auto-motivação, a moral e a coragem de enfrentar as injustiças. O estágio mental do seu olhar antes de entrar em batalha. Bruce Lee sempre foi um ator expressivo e comunicativo. A sua infância “arruaceira” não era totalmente preceptível nos filmes. Mas seguramente que o filósofo adulto em que ele se tornou estava evidente.

Lembro-me de me sentar a meditar, no chão do meu quarto, quando ninguém me via. Quando a meditação era uma coisa estranha e não entrava no dicionário do ocidental médio. Lembro-me de me concentrar para ganhar a força que nunca tive. Quando tentávamos partir tábuas das obras que apanhávamos do chão. Lembro-me de imitar as práticas do Bruce Lee e de tentar beber em cada palavra dele. De me mentalizar e dar o rotativo para partir a tábua fininha que era para mim uma conquista.

É importante perceber que, se hoje em dia, um ícone ou uma influência se pode manter num jovem por um ou dois anos, na altura estávamos a falar de um ícone que durou toda a minha infância e parte da minha juventude.

O Bruce Lee era como alguém que eu conhecia. Eu conversava com ele mentalmente com as minhas dúvidas e inseguranças. E ele respondia-me com aquele ser completo de força e determinação. Com inteligência. Com mente forte e corpo forte e esse casamento perfeito entre físico e intelectualidade.

Um ídolo, um modelo a seguir, um disciplinador e um crente na prática e aperfeiçoamento. Um tutor completo e confiante. Ainda hoje acho que é ele que me aconselha quando treino alguma coisa que não consigo. Mas que treino e aperfeiçoo até conseguir. Ele é a minha paciência de saber para onde vou.

Mas ele tinha ainda outra coisa que me magoava… o facto de ser alguém que eu nunca poderia conhecer. Um homem que tinha falecido alguns anos antes de eu nascer. Alguém que já trazia em si a mística de “sabedoria perdida”. Eu ainda não sabia deste livro…

Escrevo estas palavras e sinto que é para mim intenso, falar deste tema. Sinto agitação e entusiasmo quando tento trazer estas memórias para o presente. Por isso pergunto: Posso partilhar um pouco mais do que sinto ao estar a publicar este mês o primeiro grande livro no meu país sobre o Bruce Lee?

Este livro toca-me profundamente. Não quero dizer que publico algum outro livro na minha editora com leveza. Mas as origens do que fazemos bebem em inspirações diferentes. Na Self temos muitas vezes presente a frase “Powered By Inspiration” ou o “Publicamos o Que Nos Inspira”. Somos essa energia. E o Bruce Lee vibra com toda esta mesma energia que imprimimos no que fazemos.

Claro que não é por acaso. Constato uma coisa gira: Quanto mais partilho este livro em redor, mais percebo que Bruce Lee me influenciou a mim Mas também a tantos outros com quem partilhei o que estamos a fazer. É nesses dias que sentimos que afinal, este ícone do desenvolvimento pessoal influenciou mais pessoas do que pensamos.

BRUCE LEE

Quando decidi publicar este livro foi um processo lento. Há anos que tenho a ideia na cabeça. Há anos que sabia qual o livro que queria trazer para o leitor português. Que sabia a capa e a qualidade de impressão que queria colocar neste livro. O projeto foi vivendo dentro de mim… crescendo… alimentando-me e nutrindo-se a si também de todos os elementos que o compõem hoje.

Não posso dizer que não estou orgulhoso com todos os detalhes da nossa edição. A capa, o verniz, as cores, os sombreados escondidos que trabalhámos dentro da nossa equipa para criar este livro que é muito mais do que um livro. Este objeto que é uma pedra de conhecimento que concebemos para entrar na decoração de qualquer sala dos nossos leitores. Quero e espero partilhar em alguns outros artigos a profundidade do que está na sabedoria destas páginas. Hoje, a celebração é mesmo a de dar os parabéns à minha equipa por termos executado o sonho. Já não é meu nem nosso. É vosso também e espero que o acarinhem como nós o acarinhámos.

Boa leitura.

António Vilaça Pacheco , editor e founder @Self

Saiba mais sobre o livro, clicando AQUI.

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