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As emoções – o nosso GPS interno

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Vivemos uma época fantástica em que o conhecimento está tão acessível a todos que o procuram. Temos toda a ajuda disponível, para lidarmos com os dilemas, desafios e encruzilhadas da vida, quer seja em livros, seminários, cursos. Mas, paradoxalmente, nunca tanto como hoje esse conhecimento encontra dificuldade em ter um canal prático. A vida na sua correria, exigências, contrastes, pede-nos mais sabedoria, não só conhecimento. De onde vem essa sabedoria? Tem na verdade várias fontes, como a experiência, mas vou apenas cuidar de uma outra: as emoções. Na mesma linha, já muito se falou e se explicou mas ainda assim, nunca tanto como nestes nossos dias, vemos a dificuldade de cada um a lidar com os seus estados emocionais em especial os negativos, seja raiva, medo, tristeza.

A vida corrida, exigente, desligou-nos do nosso mecanismo inato para lidar, quer connosco mesmos quer com os outros, enfim o mundo à nossa volta. Passámos a ter medo de sentir, de olhar, enfrentar, cuidar e acima de tudo aprender a transformar. Limitamo-nos a uma existência asséptica, estéril, superficial, falsamente segura.

Num mundo em permanente mudança, o que hoje é novidade amanhã é obsoleto, procuramos respostas que só encontraremos no único lugar de onde fugimos, dentro de nós, no nosso equipamento emocional. Perceber que o nosso estado de espírito está directamente ligado ao que nos rodeia, desde o mais pequeno ao maior acontecimento do nosso dia-a-dia, já é um passo! Reconhecer que não posso livrar-me das minhas emoções, que sempre irei sentir algo, e sim, às vezes coisas que não gosto. As emoções dizem-nos que estamos vivos, que somos seres sensíveis, que as palavras, as cores, os cheiros, o tempo, nos tocam, mexe e remexe. Já pensou que no mesmo local do corpo onde sente o medo é o mesmo onde sente o entusiasmo, a excitação do novo, de uma aventura, da satisfação de um desejo realizado: o seu plexo solar (três dedos acima do umbigo).

E não, as nossas emoções não são um equívoco da Natureza, um qualquer erro ou ironia da Vida para nos infernizar o juízo. Não existem para serem abafadas, neutralizadas, ignoradas. Existem para nos orientar, proteger, são a fonte de sabedoria e informação que nos ajudam a interpretar, escolher, decidir. As emoções dizem-nos qual o impacto de determinada coisa em nós – é onde reside a nossa verdade! É onde reside a nossa verdadeira força, mas até lá chegar há todo um processo de reaprender a tirar o melhor das nossas emoções. Para não ficarmos em teorias e meras palavras, deixo algo bem prático por onde começar. Parece simples, mas é um desafio.

Comece por sentar-se, consigo, em silêncio, tranquilamente, coloque uma mão no seu plexo solar e pergunte-se: o que estou a sentir? Defina a emoção, podem ser várias e contraditórias, porque somos seres muito complexos. Pergunte de novo e aguarde, veja como isso o faz sentir, e RESPIRE! Faça disso uma rotina – a sua rotina de ecologia emocional!

Shivai.

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Como construir o roupeiro dos seus sonhos?

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Decerto já idealizou o roupeiro dos seus sonhos, um closet magnífico, cheio de peças da última coleção… Sonhar acordada é possível! Mas a realidade por vezes é bem diferente.

O roupeiro está atolado e nem sequer consegue ver as peças que tem e sempre que tem de escolher um look, pensa “O que vou vestir, não tenho nada para vestir”, segue-se uma sensação de querer deitar tudo fora, ir a correr às lojas e comprar tudo novo! Começa a ansiedade, as questões sobre o seu corpo, a dieta que tem que fazer para caber naquelas calças, a confusão entre ideias, sensações e emoções são um turbilhão que começam a controla-la e a sufocam! Calma! Não é a única neste estado! Existem muitas pessoas com estas questões e digo-lhe, do que já estudei e das pessoas que já apoiei, existe solução!

Passo 1

O primeiro passo para um bom roupeiro é o seu autoconhecimento. De nada serve construir um roupeiro que só funciona em sonhos! Existe vida, existe uma pessoa, hábitos, estilos, corpos, silhuetas, gostos pessoais, preferências e uma série de atividades que compõem o dia-a-dia. Perceba as suas crenças limitadoras. Quais são os seus medos? Como está a sua autoestima, a sua valorização pessoal? Tende a vestir-se para passar despercebida? Não gosta que olhem para si?

Por vezes a origem de algumas crenças está na sua infância ou em algum momento da sua vida em que lhe apontaram o dedo, lhe disseram que não iria ser capaz, ou que a rejeitaram. Analise.

Passo 2

O segundo passo é começar a enfrentar o espelho! Comece a olhar para si, sem críticas! Desafie-se perante o espelho! Tire fotografias a si própria e olhe para elas! Passamos o tempo inteiro a ver os outros, é importante que passe a ver-se a si mesma!

É fundamental ter no seu roupeiro um espelho de corpo inteiro.

Passo 3

Comece por analisar o que tem! Retire as suas peças do roupeiro e analise as que usou no último ano. Existem peças que já não se revê? Retire. Doe. Recicle. Deixe apenas as peças que lhe fazem sentido. Liberte-se das ideias de que vai voltar a vestir isto quando tiver menos 5 quilos. Embora a moda seja cíclica, as peças vão-se modernizando, com cortes, silhuetas, tecidos diferentes – o que vai acontecer é que vai acabar por adquirir mais peças e manter as velhas. Aprenda a praticar o desapego!

Passo 4

Planear, organizar, arrumar e iluminar! Para ter aquele roupeiro que idealiza, pense em ter as peças visíveis, divididas por tipos e cores. Tenha luz no seu espaço. Se não for possível luz natural, coloque um candeeiro de pé alto.

Invista em si! Organize e componha o roupeiro à sua medida (estou cá para a apoiar)!

Esqueça rótulos e seja dona do seu próprio estilo! Só assim é que será valorizada!

Torne os seus sonhos realidade!

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Índice da Felicidade: Portugal abaixo da média europeia

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Em 2012 foi feito o primeiro relatório mundial sobre a felicidade, com o objetivo de procurar medir e perceber a subjetividade do “bem-estar” humano. Agora em 2017, foi publicado a sua 5ª edição, com o ranking mundial de 155 países.

A média mundial dos 155 países é de 5.3. Portugal surge no 89º lugar. O nosso índice de felicidade é de 5.1….Estamos abaixo da média mundial e muito abaixo da média da europa ocidental, que é de 6.5. Somos dos países que na europa apresentaram um decréscimo no índice de felicidade, tal como a Espanha, Grécia e Itália.

Esta avaliação é decomposta é assente em assente em 6 fatores:

  • paridade do poder de compra – analisa em cada país o poder de compra, tendo em conta salário versus custo de vida;
  • esperança média de vida;
  • apoio social- através da pergunta: “Se você estiver com problemas tem familiares e/ou amigos que o ajudam sempre que precisar?”;
  • liberdade – através da pergunta: “Você está satisfeito ou insatisfeito com a liberdade de que tem para escolher o que quiser para a sua vida?”;
  • generosidade – através da pergunta: “Fez alguma doação ou caridade no último mês?”;
  • corrupção – com duas perguntas: “Considera que a corrupção está disseminada pelo governo do seu país, ou não? e “Considera que a corrupção está disseminada pelo tecido empresarial do seu país, ou não?”.

Foi pedido às pessoas que avaliassem a sua vida, através da pergunta da escada de Cantril: Imagine uma escada, com degraus numerados de 0 (em baixo) até 10 (em cima). O topo da escada significa a melhor vida possível que você poderia ter enquanto o primeiro degrau representa a pior vida possível para si. Em que degrau é que você sente que está atualmente?

É de facto um resultado surpreendente e abaixo do desejado… Mas para o entender melhor, devemos aprofundar um pouco mais o raciocínio para podermos tirar conclusões e quem sabe… tentar não fazer parte desta média estatística.

Enquanto adultos a nossa felicidade depende significativamente da situação em que nos encontramos: a nossa condição económica (salário, educação e emprego), a nossa situação social (no que diz respeito às nossas relações) e a nossa saúde (física e mental). Estes em parte dependem do nosso passado em criança (desenvolvimento intelectual, comportamental e emocional). O nosso desenvolvimento em crianças/adolescentes foi condicionado pelo nosso enquadramento familiar e escola.

Significa isto que a nossa felicidade futura depende do trabalho que se vai fazendo ao longo da nossa vida. Começa em criança com a nossa família, pessoas próximas e escola. Em adulto, a situação económica e social do país é fundamental. Mas a componente social, nomeadamente as relações, e a nossa saúde física e mental, são fatores relevantes e os quais podemos trabalhar, desenvolver.

Pergunte a si mesmo: Imagine uma escada, com degraus numerados de 0 (em baixo) até 10 (em cima). O topo da escada significa a melhor vida possível que você poderia ter enquanto que, o primeiro degrau representa a pior vida possível para si. Em que degrau é que você sente que está atualmente?

O que está nas suas mãos para ser mais feliz?
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Sozinho ou acompanhado

sozinho

Se queres ir rápido vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado!

As relações interpessoais são um dos pilares mais importantes para uma vida feliz. Uma vida feita em conjunto com os outros ganha mais sentido, pois enriquece consideravelmente a experiência vivida. Se queres ir rápido vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado, diz um provérbio africano. De facto, as vivências têm sabores diferentes consoante caminhamos sozinhos ou acompanhados. Não é uma questão de certo ou errado, é uma questão do que sentimos ser fundamental para cada um de nós, em coerência com os nossos sonhos, desejos e necessidades mais profundas.

Se queremos uma vida rica e intensa do ponto de vista humano em termos de afetos, de aprendizagens, de partilhas, o importante não é ir rápido, mas sim longe, o mais longe possível. Ir rápido implica focar-se numa meta e querer chegar lá depressa, independentemente do ritmo dos outros; ir longe significa que a meta não é o mais importante, mas sim o caminho. E pelo caminho encontramos tudo o que precisamos para um percurso de crescimento humano, de desenvolvimento pessoal, de exploração de todo o nosso potencial para fazer frente às tempestades e às bonanças que naturalmente existem. Se queremos atravessá-las rápido talvez não consigamos captar o seu propósito no nosso percurso; se queremos chegar longe, tentamos integrá-las e com elas crescermos.

Chegar longe requer o cuidado de olhar para os que estão à nossa volta e de deixarmos que olhem para nós. No olhar recíproco está o reconhecimento e a valorização de uma relação.

As relações dão-nos o melhor que a vida nos pode dar. Por vezes basta um sorriso, um olhar, e sentimo-nos embebidos por um shot de energia e boa disposição que nos faz voar pela magia do universo. Mas também nos dão o pior, quando nos sentimos arrasados e tristes por uma desilusão, fruto de uma expectativa que criámos. A ausência de expectativa nas relações é o verdadeiro e tão difícil segredo para que através delas consigamos sentir o poder de voar, sem medos nem exigências. É maravilhoso dar a quem sabemos que não nos vai retribuir senão um sorriso, pois será um dar genuíno, não esperamos nada em troca. E é maravilhoso receber de quem não estávamos nada à espera, por vezes até um desconhecido é quem mais nos surpreende!

Se conseguíssemos olhar verdadeiramente para as pessoas que nos estão mais próximas com esse tal olhar inocente de um desconhecido, com um olhar de quem não está à espera de nada e de quem não se sente obrigado a dar nada, cada gesto seria sentido com infinita gratidão e maravilha. Deixaríamos que o encanto das relações, a genuinidade do dar e receber, a autenticidade de se ser quem se é, aflorasse a cada momento de interação.

Dar simplesmente porque sim, porque nos faz bem, porque é inevitável quando se é feliz. Permitir-se receber porque se merece, porque nos faz sentir importantes, porque valoriza a nossa existência. E neste dar e receber faz-se uma caminhada juntos, onde ninguém vai mais à frente nem mais atrás, mas sim lado a lado, porque é juntos que chegaremos longe, o mais longe possível.

Porém, só é possível ir lado a lado quando ninguém se puxa, se empurra, se pendura, quando ninguém exige, pressiona, chantageia; só é possível ir lado a lado quando cada um caminha por si próprio, na alegria de não estar sozinho.
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Voar alto!

«A obrigação do homem é voar alto, mas sem nunca perder a linha de terra. Temos de ter as duas coisas ao mesmo tempo: ter um chãozinho em baixo, tão objetivo e tão nítido como se fosse um mapa em relevo, e ao mesmo tempo voarmos alto. Uma só das coisas não é humana.» – Agostinho da Silva

Sei, desde muito pequena, que a minha vocação sempre foi voar alto. E quando digo voar alto, não me refiro à vontade de concretizar grandes façanhas, alcançar notoriedade ou riqueza material. No meu íntimo, voar alto sempre significou ser o mais livre possível. Naturalmente, como acontece à maior parte de nós quando crescemos, perdi-me algures pelo caminho e a aguda consciência dessa desorientação acarretou crises existenciais fortíssimas. Levei anos a debater-me entre os ideais que nutria e o trilho contrário que percorria todos os dias, o da vida dita normal: o trabalho por conta de outrem (no qual raramente vi um sentido elevado, porque impera a lógica quase exclusiva do crescimento e do lucro), a rotina embrutecedora, as preocupações mesquinhas, a estúpida ansiedade do status (citando o livro do filósofo Alain de Botton). Tudo me calcava a alma em vez de elevá-la. Deixei de me reconhecer.

Até que um dia adoeci e me vi na cama de um hospital a lutar pela vida. Quando esse processo terminou — não ao fim dos dez meses de internamento e convalescença, mas quase três anos depois (porque a doença não foi a única contrariedade que a vida pôs no meu caminho) — eu tinha percebido o óbvio: até prova em contrário só tenho esta vida e ainda por cima pode ser bem mais curta do que imaginava. E então, sem descurar o “chãozinho”, percebi que tinha chegado o momento de aceitar de uma vez por todas aquela que tinha sido desde sempre a minha verdade: voar alto.

Apostei em novas aprendizagens artísticas, espirituais e desportivas; intensifiquei as leituras, a participação em eventos culturais e as viagens; abri-me aos outros como nunca antes o tinha feito e, mais recentemente, comecei a depurar o meu estilo de vida, policiando com rigor os meus hábitos de consumo. É que nestes dez anos compreendi também que quanto menos escrava for das tralhas que nos intoxicam, menos escrava serei do dinheiro e mais liberdade terei.

A volta ao mundo que fiz em 2014 foi um novo ponto de viragem. Passar seis meses limitada ao conteúdo de uma mochila que carreguei às costas, obrigou-me a viver com muito pouco e a comprar quase nada nos lugares por onde passei. As prioridades eram as deslocações, o alojamento e a alimentação. Para além disso, o meu orçamento estava limitado a dez mil Euros (embora seja possível gastar menos), portanto a concretização do projeto dependeu da boa vontade de muita gente em vários pontos do globo que me recebeu gratuitamente nas suas casas, que me alimentou e que me levou a passear. Esta viagem foi, por isso, um doutoramento na aprendizagem da solidariedade, da confiança e da abertura ao novo e à diferença. A volta ao mundo restabeleceu a minha fé na humanidade. E não só: fez-me ganhar coragem para abrir ainda mais as asas e alcançar outras alturas.

Quando comecei a escrever esta crónica estava em Matosinhos a fazer uma pausa entre dois trabalhos. Agora que a termino estou sentada à mesa de um café no Mindelo, em Cabo Verde, curiosamente o país onde terminou a grande viagem do ano passado. No momento em que era mais do que evidente que a minha vida precisava de uma reviravolta, chegou-me este convite de terras africanas. Vim ganhar metade do que ganhava em Portugal, deixei de ser livreira (uma profissão que adorei) para trabalhar na hotelaria e na restauração (uma área sobre a qual nada sei, estando tudo por aprender), abandonei o meu apartamento para partilhar uma casa, deixei a minha família e os meus amigos para investir numa nova rede de relações sociais e afetivas e troquei o meu país por um que mal conheço. Às vezes acho que enlouqueci.

“Se eu pudesse fazia o mesmo”. Das largas dezenas de pessoas a quem comuniquei a minha decisão ­— familiares, amigos, colegas de trabalho, conhecidos — foram raríssimas as que não me disseram isto. Se pudessem… E depois, o rol de razões pelas quais, supostamente, não podem: o marido, a mulher, os filhos, os pais, a escola, o trabalho, as prestações. Tudo razões aparentemente válidas. Ou serão apenas desculpas? Uma coisa vos digo: seja qual for a vossa verdade, resistam à exclusividade do “chãozinho”.

Abram asas e voem alto. Ainda que dê medo. Eu também tenho medo todos os dias.
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Lá fora, o mundo

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Como encontrar o trabalho perfeito. Este é o título de um pequeno livro que li há um par de anos e que embora não me tenha feito revelações bombásticas, sistematiza uma série de factos e ideias de uma forma que achei muito útil. A determinada altura o autor, Roman Krznaric, cita uma ex-engenheira aerospacial que abandonou a NASA para se dedicar ao planeamento urbano. Que reviravolta, não é? Do seu testemunho retive a seguinte frase, que sublinhei a lápis: “(…) o que me facilitou realmente o mudar de carreira foi que nunca me passou pela cabeça limitar-me a uma profissão. Há tantas áreas interessantes, por que razão haveríamos de nos limitar a uma só? Acho que toda a gente se devia despedir pelo menos uma vez na vida”.

Quando li este livro havia mais de um ano que questionava seriamente a minha vida profissional. De tudo, o que mais me angustiava era a certeza de que tinha deixado de aprender coisas realmente novas. E a par disso, a cultura da empresa não me deixava antever grandes possibilidades de progressão. Queria, portanto, mudar. Isso era certo. Mas para onde, para fazer o quê e em que moldes?

Quando exercemos durante muito tempo as mesmas funções num mesmo lugar sofremos de dois efeitos perniciosos: primeiro passamos a achar que não há mais onde trabalhar senão ali; depois julgamos que nunca mais seremos capazes de fazer outra coisa. Se a juntar a isto tivermos a sorte (ou o azar!) de integrar uma empresa sólida e estável, ficamos acomodados e, logo, tolhidos. Como diz um grande amigo meu, “o conforto pode ser uma coisa lixada!”.

Nesta fase da minha vida ter-me-ia dado jeito ler um outro pequeno livro — com o título Como mudar o mundo — onde o autor explica que um dia, para ter uma noção mais concreta das suas aptidões, elaborou uma lista com a sua “experiência profissional, incluindo também aquilo que havia feito apenas como passatempo, trabalho de férias e ainda tarefas desgastantes”. Ironicamente, li o livro e fiz minha lista há poucos dias, depois de me ter despedido pela terceira vez na vida. E confesso que o exercício contribuiu para aumentar bastante a minha autoestima.

Houve momentos em que me senti menor por nunca ter sido uma pessoa orientada para a construção de uma carreira. À minha volta há muita gente empenhada nisso, na carreira. Eu não estou e só há pouco tempo é que me apaziguei com esse facto. Com o facto de me ter deixado vogar ao sabor das oportunidades que surgem e das paixões que estas me espoletam.

Gosto de trabalhar, preciso de trabalhar para me sentir sã e válida e é através do trabalho que consigo duas das coisas que me são mais importantes: aprender continuamente e melhorar enquanto ser humano. Mas, embora trabalhe com brio e empenho até ao último dia, o trabalho nunca foi a minha prioridade. O trabalho é, no que me diz respeito, um meio que me permite alcançar outros fins. E para mim, os outros fins, os que verdadeiramente importam, têm estado sempre fora das quatro paredes de um escritório.

Não me arrependo de ter passado quase quinze anos na mesma empresa. Fui feliz no meu trabalho. E não só. Nesses quase quinze anos casei-me, fiz amigos para a vida, adoeci com uma leucemia, entrei em remissão graças a um autotransplante de medula óssea, divorciei-me, mudei de casa pela 13ª vez, intensifiquei o número de viagens, aprendi a fotografar, criei o Acordo Fotográfico, descobri o prazer da escrita e meti uma licença sem vencimento de seis meses para fazer uma volta ao mundo de mochila às costas.

Depois dessa grande viagem, alguns dos aspetos da minha rotina deixaram de fazer sentido. Como era de esperar, a forma como trabalhava e o estilo de vida que o trabalho implicava — picar o ponto e passar horas a fio entre quatro paredes, sentada na frente um computador — tornaram-se difíceis de suportar. No dia em que assinalei os seis meses do regresso a Portugal, resgatei da estante Projetar a Felicidade, o livro onde Paul Dolan afirma: “(…) enquanto poupar dinheiro para um dia que não chega é triste, desistir da felicidade agora para esperar a felicidade que nunca chega é verdadeiramente trágico”. Demiti-me um mês mais tarde.

Nos próximos textos é sobre tudo isto que quero refletir. Sobre as transformações, as mudanças, os rompimentos que nos permitem renascer e reinventarmo-nos, as viagens e os livros que nos abrem os horizontes, a família e os amigos que são os nossos pilares, os exemplos inspiradores que vêm dos outros e o mundo deslumbrante que, com todos os seus defeitos assustadores, espera por nós lá fora.
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Usufruir da vida terrena

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Sob o tema da felicidade, vimos na primeira lição deste filósofo da Grécia Antiga que devemos encontrar um equilíbrio entre o que temos e o que nos é possível alcançar; na segunda lição de Epicuro foi referida a importância dos amigos; surge agora a terceira lição que nos fala da aprendizagem como um dos grandes prazeres da vida. Aprender contribui para a nossa felicidade não só porque a aprendizagem é uma tarefa coletiva de permanente debate de ideias com os outros, mas porque a descoberta, o conhecimento e a compreensão dos fenómenos do mundo nos permitem tomar consciência do que há de maravilhoso e único na existência humana.

No entanto, a maior ameaça que paira sobre a felicidade do ser humano – mesmo daqueles que são ricos ou poderosos – é o medo da morte e o medo do sofrimento para além da morte. Sobre esta questão, Epicuro defende uma posição materialista de grande sensatez. Se é certo que devemos evitar qualquer tipo de dor, a morte em si mesma é algo que não sentimos porque deixamos de sentir no preciso momento em que ela acontece. Dito de outro modo, enquanto cá estamos, a morte não existe, quando a morte existe, já cá não estamos. Da mesma maneira, não nos devemos inquietar com o que nos acontece depois da nossa morte, uma vez que os humanos e os deuses coabitam em mundos distintos.

Depois de morrer, não temos de recear a ameaça dos deuses ou do que quer que seja, pois pura e simplesmente não existindo já nada existe. Assim como nada existia para nós antes de nascermos, nada existe depois de morrermos.

Por isso, a conclusão que se impõe é que devemos aproveitar a vida o melhor que pudermos, tirando partido de todos os pequenos prazeres que ela diariamente nos propicia.
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Um episódio de assédio sexual

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“Assédio sexual: conjunto de atos ou comportamentos, por parte de alguém em posição privilegiada, que ameaçam sexualmente outra pessoa.” – Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora

Em Março de 2016, quando comecei a preparar a minha primeira viagem ao Irão, pedi que me aceitassem como membro de um grupo no Facebook chamado “See You in Iran”. Fui rapidamente integrada na comunidade e estou muitíssimo grata por toda a ajuda que me tem sido providenciada através dos muitos contactos que tenho estabelecido por lá. Se as minhas duas viagens ao Irão foram um sucesso devo-o, em parte, à generosidade de todos os que compõem a comunidade “See You in Iran”, sejam eles iranianos ou de outras nacionalidades.

Este grupo — fundado em Agosto de 2015 e que caminha a passos largos para os 115 mil membros — tem como principais objectivos pôr em contacto a população local com viajantes que tencionam visitar ou já tenham visitado o país e, através da partilha de relatos livres de censura, desconstruir a injusta “iranofobia” ainda vigente. Porém, enganam-se aqueles que pensam que por lá se postam apenas fotografias de paisagens, monumentos, comida ou comentários simpáticos acerca dos amigos que se fizeram, da extrema afabilidade do povo iraniano ou do quanto as férias passadas no país foram perfeitas. Não, no “See You in Iran” também se discute política nacional (recentemente, postou-se sobre a eleição presidencial do passado dia 19 de Maio e a utilidade do voto nas condições em que é exercido), política internacional (desde as baboseiras do Trump à crise dos refugiados) ou a obrigatoriedade do uso do hijab, entre outros aspectos culturais, sociais e religiosos do país. Pode-se dizer que “See You in Iran” é um espaço de democracia virtual que não tem paralelo no Irão real.

Poucos dias depois de ter voltado da minha primeira viagem ao Irão (que correu lindamente e teria sido perfeita não tivesse eu sido detida e levada para uma esquadra em Teerão, uma história que contarei noutra ocasião), chegou-me, também via Facebook, o relato da viajante Alex Reynolds — uma jovem americana que anda a viajar pela Eurásia com o namorado holandês desde Fevereiro de 2016 — publicado num jornal online australiano, com o título “Iran wins the prize for high frequency harrassment”. No texto, Alex relata os múltiplos episódios de assédio sexual a que esteve sujeita durante a sua visita à antiga Pérsia, episódios que se sucederam a um ritmo nunca antes experimentado em qualquer outro país que tivesse visitado.

Dada a minha experiência inócua e sempre cordial com os homens iranianos, o testemunho de Alex surpreendeu-me. Tinha acabado de regressar a Portugal com a recordação de iranianos que não falavam comigo nem me olhavam nos olhos quando os abordava na rua para pedir indicações, que raramente me cumprimentavam apertando a mão (só mesmo os mais novos o ousam) ou que me cediam o lugar no metro mesmo que eu fosse sair na paragem seguinte. Tivesse eu, na altura, feito uma simples pesquisa com a expressão “sexual harassment” dentro do grupo “See You in Iran”, ou mesmo uma pesquisa no Google com as palavras “sexual harassment in Iran”, e teria percebido de imediato que o assunto era sério e tinha barbas. Ingenuamente, preferi ignorar a avalanche de reacções ao texto de Alex e pensar que ela tinha tido azar. Até ao dia em que voltei ao Irão e me aconteceu o mesmo.

Andava eu a passear sozinha no Jardim Dolat Abad — um exemplo máximo dos refinados jardins persas, que a UNESCO classificou como Património Mundial da Humanidade — quando, numa área mais remota, ainda que junto ao comprido tanque central do recinto, um grupo de cinco homens que estavam a trabalhar na limpeza do espaço me pediram, apontando para eles e dizendo apenas “foto?”, que lhes tirasse uma fotografia. Estavam todos sentados no chão, sobre uma manta, a fazer uma pausa para tomar chá. Não estranhei o pedido. Já me tinha sido feito dezenas de vezes por homens, mulheres e crianças quer nesta segunda visita ao Irão, quer na primeira viagem, há seis meses. Por isso acedi de boa vontade e tirei-lhes a fotografia. Agradeceram e ofereceram-me chá, que eu recusei com delicadeza. Um deles, que parecia ter funções de chefe e que vestia roupas mais finas, levantou-se e disse-me “selfie?” Outra vez nada de novo, já acontecera muitas, muitas vezes. Por isso, fiz a selfie com o meu telemóvel de boa vontade.

Foi então que o cavalheiro, que não falava uma palavra de inglês, começou a falar comigo em farsi. Apontava para ele e fazia um gesto que parecia indicar-me que se ia embora. Encolhi os ombros, abanei veementemente a cabeça e acompanhei os gesto com as palavras “Lamento, mas não entendo, não falo farsi” (em inglês), numa tentativa de deixar bem claro que não o entendia. Mas o senhor não desistiu. Continuou a falar e eu continuei a dizer que não entendia à medida que começava a afastar-me. Os outros, sentados no chão, riam-se e trocavam olhares cúmplices. Nesta fracção de segundos intuí que alguma coisa não estava bem. Até que o homem que tentava comunicar comigo, num esforço último para se fazer entender, se debruçou um pouco mais sobre mim, me olhou intensamente, apontou para ele, depois para mim, depois para longe e recorreu às duas mãos para fazer um gesto ordinário, universal e inequívoco. Foi então que entendi o que queria: estava a sugerir que fosse com ele para outro lugar para que nos envolvêssemos sexualmente. Primeiro fiquei incrédula e depois furiosa. Levantei a voz, fiz cara de nojo e chamei-lhe de tudo, em português e em inglês. A risota dos outros, em vez de parar, intensificou-se, o que achei insultuoso. Nisto aproximaram-se duas iranianas — com quem tinha tirado uma fotografia meia hora antes e que falavam um pouco de inglês — que me perguntaram o que se estava a passar. Contei-lhes o sucedido. Disseram qualquer coisa ao homem — a meia voz e de cabeça em baixo, sem o encarar —, que fugiu por entre os arbustos. Não voltei a vê-lo. Por fim, as senhoras pegaram num dos meus braços e sugeriram que continuasse a caminhar e os ignorasse. Foi o que fiz ao mesmo tempo que, ainda a tremer, apagava as fotografias do meu telemóvel. Mas não foi o suficiente para me recompor: o episódio (que embora tenha sido o mais grave, não foi o último) transtornou-me e demorei um par de dias a refazer-me.

No calor do momento, a experienciar um misto de nojo e desilusão, acedi ao grupo “See You in Iran” e postei o seguinte: “Segunda vez no Irão, primeiro episódio de assédio sexual”. A torrente de reacções e de comentários foi de tal ordem que os administradores do grupo tiveram de fechar o post a interacções. Mais tarde, já em Portugal, e por causa de todas as generalizações, conclusões, deduções e acusações infundadas que me fizeram, investi um par de horas a redigir um texto em inglês onde forneci detalhes sobre o sucedido e respondi, globalmente e na medida do possível, às centenas de comentários ao post anterior. Sobretudo porque queria deixar claro que muita gente tinha posto na minha boca palavras que jamais proferiria, me atribuíram ideias, valores atitudes que jamais adotaria e inferiram críticas sociais, políticas e religiosas que, de facto, não expressei. Regista-se nova torrente de reacções. Desta vez, os administradores do grupo, numa clara tomada de posição, recorrem também à conta do Twiter do “See You in Iran” para argumentar que o assédio sexual no contexto do turismo e das viagens não deve ser banalizado. “Dizer que acontece em todo o lado não é argumento. Grita e denuncia”, incentivaram eles.

A maior parte das pessoas que reagiram aos meus posts, iranianas ou não, lamentaram profundamente que eu tivesse vivido aquele triste episódio. Muitas quiseram saber se eu estava bem, ofereceram-me ajuda e até companhia caso eu ainda passasse pelas suas cidades e me sentisse vulnerável. Surpreendeu-me, em particular, a quantidade considerável de iranianas — a viver no país ou emigradas — que denunciaram também o constante assédio sexual a que são ou foram submetidas no Irão. Algumas turistas partilharam, ainda, experiências semelhantes à minha ou ainda piores.

Porém, o que foi verdadeiramente repugnante e quase me deixou mais chocada do que a atitude do homem que me assediou, foi constatar o elevado número de comentários misóginos, sexistas, machistas, ignorantes e desculpabilizantes vindos de homens e mulheres de todas as origens e faixas etárias. Para eles o assédio sexual não é assunto e que o releguem ao estatuto de ninharia, de coisa que nem sabem bem o que é, revolta-me até à mais ínfima partícula do meu corpo. A absoluta falta de empatia manifestada por esta gente chega a ser doentia. Deixo-vos aqui algumas das opiniões manifestadas:
“E então? Acontece em qualquer lugar do mundo / Só queres chamar a atenção / Que drama queen / És uma exagerada / Oh meu Deus! Como pudeste sobreviver a isso?! Chamaste uma ambulância? / Insultas e denigres o Irão em tempos sensíveis para o país / Lanças pânico injustificado / Assustas centenas de potenciais turistas / O método não funciona? É assim que tenho tentado arranjar uma namorada / Talvez o teu comportamento o tenho justificado / Como estavas vestida? / Achou-te bonita, qual é o problema? / Em São Paulo uma prima minha quase foi violada por um grupo de homens e não anda para aí a queixar-se / Apalparam-me as mamas na Tailândia e não me fui queixar no Facebook / Passei pelo mesmo no Camboja e não me queixo / Já passei por pior em dois anos na Rússia. Cresce! / Encara o assunto como um elogio pouco eloquente / Não podes culpar um país inteiro / Estás a reduzir a tua experiência no Irão a isto / Pelo menos o homem teve a decência de te pedir / Não tenho a certeza que isso seja assédio sexual / As feministas levam sempre este assunto demasiado longe / Por causa do teu post mais de vinte pessoas foram banidas do grupo / Foi a primeira vez que um homem pediu para ter relações sexuais contigo? / Fazes com que isto pareça um exclusivo do Irão. És tão ignorante! / Honestamente, acho que rir disto é mais proactivo e ajuda mais a pessoa a restabelecer-se do que ter pena dela / Pelo menos não foste violada nem morta.”

Sim, eu sei que o assédio sexual existe em qualquer parte do mundo. Não sou ingénua. Quando era adolescente fui sexualmente assediada por um colega na escola. A minha mãe teve de intervir. Bastou um telefonema para que a perseguição de meses terminasse. Está perdoado há muito, mas não está esquecido de forma nenhuma. E uma vez, enquanto caminhava na rua, um homem que se cruzou comigo no passeio apalpou-me o peito. Foi há mais de 30 anos e também não esqueci. Mas assim como nunca me passou pela cabeça deduzir que todos os homens portugueses são tarados por causa de uma mão cheia de más experiências, também o que vivi em Yazd não me permite concluir que todos os homens iranianos são uns pervertidos. Isso seria estúpido e injusto. E não me parece que estes sejam adjectivos que me assentem.
Não, nunca tinha sido sexualmente assediada fora do país. E já visitei mais de quarenta países em todos os continentes. A experiência mais próxima do assédio sexual que vivi foi em Goa, na Índia. Chegavam à praia excursões de indianos com o único propósito de fotografar e filmar com os telemóveis mulheres ocidentais em biquíni (sem pedir autorização, claro!) e às vezes aproximavam-se demasiado dos seus alvos. Honestamente, não foi coisa que me incomodasse por aí além, mas vi muitas turistas furiosas. Sempre que alguma mulher comenta comigo que tenciona passar uns dias na praia em Goa, partilho esta minha experiência. É o que passarei a fazer em relação ao que vivi no Irão.

O assédio sexual é, no meu entender, um assunto sério e grave em qualquer contexto. Não tenho a intenção de desvalorizá-lo. Denunciá-lo-ei sempre que me acontecer, aconteça onde acontecer. E incentivarei todos os que vivem experiências destas — mulheres ou homens — a fazê-lo também. Basta de fazer de conta que não ouvimos ou que não vimos. Basta de baixar os olhos e continuar a caminhar. É preciso gritar, denunciar e educar.

A maior parte de vós nunca me ouvirá falar de viva voz acerca do que sinto pelo Irão. Mas muitos de vós podem ler nestas crónicas ou nos textos que publico no Acordofotografico.com os meus sentimentos pelo país. Não posso negar um misto de emoções: se por um lado não digiro a teocracia, o patriarcado, a falta de liberdade e o rebaixamento generalizado das mulheres, por outro sinto-me fascinada pela história, pela milenar cultura persa e, acima de tudo, pelo povo ultra-acolhedor. Só isso justifica que me tenha arrepiado de novo, vezes sem conta, neste regresso, sempre que alguém me dizia na rua “Bem-vinda ao Irão!” Só isso explica que me tenha emocionado, grata, a cada gesto generoso de mulheres, homens e crianças. É por isso que digo com orgulho que tenho amigos iranianos. E é por isso defenderei sempre o povo iraniano e incentivarei as viagens ao Irão.

No que me diz respeito, a vontade de lá ir as vezes que quiser (desde que obtenha o visto…) não foi de todo beliscada. Antes pelo contrário. Não vejo a hora de voltar levando comigo a lição aprendida.
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Já refletiu sobre o seu tema pessoal?

tema

Segundo Panache Desai, autor que tem dado que falar junto de celebridades como Deepak Chopra, Oprah, entre outras, o caminho para nos conhecermos e alcançarmos o bem estar passa por diariamente refletir sobre um dos temas chave que nos propõe. Temas como: tristeza, culpa, harmonia, transparência, gratidão ou mesmo medo e vergonha, levarão a que consigamos ter contato com a nossa verdadeira essência como seres humanos.

No seu livro À Descoberta da Sua Assinatura de Alma, Panache Desai convida-nos a reflectir sobre os temas/fatores que nos influenciam e condicionam no dia-a-dia. Cada dia do mês podemos refletir sobre um tema. O objectivo é descobrir o que somos, independentemente do que nos rodeia e dos desafios que vivemos actualmente. No final, encontramos a assinatura da nossa alma, a nossa essência. Aquilo que somos e nos faz feliz.

Saiba mais sobre o livro AQUI.

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Você está presente na sua vida?

«Os seus filhos têm piano, futebol, aulas particulares. Você trabalha 45 horas (e mais algumas) por semana. Os seus amigos querem que você vá à festa em casa deles. Você coordena uma acção de caridade. Você cuida dos seus pais, dos seus compromissos, das suas finanças e da ida da família aos médicos. O seu carro precisa de ir à oficina. E a propósito, tem de pagar os impostos.

Onde quer que vamos, ouvimos que é hora de desligar, tomar um fôlego, e relaxar. Podemos até ouvir esse conselho. Mas a verdade é que as férias passam a voar, não temos tempo para nós e as nossas tentativas para meditar, orar ou simplesmente descansar passam para último plano. Estamos sempre a “apagar incêndios”. Nós achamos que podemos “fazer acontecer” o sucesso, o amor, a felicidade… Mas você está disposto a considerar que é esta nossa “ocupação” que nos impede de alcançar a verdadeira alegria e paz?

Você está preso no ciclo frenético de “fazer”? Constantemente ansioso, cansado fisicamente ou emocionalmente esgotada? É a sua agitada agenda a prejudicar seu desempenho no trabalho, com os seus filhos, na sua vida amorosa, nas suas amizades ou o mais importante a prejudicar a sua própria saúde e bem-estar?

Se assim for, você precisa perguntar a si mesmo: “Eu sinto-me presente na minha própria vida?” (…)

A nossa dependência da ocupação na verdade decorre do medo. Temos medo de perder algo, de sermos vistos como improdutivo, egoísta, preguiçoso, um mau pai, que não somos bons o suficiente ou, que sejamos ignorados e deixados para trás. Aqui está a verdade… Nós podemos permanecer perpetuamente em movimento para evitar os nossos sentimentos de indignidade. Se nos mantermos incrivelmente ocupados com as coisas pequenas, podemos adiar a pensar nos nossos verdadeiros problemas. A nossa “ocupação” dá-nos uma desculpa para escapar da responsabilidade de ser os nossos eus autênticos e de mudar a nossa vida.

O Divino habita em cada parte de sua experiência – até mesmo na sua ocupação. Você tem acesso a tudo o que você precisa em cada momento. Pare a corrida a confusão e a preocupação. Apenas respire. Tire um tempo para estar no momento presente a cada dia. Mesmo tarefas mundanas podem ser realizadas com plena consciência. Cozinhar o jantar com presença. Mudar a caixa de areia do gato com presença. Encher o depósito de combustível com presença. (…)

Deixe ir, esteja presente e deixe fluir a sua vida bela. Não há pressa. Você tem todo o tempo do mundo.»

Saiba mais sobre o livro AQUI .