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Pandemia ou Pandemónio?

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Sempre gostei do meu sossego, dos momentos em silêncio. Mas um silêncio forçado, passado pouco tempo, começa a incomodar. Há mais tempo para pensar em tudo, para dar voltas e voltas à cabeça com coisas que não interessam assim tanto.

Um início de quarentena cinzento em que as séries, os livros e os filmes fizeram passar o tempo rápido e disfarçadamente e o sono não vinha. Um medo instalado com incertezas, com a obrigatoriedade de nos mantermos longe de quem gostamos, a proibição da liberdade, de poder ir tomar um café, estar à beira mar, de poder ir passear o meu cão sem estar sempre a evitar pessoas.

Muitas destas coisas começaram a mexer com a minha cabeça e, instalou-se o pandemónio. Então como vou eu lidar com isto ?

É verdade, foi um início cinzento… mas depressa passou quando comecei a definir as minhas rotinas, os meus objetivos, voltar a fazer coisas que nunca teria tempo não trabalhando a partir de casa.

De volta à pintura, espalhar as tintas por todo o lado e dar uso à imaginação, a diferença é que antes não tinha um gato com 6 meses, portanto o meu Simba amarelo tigrado, passou a ser de todas as cores possíveis. Acho, ou aliás, tenho a certeza que esta quarentena infinita foi mais fácil com a companhia deste pestinha, mesmo que não me deixe trabalhar e goste de se deitar em cima do computador, espalhar as folhas, entre muitas outras asneiras, fez-me (e faz) muita companhia.

Assim como o meu cão Tobias que ficou mais feliz com esta quarentena do que se possa imaginar, um cão mimado que adora os seus passeios no campo. E claro que se ele já passeava muito agora fazia passeios aventureiros a descobrir caminhos e paisagens incríveis nesta aldeia que fica, como diz a minha avó, “atrás do Sol posto”.

Ahh! Claro que também tentei fazer pão e bolos, mas não há barriguinha que aguente ! E aprender croché com a avó? Que desgraça… nem uma almofada, nem um pano saiu dali. Também foi engraçado redecorar a zona de trabalho, já que iria passar mais tempo ali, dar animo à coisa, mas colar papel de parede não é muito divertido sozinha (muito menos com um gato…). 

E quando os dias passam e não se vê um fim para isto, começa a saudade… a saudade de brincar com os sobrinhos e das conversas da mana, o café com os amigos aos fim-de-semana, a saudade do abraço do namorado, que por mais chamadas de video que façamos, a distância sobrepõe-se. E as saudades de dançar…

De entrar naquele salão, calçar os sapatos, ouvir a música e simplesmente dançar. Começámos a reinventar a fazer treinos online. Sem contacto, obviamente, com os pares e com muita falta de espaço, mas a melhor sensação de todo este tempo foi voltar a calçar os sapatos, dançar num corredor minúsculo e ouvir aqueles gritos amorosos do treinador “estiquem as pernas, estiquem os braços, não olhem para o chão…”. Voltámos aos pés feios, aos músculos doridos (obrigada Ricardo ahah), mas com o coração cheio e a mente descansada. E tenho de agradecer a paciência infinita dos meus pais que, com muito amor, lhes peço para mover toda a mobília, todos os dias de treinos, os expulso da sala e fecho a porta para poder dançar durante duas horas.

Não era preciso uma pandemia para me lembrar da importância que é estar com as pessoas importantes para mim. Não era preciso um corte obrigatório de liberdade para me lembrar do quanto gosto de passear de mão dada à beira-mar. Não era preciso uma restrição de proximidade social para saber o quanto gosto de estar no café com os meus amigos ao fim-de-semana a falar de tudo e de nada. Não era preciso restrição do toque para saber o quão importante a dança é para mim e para a minha sanidade mental. Não era preciso ficar obrigatoriamente em casa para me lembrar de mimar sempre o Simba e o Tobias.

Tudo isto não era preciso, mas foi necessário e por mais que tudo isto pareça agora um pandemónio, a verdade é que deu para valorizar ainda mais momentos simples, como ler um livro à varanda, com o sol na cara e o ar puro da aldeia. 

Agora a Self. A Editora Self é relativamente nova na minha vida e tem sido uma boa surpresa. Não só a nível laboral como a nível pessoal.

E muitos livros me passam rapidamente pelas mãos, mas há um que se destacou pela curiosidade que eu tinha de desmistificar algumas coisas em relação à alimentação. O Paradoxo da Longevidade. Um livro que nos ajuda a perceber as coisas maioritariamente simples que podemos fazer para viver uma vida mais saudável, não só viver mais, mas também melhor.

Também gosto muito de livros de ficção e, apesar de ainda não ter lido todos os livros desta trilogia, Magia de Papel, Magia de Vidro e Magia de Mestre, são livros que despertam a minha curiosidade por causa do meu gosto pessoal. Gosto pela aventura o mistério, mesmo que seja mais sombrio ou bizarro, são livros que recomendo para quem tenha um gosto mais de fantasia e ficção como eu.

Beatriz Vieira

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A Pandemia dentro da minha cabeça

ana santos

O despertador toca. É cedo e arranjo-me o mais rapidamente possível para começar a trabalhar. Marido já saiu; o rapaz mais velho está acordado, mas ainda na cama a ler algum Asterix ou Lucky Luke. Aquele momento de relax antes de o dia começar em força, com trabalhos que vão até às 18h ou mais, dependendo das tarefas. Comemos juntos e ambos começamos o dia cada um na sua mesa até o rapaz mais novo acordar. Quer mimos e ronha, mas durante a semana não dá e isso ele já aprendeu. Daí a um bocado também ele estará a ver a professora e os colegas por Zoom um bocado. Tem 5 anos e para ele isto no fundo são férias. Está nas suas sete quintas, mas fica contrariado quando percebe que são horas de fazer trabalhos. No geral vê TV, joga jogos, brinca uns bocadinhos aos legos, faz fichas e desenhos que a professora pede. Confesso que engulo alguma irritação quando tenho de insistir ou quase subornar para eles os fazer. Não é fácil fazê-lo entender que agora o dia a dia é diferente. Quase igual mas bem diferente.

O mais velho varia entre momentos de êxtase quando fala com os amigos por skype ou quando acaba finalmente as tarefas desse dia, e os momentos em que está em desânimo puro. Trabalhos a mais, horas infindas ao computador, pressão, sem pausas praticamente a não ser a do almoço. Mas tenho um orgulho tremendo no meu rapazolas. Tem-se aguentado bem no geral e na última semana senti-lhe uma autonomia que nunca tinha tido. Tem 9 anos, está mais confiante e já usa a plataforma que a escola designou como ninguém. Download e upload são com ele agora.

Às vezes quero ir à rua e gritar. Às vezes vou… mas não grito. Respiro fundo várias vezes e fico uns minutos parada ao sol, se ele estiver lá. De preferência sozinha. Geralmente isto acontece quando vou por o lixo… Antes tinha pânico de ir ao supermercado e ficar contaminada. Ainda tenho. Mas agora preparo-me bem e vou a sítios onde vejo que tem menos gente. Esses são os meus momentos “sozinha”. Sem horas para trabalhar, sem horas para dar de almoçar ou lanchar, ou o que seja, sem horas para tirar dúvidas, sem horas para os outros.

Sinto-me bipolar. Tenho dias zen e positivos, e de repente tudo muda e toda eu sou sombras e negatividade. Por vezes isto muda numa questão de horas, é curioso. Tenho saudades de sair e de ir comer a um restaurante. De ir onde me apetece sem medos. Dos pequenos luxos que tinha e que, bolas… são tão bons (mas isso eu sempre o soube, simplesmente agora acuso o toque da ausência). Depois caio em mim e mais uma vez lembro-me de todos os que que por várias razões não podem dormir em casa por estes dias. Dos que estão a morrer porque tiveram azar de contrair um vírus que o corpo não consegue combater. Que morrem afogados em pulmões a falhar lentamente. Oiço tantas histórias e penso mais uma vez que sou uma sortuda. Não estamos doentes cá em casa e não estamos sozinhos. Estamos bem. Mas penso na minha restante família, mãe, pai, etc. Todos cada um em sua casa, sozinhos, a tentar arranjar maneiras de passar o tempo, de a solidão não os engolir. Faço os telefonemas ou vídeochamadas que posso, às vezes levo compras.

Já estão longe os primeiros dias de quarentena, onde nem respirava tal era a ansiedade. Tinha receio e incertezas do que aí vinha. Agora aprendi a lidar com esses sentimentos. A controlar-me. Passe o que passar, desde que tenhamos saúde cá nos aguentaremos (aquele cliché tão verdadeiro). 

Não tenho feito exercício (mas devia!), a não ser aquele que partilho com os miúdos, das aulas de ginástica que a escola vai dando.

Não tenho feito as 1001 receitas espetaculares que me enviam por WhatsApp a toda a hora, dos 5 queques preferidos pelos miúdos às 10 maneiras mais divertidas de fazer parecer a comida mais apetitosa, passando pelas 5 vitaminas mais importantes que devemos ingerir neste tempo de pandemia….

E já mencionei que nunca fiz as “20 melhores actividades para fazer com miúdos em tempos de quarentena”?

Também não tenho tido paciência para me sentar e refletir no tempo em família, ou em todas as teorias zen que circulam sobre os efeitos da pandemia no mundo. Isso irrita-me. Pronto. Deve ser o meu mau feitio… Então quando chegam mensagens zen e de gratidão reencaminhadas… (por WhatsApp… o que mais poderia ser??? – confesso que já começo a ter uma relação amor / ódio com o WhatsApp, essa coisa vil que nos mete disponíveis a toda a hora e que vamos lendo obrigatoriamente mesmo quando as mensagens não são para nós).

Não analiso o “tempo de família feliz e unida em casa” que nos querem vender, nem penso se estamos juntos mais tempo agora. A realidade é o que é. Não estamos de férias, nem com uma existência relaxada. Estamos obrigados a estar em casa, vamos ser obrigados a andar sempre com cuidados especiais daqui para a frente (máscaras, etc e tal), vamos andar na rua e em espaços fechados com medo. Temos de trabalhar e ao mesmo tempo zelar pela escola dos nossos filhos, pela sanidade mental deles e da nossa, temos de gerir finanças agora bem mais apertadas.

Confesso que às vezes quando acordo, mal posso esperar para que chegue a noite e o momento em que finalmente me sento no sofá, com os miúdos já a dormir. Finalmente aconchego-me na minha cara metade e aligeiramos um bocado a cabeça, a rir com alguma coisa parva ou a ver uma série ou filme. É nesses momentos em que esqueço um bocado esta realidade esquizofrénica que andamos a viver. 

Depois, antes de me deitar, faço o meu ritual de sempre: vou ao quarto dos miúdos, vejo se estão bem, tapo-os, dou aqueles beijinhos ou carinhos que embora eles não sintam, acredito que de algum modo o corpo lhes faz por transmitir o profundo amor que lhes tenho. Pergunto-me se hoje o mais novo irá acordar a meio da noite a pedir para ir para a nossa cama. Se vou dormir (ou melhor: não dormir ahahaha) aconchegada aquele corpinho quente e fofo que só sossega quando me dá a mão. Olho para aquelas carinhas inocentes e doces a dormirem, e acho que a vida no fundo só me tem dado coisas boas especialmente com esta família que construí. E não preciso de pandemias ou de dias infindos enclausurados em casa por obrigação, para me lembrar disso.

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Agora quanto à Self: eu e a editora temos uma relação profunda há muitos anos. Conheço de cor todos os seus livros, e claro… tenho alguns preferidos. Sou o tipo de leitora que adora boas histórias e há um livro que sempre adorei “Os Jantares das Terças”. Um romance com foco na amizade entre mulheres, na lealdade, e na vida em geral; mas que basicamente reflete o fascinante que é a interacção humana, com todos os encontros e desencontros entre as pessoas, encantos e desencantos. E debruça-se sobre o fascinante Caminho de Santiago, um percurso que sempre tive muita curiosidade em fazer. Quem sabe um dia!

Outro livro mais recente e que tenho adorado ler: o “Como Fazer Acontecer”, um livro escrito por um coach que é um brilhante contador de histórias, um livro que nos inspira e nos faz querer lutar pelos nossos sonhos. Em que cada história nos faz refletir sobre determinadas atitudes que temos na vida e como podemos melhorar. É muito motivador. 

Aconselho os dois! Prometo que não se vão desiludir 🙂

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O meu filho vai para o ensino superior e agora? (2ª parte)

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O meu filho vai para o ensino superior e agora? (2ª parte)

Na primeira parte deste artigo pudemos reflectir sobre vários tópicos: mais opções académicas, mudança do mercado de trabalho e profissões, conceito de carreira, perfil dos alunos e as competências para 2020.

Há ainda outro tópico que não foi abordado: muitos dos recrutadores nas empresas e até professores já são da geração millennials, ou seja, a forma de recrutar colaboradores e até de leccionar está a sofrer significativas alterações. É mais um factor a ter em conta e de reflexão sobre as alterações nesta área.

Hoje vamos incidir na parte prática. Para compreender e ajudar os jovens deixo as seguintes estratégias:

  • Pesquisar e conhecer mais sobre a Geração Z e iGen, estas teorias ajudam-nos a perceber melhor como funciona esta nova geração, logo poderemos dar melhores respostas;
  • Fomentar a curiosidade, autonomia e prática, será através destas três características que os jovens irão desenvolver as competências reveladas pelo Fórum Economico Mundial;
  • Para desenvolver soft skills, uma das melhores experiências, é o voluntariado ou estar envolvido em trabalho associativo. Dê o exemplo e vivam este desafio em conjunto;
  • Não pressionar pois tornar-se-á mais um critério de peso nesta tomada de decisão;
  • Estimular positivamente a consciencialização para o tema colocando-se no lugar do jovem;
  • Pergunte-se: se hoje tivesse que ingressar no ensino superior, com o novo leque de opções, com vista numa possível profissão, como seria o meu processo de tomada de decisão?
  • Mostrar-se genuinamente interessado e disponível para desenhar, em conjunto, várias soluções, partilhando as suas dúvidas e exemplos práticos no trabalho;
  • Quando necessitarem de um elemento externo para levantar novos pontos de vista recorrer a um acompanhamento profissional.

Estamos a viver uma transição desafiante e o papel de todos é relevante pois, esta geração que ingressa no ensino superior e mercado de trabalho, terá grandes desafios. Se os millennials fazem a ponte entre a geração anterior e a seguinte, é a Geração Z que estará encarregue de integrar todas as novas práticas e inovações na nossa sociedade.

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O meu filho vai para o ensino superior e agora? (1ª parte)

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O meu filho vai para o ensino superior e agora?

Nestes últimos meses, várias famílias têm procurado os meus serviços de coaching para ajudar os seus filhos a responder às seguintes questões: vou continuar a estudar? Que área e curso devo escolher? Como estará o mercado de trabalho quando terminar a minha formação?

É, sem dúvida, um momento fulcral e delicado, não só pelo caminho futuro a seguir como pelas sucessivas alterações nas opções académicas e de profissões.

Acredito que existem vários olhares sobre esta questão, começando por analisar a diferença entre o conceito de carreira há 10 anos atrás e actualmente. Antigamente, um dos critérios mais importante nesta escolha era a segurança do trabalho futuro, a ideia global era: tirar a formação, começar a estagiar e ser promovido ao longo dos anos, sempre no mesmo local. Hoje, muitos jovens são atraídos pelas experiências no local de trabalho e não pela segurança, logo, é natural que se imaginem em diversos locais a experimentar projectos e sensações diferentes.

Como consequência deste aspecto acredito que os perfis dos alunos se dividirão em dois: o aluno que quer aprofundar conhecimentos e prática na sua área de trabalho (p.e. investigadores) e o aluno que quer experimentar diversas áreas e funções (p.e. empreendedores). Assim sendo, consoante o seu perfil teremos duas opções principais:

Aluno especialista – seguir um percurso académico em instituições de renome com resultados extraordinários (saber-saber).

Aluno generalista – percorrer um percurso académico/ de formação onde se capacite com várias competências e ferramentas, impactando profissionalmente e no saber-ser/saber-fazer.

Segundo o Fórum Económico Mundial, estas são as 10 competências, que todos os profissionais devem desenvolver:

  1. Resolução de problemas complexos;
  2. Pensamento crítico;
  3. Criatividade;
  4. Gestão de Pessoas;
  5. Coordenação;
  6. Inteligência Emocional;
  7. Capacidade de julgamento e de tomada de decisão;
  8. Orientação para servir;
  9. Negociação;
  10. Flexibilidade cognitiva.

Qual é o meu papel enquanto responsável e como posso ajudar? Sugiro que faça uma reflexão aprofundada sobre os tópicos apresentados e partilhe as suas conclusões com o jovem em fase de transição. Pode ser um começo para introduzir as estratégias apresentadas no próximo artigo.

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O caminho da Parentalidade Consciente

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E se olhasses para o teu filho de uma perspetiva diferente?

Quando praticamos Parentalidade Consciente não olhamos para o comportamento das crianças como algo a corrigir, olhamos para o comportamento como algo a entender, pois este é apenas expressão das suas necessidades. Se entendermos o comportamento podemos atuar fazendo as mudanças que acharmos necessárias (sejam elas relacionadas connosco ou com a criança ou com ambos). Quando não estamos habituados a esse processo de reflexão, pode ser desafiante, mas é sem duvida recompensador.

Quando seguimos este caminho acreditamos que uma boa educação acontece via relações saudáveis com amor incondicional e não através da correção do comportamento. Reagimos às necessidades dos nossos filhos, procuramos compreendê-las, o que não quer dizer que satisfazemos todos os seus pedidos. Necessidades e desejos são diferentes. Quando seguimos este caminho estamos focados no desenvolvimento de uma autoestima saudável (a nossa e do nosso filho).

Parentalidade Consciente

A Parentalidade consciente é tanto sobre os nossos filhos como sobre nós, pais. É sobre o percurso que fazemos para nos desenvolvermos também enquanto pessoas. É uma verdadeira jornada de autoconhecimento, assim queiramos aceitar o desafio. Tentamos ser os melhores pais para os nossos filhos e sentimos, a maioria de nós, amor incondicional por eles. Não é por falta de amor que impomos as nossas vontades mas sim por falta de consciência.

Se estivermos atentos à nossa própria inconsciência e ao nosso próprio comportamento, muitas vezes no reflexo que os nossos filhos nos devolvem, podemos sim integrar a mudança. Esta começa tendo consciência das nossas intenções enquanto pais e, estando preparado para refletir sobre a forma como os nossos hábitos e padrões de comportamentos estão alinhados com essa intenção. E acredito que temos em nós o potencial e as ferramentas necessárias para criar uma maior harmonia familiar.

Paz interior e filosofia de vida

Digo muitas vezes que conhecer a Parentalidade consciente me trouxe uma grande paz interior. Percebi que não há certos nem errados, mas há um caminho baseado na consciência das escolhas que fazemos e do impacto que isso tem nos nossos filhos; percebi que o que interessa é mesmo a qualidade da relação pois com uma relação genuína, autentica e profunda as soluções aparecem; percebi que são as nossas intenções que nos guiam e em função dessas posso validar a minha forma de agir; percebi que tenho sempre escolhas, tudo depende da relação que quero ter comigo e, no meu caso, com as minhas filhas.

Esta forma de estar na parentalidade, torna-se uma filosofia de vida pois baseia-se na tomada de consciência de que são os nossos hábitos enquanto pais o ponto de partida para criar relações fortes e saudáveis com as crianças. E essa relação forte e saudável deve ser o nosso objetivo. Seja connosco mesmos, com os nosso filhos ou em qualquer outra relação.

Praticar os valores base da PC é fomentar relações saudáveis : Praticar o Igual valor, Autenticidade,  Respeito pela integridade e Responsabilidade pessoal são valores base das relações humanas.

“Ser pai consciente é mais sobre desaprender preconceitos do que aprender conceitos. É um deixar ir de tudo aquilo que não serve a nossa intenção como pais, um desaprender de tudo que não promove relações saudáveis baseadas no amor incondicional e tudo aquilo que não ajuda os nossos filhos a crescer e prosperar emocionalmente.” – Mikaela Ovén (Academia de Parentalidade Consciente)

 

Por : Fátima Gouveia e Silva (Coach e Facilitadora de Parentalidade consciente)

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Transitar ou transitar? Não há questão.

transitar
Vamos pensar sobre: Transições de ciclos escolares e académicos.

O regresso às aulas é um período muito peculiar, afecta não só os estudantes como todo o núcleo familiar. Nesta dinâmica há uma questão que não costuma ser abordada e que muitas famílias, em particular as mães, me têm pedido apoio – na gestão da transição de ciclo.

Tenham em mente as principais transições: 4º para 5º ano | 9º para 10º ano | 12º ano para ensino superior. À parte da adaptação que costuma acontecer em todos os anos lectivos, há a integração noutra realidade: nova escola, professores diferentes, mais disciplinas, horários mirabolantes e escolha de área de estudos.

Se as crianças e adolescentes da vossa família estão a passar por esta fase, aconselho um conjunto de estratégias que os meus coachees foram implementando e que podem ser usadas em simultâneo ou adaptadas ao contexto, a ideia é experimentar e perceber o que resulta na dinâmica familiar.

Estratégias

Incluir o estudante na escolha da escola: as questões logísticas, por vezes, falam mais alto e algumas famílias esquecem-se de consultar as crianças/adolescentes nesta fase. Apresentem as opções e façam a escolha em conjunto. Se não há um leque diverso de possibilidades, pesquisem a escola e apresentem-na ao seu futuro aluno e quem sabe fazer um tour em família.

Alinhar expectativas: antes da escola começar, num ambiente diferente, abordem a questão da transição de ciclo e entendam as principais expectativas, receios e objectivos do aluno. Tenham uma conversa sincera sobre estes temas e podem recorrer às vossas experiências pessoais para partilhar perspectivas.

Envolvimento na vida escolar: andamos tão assoberbados, num ciclo sem fim de tarefas que é provável que nos esqueçamos do básico. Não é necessário fazer-se diariamente, mas com alguma regularidade é relevante perguntar: Como correu o teu dia? Tens novidades? Precisas da minha ajuda em alguma tarefa? Tão essencial como este envolvimento é o exemplo dos responsáveis, partilhem como correu o vosso dia e mostrem interesse genuíno. Back to basics.

Registo dos desafios: um diário é uma enorme ajuda para as crianças e adolescentes. Tem a vantagem de praticarem a sua escrita e mais importante: podem descrever os seus dias, analisá-los e colocar os seus desafios em perspectiva.

Estas estratégias podem ser muito dinâmicas e criativas. Encontrem jogos, ambientes ou formas originais de as colocarem em acção. Farão parte do vosso plano “ano lectivo fantástico” e irão também potenciar momentos de união e partilha familiar.

Desejo um óptimo ano lectivo!

 

(este artigo rege-se pelo antigo acordo ortográfico)

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A máquina de rotulagem

rótulos

Vamos pensar sobre: alunos e rótulos escolares.

É fácil e até natural atribuir rótulos às pessoas. Desde pequenos que nos ensinam a rotular as pessoas e situações como forma de protecção. Sabemos que a pessoa com aquelas características especificas com o rótulo “x” pode ser um grande perigo ou a nossa salvação.

Compreende-se então a existência destes “post-its imaginários” quando serve o propósito de nos proteger. E quando começam a limitar e bloquear as nossas interacções?

É desta forma que olho para o sistema escolar actual: cheio de limitações.
Será possível (e justo) os alunos, com características tão diferentes sejam avaliados da mesma forma?
Será possível (e justo) que escolas com critérios tão dispares sejam comparados?
Serão os resultados das avaliações sinónimo das competências reais (saber ser | saber estar | saber fazer) dos nossos jovens?

Avaliações/rankings – As questões anteriores não conduzem à resposta: não deve existir avaliação. Acredito e defendo que as avaliações permitem às escolas e comunidade escolar uma melhoria contínua mas, o sistema agora imposto e os critérios associados farão sentido?

Perfis – Outro tópico pertinente que nos ajuda nesta análise. Há o novo perfil do aluno, medida que afirma as diferenças de geração e a necessidade de desenvolver novas competências. Não será expectável que esta mudança ocorra transversalmente no corpo docente, comunidade escolar e sistema de ensino? Haverá um novo perfil do professor e do corpo não docente?

Geração Z – Esta é a nova geração de jovens, posterior à geração Y – millennials. O facto de os especialistas explicarem que há uma ruptura de geração, espelha os novos comportamentos e competências desenvolvidos. Nesta sequência, questiono se fará sentido o sistema escolar abrir as suas portas a metodologias mais diversificadas como acontece na Escola da Ponte ou na Escola de Carcavelos. Os casos anteriores são exemplo das boas práticas já implementadas em Portugal, onde os alunos são convidados a explorar diferentes formas aprendizagem e os seus talentos são reconhecidos e desenvolvidos.

Em vez de atribuir rótulos ou desenvolver métodos burocratizados para avaliação escolar, é importante direcionar os recursos para criar uma Escola menos julgadora e formatada, fomentando uma Escola potenciadora dos talentos dos nossos jovens.

Qual é o nosso papel? Dar ferramentas aos jovens para que possam tomar decisões informadas sobre o seu percurso académico e valorizar as suas competências e vocações. Assim teremos uma geração mais consciente que não viverá para encaixar nos rótulos, uma geração activa e criativa, potenciadora de novos talentos.

(este artigo rege-se pelo antigo acordo ortográfico)

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Adultos 2.0

adultos

Vamos pensar sobre: jovens adultos e o seu primeiro emprego.

Está claro que a nova geração é diferente. Falam de tecnologia, viagens e de desapego. E como será a sua entrada no mercado de trabalho?

Recentemente, num encontro sobre resiliência, uma das oradoras apresentava números alarmantes dos jovens que se demitem do seu primeiro emprego. Como chegámos até aqui?

Pensemos em conjunto:

Valores: há uma diferença significativa nos valores base entre gerações. Especialistas e estudiosos da área, abordam este gap acentuado entre gerações como uma “ruptura”. Podemos ainda analisar a postura e a capacidade de tomada de decisão destes jovens perante problemas quotidianos, há quem denomine como imaturidade, eu vejo como uma resposta diferente com as skills e condições que têm.

Soft Skills: como referido, os jovens adultos têm várias competências tecnológicas desenvolvidas, mas registra-se um decréscimo nas competências relacionais e de gestão pessoal e profissional. Fiquemos com a referência, dada por gestores, da sua dificuldade em lidar com a frustração.

Ofertas formativas: Temos óptimos exemplos de boas práticas e inovação em Portugal, mas o seu ritmo não acompanha a mudança dos jovens. É necessário reavaliar as estratégias de educação/formação e capacitar os estudantes/formandos com soft skills.

Mercado de trabalho: também aqui, há uma notória transformação. A forma como os jovens encaram termos como “carreira” ou “emprego” dá-nos a percepção clara da mudança de mindset profissional. Por outro lado, o mercado de trabalho sofreu restruturações que alteraram a forma como recebem os jovens trabalhadores, as condições oferecidas.

Depois desta reflexão fica a pergunta: qual é o meu papel na inclusão sustentável dos jovens no mercado de trabalho? Enquanto familiar e/ou profissional devo aprofundar as causas das mudanças e acompanhar/capacitar estes jovens para que possam desenvolver os seus talentos e potencial, facilitando a sua contribuição para o mercado de trabalho como todas as novas possibilidades que trarão.

Assim, teremos profissionais de excelência mas mais importante, teremos pessoas realizadas a viver o seu propósito de vida.

(este artigo rege-se pelo antigo acordo ortográfico)

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Lado a lado. Ou frente a frente.

lado

As relações que vivemos ao longo da vida vão marcando e moldando a nossa visão do mundo, vão alterando o nosso modo de pensar e de sentir. Não paramos de sofrer transformações, nada em nós é imutável. Resta saber se a mudança que advém de relações vividas vai no sentido de murcharmos cada vez mais ou, pelo contrário, florescermos e sentirmos que somos cada vez mais felizes, apesar da dor sentida no passado. Dor e prazer, tristeza e alegria, medo e entusiasmo… são tudo elementos presentes numa relação amorosa. Rejeitar o que nos fez sofrer é abdicar do que nos enriqueceu e fez de nós o que somos hoje.

Quando se tem uma desilusão amorosa há uma tristeza que transparece no olhar de quem acreditou e, mais uma vez, sente ter falhado. Acreditámos, entregámo-nos, lutámos, insistimos até perdermos as forças e admitirmos que toda a energia investida não passou de uma ilusão. E com a desilusão vem a tristeza, vem o vazio, vem o sofrimento de mais uma morte. Já nada será igual. A nossa planta murchou. Não morreu, mas deixou de viver. Sobrevive no meio do caos da vida. Sobrevive até encontrar outro alguém que vê a nossa beleza – ainda que murcha – alguém que nos dá água e alimento e nos faz acreditar que temos forças para florescer de novo. Até voltarmos a perder esse nutrimento e murcharmos mais uma vez.

O ciclo repete-se. Num determinado ponto deste percurso repetitivo, passamos a desacreditar que é possível outra coisa além de sobreviver apenas. Com o passar dos anos, quando alguém nos volta a ver, a coragem para nos entregarmos é diminuta. Agarramo-nos à crença de que a única forma de proteger e salvaguardar o que ainda resta de nós é assumir que o único lugar seguro é a solidão e o vazio. Aí já ninguém nos magoa, estamos a sós connosco próprios. Não vivemos a entusiasmante surpresa da vida que nos faz voar e tocar nas estrelas, mas também não vivemos a angustiante imprevisibilidade que nos faz precipitar a pique. Mas será que uma relação amorosa é esperar que alguém nos salve, nos nutra, cuide de nós, nos leve às estrelas e nos largue bem lá em cima?

Dar sentido a cada experiência vivida, aprender com cada momento de leveza e de tensão, aceder às dificuldades que existem no nosso interior para cuidarmos delas, potenciar as nossas forças e voar cada vez mais alto em liberdade, lado a lado com alguém, ou frente a frente, não será isso muito mais nutridor? As relações fazem parte das aventuras da existência para nos conhecermos, para contactarmos as nossas feridas que gritam por atenção, para percebermos quais são os nossos medos e tratarmos deles. Enquanto não o fizermos, iremos depositar no outro o poder de fazer isso por nós. E quando depositamos no outro essa responsabilidade, ficamos à mercê do seu ritmo e da sua dedicação.

Quando finalmente percebemos esse nosso mecanismo de esperar do outro uma tarefa que nos cabe a nós fazer, então convencemo-nos de que a vida não é voar e cair continuamente. Não pode ser. Mas cuidar de nós é extremamente difícil, não aprendemos a fazê-lo. Então, uma primeira reação será encolhermo-nos ainda mais e, sem darmos por isso, lá estamos nós outra vez a renunciar à vida. Murchamos por ter e perder, murchamos por não ter. Que paradoxo! Qual a lógica disto tudo?

Quando ganhamos a coragem de olhar para nós próprios, ouvindo os nossos medos e necessidades, dando-lhes o devido valor e aceitar que fazem parte de nós e que são indispensáveis ao nosso percurso de desenvolvimento, então ganhamos também a capacidade de os mostrar, não para que o outro cuide deles, mas para que o outro os veja e valide a sua vontade de estar connosco na mesma, de fazer parte da nossa vida. Lado a lado, ou frente a frente.

O amor incondicional é amar sem condições, sem exigências, sem pedidos. É ter a capacidade de olhar e de ver o outro, de se mostrar, de caminhar juntos no que a vida tem de complexo e de simples. Passamos a ser companheiros de viagem, durante a qual assistimos orgulhosamente ao florescimento do outro. Mas para isso temos de sentir que aprendemos com as experiências passadas. Aprender implica alargar a consciência, reconhecer que o que vivemos foi fundamental para o nosso presente e sentir gratidão por essa vivência. Aprendemos o suficiente para chegarmos onde estamos hoje. Precisávamos desse suficiente para chegarmos onde estamos hoje.

Com esta certeza, olhamos para trás e sentimos que tudo valeu a pena e que agora estamos mais preparados do que nunca para voar até às estrelas com alguém a nosso lado. Ou frente a frente.
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As crianças e a tecnologia

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Para o melhor e para o pior, a era digital é hoje uma realidade irreversível. Numa sociedade cada vez mais dependente da tecnologia, é fundamental gerir o tempo que as nossas crianças estão em contacto com dispositivos digitais.

Hoje, acredita-se que a tecnologia e os gadgets são essenciais para o desenvolvimento de uma criança, mas até que ponto? Quanto tempo deve uma criança passar em frente de um ecrã é uma questão colocada não só por pais preocupados, mas também por psicólogos, organizações de saúde e até governos.

A forma como minimizamos os riscos e efeitos nocivos fruto de uma utilização excessiva é fundamental para conseguirmos que as crianças cresçam de forma saudável, neste contexto.

De acordo com dados do COSI Portugal 2016 (Childhood Obesity Surveillance Initiative – Iniciativa de Vigilância da Obesidade Infantil), 80% de 6.048 crianças do 1º Ciclo que participaram no estudo, passam 1 ou mais horas por dia (durante a semana)a utilizar um computador em jogos eletrónicos. Esta percentagem aumenta para 98,2% quando olhamos somente para o fim de semana. (ver estudo aqui).

Se este indicador é analisado devido ao seu impacto na atividade física e consequente obesidade infantil, a verdade é que hoje surgem cada vez mais estudos sobre outros efeitos nocivos dos dispositivos digitais, em casos de exposição excessiva. As crianças desconectam-se da vida real e se por um lado, esta desconexão é mais palpável durante a adolescência, a verdade é que é nos anos pré-escolares e 1º ciclo que estes dispositivos mais afectam o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social das crianças.

Sono

O impacto da qualidade/duração do sono no crescimento e o bem-estar da criança tem sido amplamente estudado. O sono é fundamental para a saúde, desenvolvimento, cognição e comportamento da criança. Vários estudos concluíram que um sono pobre está associado a problemas comportamentais e emocionais na infância e na adolescência. A má qualidade do sono é altamente prevalecente em crianças com problemas comportamentais ou emocionais, como ansiedade, depressão ou transtorno de défice de atenção/hiperatividade (TDAH). A fraca qualidade do sono, por sua vez, também pode comprometer o funcionamento mental e físico.

Num estudo publicado em Outubro 2017 pelo Global Pediatric Health verificou-se a relação entre a utilização de dispositivos electrónicos antes de dormir e a quantidade/qualidade do sono da criança, a sua capacidade de concentração e o índice de massa corporal.

tecnologiaO estudo concluiu que há uma relação significativa entre a utilização de dispositivos electrónicos antes de dormir (ver vídeos, jogar jogos, ver televisão) e o número de horas de sono e dificuldade em adormecer. Crianças que jogavam jogos ou viam videos na hora de ir dormir, tinham maior dificuldade em adormecer e dormiam menos horas. Por outro lado, estas crianças apresentavam maior cansaço de manhã,  ou seja, a qualidade do seu sono era pior do que as crianças que não estavam expostas a dispositivos electrónicos, antes de dormir.

A luz dos dispositivos digitais é “rica em ondas curtas”, por isso tem uma maior concentração de luz azul do que a luz natural – e a luz azul afeta os níveis da melatonina hormona indutora do sono mais do que qualquer outro tipo de onda.

No estudo verificou-se que as crianças que estão mais tempo a ver televisão, jogos electrónicos, vídeos, telemóveis apresentam maior distracção.

Crianças que passam algum tempo a ler por exemplo, demonstram maior capacidade de concentração, atenção intensa e sustentada, imaginação e memória. A proliferação da televisão alterou essa atenção, com estímulos visuais intensos, atenção fragmentada e pouca necessidade de imaginação.

Desenvolvimento e Crescimento

Movimento, toque, conexão humana e ligação à natureza são factores necessários para um desenvolvimento equilibrado e saudável da criança, em termos físicos, psicológicos, emocionais e sociais. Estes estímulos sensoriais promovem o desenvolvimento adequado da postura, coordenação bilateral, auto-regulação das emoções, valências importantes para no crescimento da criança e sua adaptação à escola, por exemplo.

A estimulação tactil através do toque, abraço e jogos são fundamentais, estimulando o sistema nervoso parassimpático que controla os níveis de cortisol,  adrenalina e ansiedade.

Uma análise mais profunda mostra que, se por um lado, valências sociais, emocionais , expressão oral são menos desenvolvidos, em contraste, os dispositivos electrónicos são excessivos nos estímulos visuais e auditivos. Este desequilíbrio sensorial provoca enormes problemas no desenvolvimento neurológico, com efeitos anatómicos e químicos permanentes.

Uma criança exposta a um nível de violência desadequado para a sua idade, na televisão ou jogos, estará num estado elevado de adrenalina e stress. Embora os efeitos a longo prazo desse estado crónico de stress na criança em desenvolvimento sejam desconhecidos, sabemos que o stress crónico em adultos resulta num sistema imunológico enfraquecido e  numa variedade de doenças e distúrbios graves.

Dependência

Como outros vícios, o tempo de exposição a estes dispositivos cria alterações significativas na química do cérebro – principalmente, na libertação da dopamina. Este neurotransmissor – também conhecido como o químico do prazer – tem um papel central desde a dependência do açúcar até à da cocaína.  A dopamina é produzida quando vemos algo interessante ou novo, mas também tem uma segunda função. No entanto, a dopamina é também o neuroquímico envolvido na maioria dos vícios – é o químico da recompensa.

Em Silicon Valley, local sede de várias empresas tecnológicas,
os pais estão a criar os seus filhos, controlando a sua exposição a
este tipo de dispositivos e isto deveria ser um alerta para todos nós.

Personalidades como Steve Jobs (Apple), Bill Gates (Microsoft), Tim Cook (Apple) ou Vijay Koduri (Google), tinham já em várias entrevistas afirmado que controlam e restringem a utilização de dispositivos móveis, video jogos, acesso à internet, dos seus filhos.

No entanto, num estudo realizado em 2017 pela  Silicon Valley Community Foundation feito a  907 pais que trabalham nestas empresas tecnológicas em Silicon Valley, veio mostrar que apesar de confiarem nos benefícios destas tecnologias, muitos estão preocupados com o seu impacto no desenvolvimento psicológico e social dos seus filhos.

Vários empregados destas empresas vêem a publico criticar o foco que estas empresas têm em criar produtos tecnologócios altamente viciantes.

Estas empresas sabem que quanto mais cedo captarem as crianças e jovens
mais facilmente serão dependentes da sua plataforma
e produtos para toda a vida
Vijay Koduri

Em 2007, Bill Gates, estabeleceu um limite de tempo máximo de utilização quando a sua filha começou a desenvolver um comportamento dependente de um video jogo. Mais tarde, tornou-se política familiar não permitir que as crianças tivessem os seus próprios telefones até completarem 14 anos.

Steve Jobs, revelou numa entrevista no New York Times em 2011 que proibiu os seus filhos de usar o iPad recém-lançado na altura. “Nós limitamos a quantidade de tecnologia que nossos filhos usam em casa”.

Muitos pais do referido estudo disseram que sua melhor defesa contra o vício em tecnologia é introduzir atividades de substituição ou encontrar maneiras de usar a tecnologia de forma mais produtiva. Quando as secas da Califórnia apagaram o quintal de Koduri, ele encheu o lote com cimento e construiu um campo de basquetebol, que os seus dois filhos e amigos usam.

Quando Amy Pressman (fundadora da empresa de software  Medallia) notou que a sua filha se interessava por computadores, os dois inscreveram-se para aprender a programar juntos.

Esses pais esperam poder ensinar os seus filhos a entrar na vida adulta sabendo como usar – e, em certos casos, evitar – tecnologia.