Entre o isolamento e o medo

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Estamos a viver um momento muito particular no qual muito se tem falado sobre medo e a necessidade de nos isolarmos socialmente. Tanto um como outro são carregados de significados e de desafios. Somos seres sociais e o isolamento pode ser um desafio enorme na saúde psicoemocional e física. Fechados entre quatro paredes, podemos facilmente perder o ânimo e a energia. Desta forma é importante olhar para este tema de uma forma terapêutica e fomentar que é possível fazer algo que limite esta sensação.

O medo e a ansiedade são filhos destes cenários e para quem já tem um historial de ansiedade na sua vida, não é fácil. Também a psicoterapia pode ajudar não só quem já tinha uma predisposição para a ansiedade como também quem está a sentir maiores dificuldades neste momento. Têm sido escritas muitas notícias, conselhos, mezinhas, ideias… E quando a informação é demais, também traz ansiedade. Por isso compilei algumas ideias simples para levarem convosco para estes dias e para estes dois temas.

Ansiedade:

– Regulem o acesso à informação. É importante mantermo-nos informados, mas escolham meios de comunicação fidedignos, com “fact-check” e privilegiem sempre a consulta dos sites da DGS e da OMS. Demasiada informação e factos contraditórios fazem espalhar o medo, por isso, para além de regularem a vossa informação, pensem também no efeito que tem nos outros e antes de partilharem algo nas redes sociais confirmem a sua veracidade. Se têm dúvidas, não partilhem.

– Num cenário de desafio considerem a consulta de um psicoterapeuta. O psicoterapeuta é um profissional que pode ajudar a criar estratégias para gerir a ansiedade. Caso não se queiram deslocar é possível efetuar consultas online.

– A meditação e uma respiração calma e consciente são ferramentas que ajudam a atenuar a ansiedade. Hoje em dia existem muitas meditações online, guiadas, com imagens ou música. Basta escolherem a que vos faz mais sentido.

Isolamento social:

– Mesmo estando em casa, sozinhos ou em família, é importante manter alguma rotina, nomeadamente na higiene, sono e vestuário. Sim, estão em casa, mas é importante levantar e vestir, dando a indicação ao corpo de que é outro dia.

– Também é importante que se movimentem pela casa, na medida do possível. O sedentarismo é inimigo da saúde física, mas também da saúde psicoemocional.

– Mantenham o contacto. Pode não ser possível combinar aquele almoço de família, mas façam videochamadas, liguem para pessoas com quem não falam há algum tempo, escrevam um e-mail a alguém. Hoje em dia, com as novas tecnologias é possível estar em contacto e isso é fundamental. Procurem manter o contacto com quem precisa e está sozinho. Lembrem-se que podem ter a casa cheia, mas pode haver um amigo ou familiar que esteja sozinho.

– É importante respirar um pouco do ar da rua e quem tem um jardim tem essa parte facilitada. Para quem tem um apartamento, usem a varanda ou abram uma janela. Mesmo que seja na cidade e não seja um ar “puro”, respirar esse ar fresco vai ajudar o corpo a combater a ideia de fechamento.

– Ler, ler, ler! Um livro é uma companhia. Aproveitem para diminuir aquela pilha de livros que querem ler desde a adolescência e que tem vindo a aumentar. Escolham livros de acordo com o vosso sentir. Se estão a tentar gerir muita coisa, será melhor optar por um livro leve.

– Para quem tem crianças o desafio eleva-se. Mas existem muitas ideias online de como entreter as crianças dentro de casa. Façam essa pesquisa, existem muitas brincadeiras que podem inventar dentro de casa.

– Tal como com a leitura procurem algo que vá para além da simples ocupação do tempo e que seja construtivo: procurem cursos online, pintem livros de colorir (podem imprimir), aprendam crochet através de vídeos online… Existem inúmeras possibilidades e podem sempre pedir ideias a alguém, procurar na internet ou dar ideias a quem precise.

Também isto passará, mantenham-se unidos e cuidem da vossa higiene mental e emocional!

Foto de Benoît Mouilla em Unsplash

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