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O que o Mindfulness trouxe à minha vida?

Mindulness
Mindfulness

Ouvi pela primeira vez falar de Mindfulness em 2015, com a Mikaela Övén. Na altura fez muito sentido para mim e quis descobrir mais, quis perceber o que isso me ajudaria no meu dia-a-dia, nos meus desafios pessoais.

Em 2012 tinha sido diagnosticada com artrite reumatóide. Mesmo após ter iniciado a cura natural com foco numa alimentação ancestral e estar a ter resultados promissores, eu continuava a debater-me com crises de dor de tempo a tempo, com falta de motivação e de energia o que me levava a boicotar o que sabia ser bom para mim.

Conceitos como plena consciência, aceitação, não julgamento e confiança começaram a fazer parte da minha rotina e ajudaram-me a ver a minha vida noutra perspetiva: no MOMENTO PRESENTE.

O Mindfulness é uma prática que tem as suas origens no budismo. Nas culturas orientais são praticadas diversas formas de meditação para alcançar um estado de relaxamento. O Mindfulness é uma forma de meditação que foi adaptada no Ocidente para potencializar estados de relaxamento e ajudar a resolver problemas de ansiedade, stress e depressão. Em 1979, começou a ser utilizado de forma terapêutica pelo Dr. Jon Kabat-Zinn e pelos seus colegas na Clínica de Redução de Stress da Universidade de Massachussets, através do programa MBSR (Mindfulness-Based Stress Reduction).

O Mindfulness pode ser considerado um estilo de vida que nos remete para a observação consciente do momento presente sem julgamentos e com compaixão levando-nos a estarmos conscientes do que se passa no nosso corpo, na nossa mente, nos nossos pensamentos e nas nossas emoções. Convida-nos a sair do modo piloto automático com que encaramos muitas vezes as nossas tarefas, os nossos compromissos e as nossas responsabilidades e a passar para o modo SER, onde ganhamos maior consciência de quem somos.

Ao integrar o Mindfulness, aprendemos a direcionar intencionalmente a nossa mente para o momento presente e explorá-lo com abertura, seja ele um momento que consideramos bom ou mau, ao desenvolver uma atitude de tolerância e de paciência permitindo-nos assim sentirmos menos frustração e expetativa, sentimentos que estão na base da ansiedade e do stress.

A Minha Experiência

Nunca pensei ser tão poderoso e possibilitador eu abraçar desta forma o momento presente. Ao estar mais atenta a mim, dei por mim a repetir padrões de pensamentos e de comportamentos que me angustiavam, me tiravam energia e me limitavam nas minhas escolhas. Eu estava presa a momentos do meu passado e sentia-me ansiosa relativamente ao que estava para vir… E essa ansiedade, essa frustração tinham um impacto direto na minha saúde física e as dores surgiam… Mente e corpo estão de facto interligados e precisam de apoio mútuo para criar harmonia e permitir um bem-estar geral.

Apesar do Mindfulness convidar à meditação, esta não foi no início a solução para mim, pois a minha necessidade de perfeccionismo impediu-me de desfrutar do que a meditação tinha para me ensinar. O que realmente mudou a minha forma de encarar a vida e os meus desafios foram as atitudes de Mindfulness: Não-julgamento, Paciência, Mente de principiante, Confiança, Não-esforço, Aceitação, Deixar ir.

Estes conceitos tiraram-me da minha zona de conforto, permitiram-me questionar-me e estar mais atenta e consciente relativamente ao que se passava dentro de mim.
* Por que razão eu me julgo tanto? Por que razão eu sou a minha pior crítica?
* Por que razão a minha paciência se esgota rapidamente com o meu marido, com o meu filho?
* O que me leva a achar que eu já sei tudo de mim, do meu companheiro, do meu filho, dos meus colegas de trabalho, da vida?
* Por que razão eu duvido tanto de mim e das minhas capacidades?
* Por que razão eu me sinto tão cansada ao fim do dia?
* Por que razão eu não aceito a minha doença e as alterações que ela tem trazido à minha vida?
* Por que razão eu fico agarrada a coisas que eu não posso mudar, que estão fora do meu controlo?

Perguntas como estas surgiram após eu me ter entregue às atitudes do Mindfulness. E ter tido a oportunidade de me conceder diariamente um tempo para mim, para eu refletir, para eu me perceber fez toda a diferença na minha vida e no meu equilíbrio pessoal e físico. E as respostas começaram a surgir…

* Eu julgava-me por me achar insuficiente, por achar que os outros eram melhores, sabiam melhor.
* Eu era impaciente porque era a forma que eu tinha encontrado para controlar o incontrolável, para assumir um papel que me dava um poder, apesar de ilusório.
* Eu encarava-me a mim e às minhas relações à luz de histórias passadas, de crenças que eu trazia acerca de mim ou de outra pessoa, sem permitir que agora fosse diferente.
* Eu duvidava de mim porque eu não tinha aprendido a cuidar da minha auto-estima ao longo da minha vida, eu não tinha aprendido a estar lá para mim nos momentos mais desafiantes.
* Eu sentia-me cansada pois eu vivia num mundo repleto de “tenho de fazer isto”, “tenho de fazer aquilo”, “tenho, tenho, tenho” sem nunca me permitir um simples “quero fazer isto”.
* Eu não aceitava a minha doença pois tinha-me tirado a dança, tinha-me tirado momentos com o meu filho enquanto bebé, tirava-me objetivos que eu tinha para mim para o futuro.
* Eu não deixava ir porque isso me permitia manter-me numa certa zona de conforto, enquanto eu não deixava ir, também não teria de me preocupar com o que poderia vir a seguir pois eu ainda não estava pronta.

Foi revelador… e continua ainda hoje a sê-lo. Abraçar o Mindfulness não é algo que nos mude de um dia para outro, que nos transforma e nos torna melhores assim de repente, é algo sim que nos convida a conhecermo-nos melhor todos os dias, a conhecermos melhor o outro, a ter maior consciência relativamente às nossas escolhas e aos nossos comportamentos, a saborear melhor o momento presente, independentemente da situação e dos desafios, porque o momento presente… é na verdade a única coisa que nós temos como realmente garantida…

Ao sermos mindful, criamos um momento de pausa, uma abertura relativamente às coisas tal como elas são, à experiência no seu todo e deixamos ir as nossas crenças e os nossos pensamentos sem nos agarrarmos a eles, sem permitirmos que eles tomem conta de nós…


“Não fique no passado, não sonhe com o futuro,
concentre sua mente no momento presente.”
– Buda

Autora:
Elisabete Dias
Parentalidade e Relações Conscientes

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Descomplicar as mudanças

mudançasMudanças são inevitáveis! Grandes ou pequenas. Às vezes queremos que as coisas mudem na nossa vida, mas o medo atrapalha. Daí à resistência à mudança é um passo e daqui ao conflito interno é um outro passo, segue-se o bloqueio e a insatisfação. Temos muitos sonhos, desejos, ambições e aspirações mas tudo isso implica algum risco. Queremos a mudança sem mexer muito com a nossa segurança. Queremos a mudança mas com garantia, mas a Vida não tem Seguro. Adoro uma frase de Helen Keller: “A Vida é uma aventura audaciosa, ou não é nada. A segurança é geralmente uma superstição, ela não existe na Natureza.”

Às vezes queremos as coisas fáceis, fáceis, sem termos que nos implicar, evitando participar activamente no processo de mudança. Queremos uma vida melhor ou uma outra vida, com mais sentido, mais sumarenta, seja viver um outro amor, novas amizades, um novo trabalho, uma outra casa, uma outra cidade ou até um outro país e por aí vai. A dificuldade em abraçar a mudança começa em nós, na nossa percepção negativa ou pessimista. Espera-se o pior, enrolados numa espiral descendente, a nossa imaginação transporta-nos para os cenários mais fantasmagóricos, frequentemente pouco prováveis e assim, e medo agiganta-se, gera ansiedade, paralisa, e o mais grave, tira-nos a clareza mental para as soluções e encontrar o melhor curso de acção. Sim, devemos ser cuidadosos e prudentes, observar e analisar as possibilidades, mas não obstinadamente cautelosos.

mudançasA atitude face à mudança revela, proporcionalmente, a nossa própria facilidade/dificuldade em mudarmos aspectos de nós mesmos, desenvolvermos novas atitudes. Outro grande obstáculo à mudança baseado na insegurança é o excesso de controlo. Fechados na nossa mente, num rodopio mental, revisamos e analisamos os mínimos detalhes numa pré-ocupação e perfeccionismo desconcertante e desgastante levando, por vezes, a uma perda de energia vital.

Porque mudar é preciso? Porque é a essência da Natureza e da vida humana. Somos naturalmente equipados para a mudança mas nós atrapalhamos um mecanismo que é inato. Mudar, mais do que um desejo é uma necessidade. Atingir novas realizações, vivenciar outras experiências dão-nos um sentido de propósito, de vitalidade.

O sentimento de auto-realização, contentamento e bem-estar pessoal, objectivos da alma humana, só possíveis de atingir quando estamos dispostos a explorar todas as possibilidades desta grande aventura que é a vida.

Shivai