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O que é a dieta Paleolítica? por Robb Wolf

O que é a dieta Paleolítica?

A dieta Paleolítica é a forma mais saudável de se alimentar porque é a ÚNICA abordagem nutricional que funciona em conjunto com a nossa genética para ajudar a manter-nos magros, fortes e cheios de energia! Pesquisas em Biologia, Bioquímica, Oftalmologia, Dermatologia e muitas outras disciplinas indicam que a nossa dieta moderna, rica em comidas refinadas, gorduras trans e açúcar, é a raiz de doenças degenerativas como a obesidade, o cancro, a diabetes, as doenças do coração, o mal de Parkinson, a doença de Alzheimer, a depressão e a infertilidade. – Robb Wolf

Construir uma Dieta Paleolítica saudável

Proteínas magras
Proteínas magras sustentam músculos fortes, ossos saudáveis e um sistema imunológico ideal. A proteína também nos mantém satisfeitos durante as refeições.

Frutas e vegetais
Frutas e vegetais são ricos em antioxidantes, vitaminas, minerais e fitonutrientes que já provaram diminuir a probabilidade de desenvolver um número de doenças degenerativas incluindo cancro, diabetes e declínio cerebral.

Gorduras saudáveis de nozes, sementes, abacate, azeite, óleo de peixe e carne de animais de pastoreio
Pesquisas científicas e estudos epidemiológicos mostram que dietas ricas em gorduras monoinsaturadas e ômega-3 reduzem drasticamente os casos de obesidade, cancro, diabetes, doenças do coração e declínio cognitivo.

A gordura saturada tem sido demonizada pelas autoridades de saúde e pela comunicação social. Qual é a base para essa posição contra a gordura saturada? As recomendações atuais para uma quantidade de gordura saturada TÃO baixa são justificáveis? Quanto de gordura saturada (e que tipos) uma pessoa deve ingerir? Sem uma perspectiva histórica e científica, essas questões são quase impossíveis de responder.

Uma das maiores divergências da nossa dieta ancestral é a quantidade e os tipos de gordura encontrados em animais modernos que comem grãos versus a quantidade e os tipos de gordura encontrados em animais de pastoreio e animais, aves e peixes selvagens. O que nós observamos é que a carne de animais selvagens (de caça) é notavelmente magra e tem uma baixa quantidade de gordura saturada, ao mesmo tempo que fornece quantidades significativas de gorduras ómega-3 como EPA e DHA. Neste artigo, o Prof. Cordain e sua equipa analisam o perfil completo de ácidos gordos de várias espécies de veados e alces selvagens. A conclusão principal é que a carne de animais alimentados com pasto (animais criados livres) é muito mais saudável do que a carne convencional: A análise de ácidos gordos de tecidos de ruminantes selvagens: implicações revolucionárias para a redução de doenças crónicas relacionadas com a dieta.

Benefícios de uma Dieta Paleolítica para a saúde
Para a maioria das pessoas, o facto de a dieta Paleolítica oferecer melhores resultados, basta. A melhoria dos lípidios no sangue, perda de peso e a redução de dor em doenças autoimunes é prova suficiente. Contudo, muitas pessoas não gostam de seguir recomendações cegamente, sejam elas relativas à nutrição ou a exercícios físicos. Algumas pessoas gostam de saber o PORQUÊ. Felizmente, a dieta Paleolítica aguentou não só o teste do tempo, mas também os rigores da investigação científica.

paleo

A sério?! Os nossos ancestrais viveram uma vida curta e difícil. A Dieta Paleolítica não faz sentido.
O conceito Paleolítico é novo para a maioria das pessoas e essa novidade pode despertar muitas questões. Gostamos que as pessoas não só leiam e se eduquem sobre esse assunto mas também que “comecem e façam”. Experiência é, talvez, a melhor forma de aprender e geralmente esclarece qualquer dúvida.

Funciona para diabetes?
Uma ótima pergunta a se fazer é “A dieta Paleolítica funciona?” Vários estudos mostram que em diabéticos tipo 2, a dieta paleolítica REVERTEU os sinais e sintomas de resistência à insulina.

Doença cardiovascular
De acordo com a CDC, a doença cardiovascular é a causa número um de mortes nos Estados Unidos. Curiosamente, os nossos ancestrais paleolíticos e os caçadores-coletores estudados nos dias atuais praticamente não mostraram sinal de ataque cardíaco ou de derrame cerebral.

Auto imunidade
Auto imunidade é um processo no qual o nosso próprio sistema imunológico “nos ataca”. Normalmente, o sistema imunológico protege-nos de infecções bacterianas, virais e parasitárias. O sistema imunológico identifica um invasor estrangeiro, ataca-o e, idealmente, combate a infecção. Uma boa analogia para auto imunidade é o caso da rejeição de tecidos depois de uma doação de órgãos. Se alguém precisa de um coração novo, pulmão, rim ou fígado devido a uma doença ou lesão, o órgão de um dador pode ser uma opção. O primeiro passo do processo é tentar encontrar um tecido “compatível”. Todos nós temos moléculas nos nossos tecidos que são usados pelo nosso sistema imunológico para distinguir os nossos tecidos dos outros.

Se um órgão doado não é parecido o suficiente com o tipo de tecido do beneficiário, o sistema imunológico irá atacar e destruir o órgão. Em auto imunidade, um processo parecido ocorre quando o próprio tecido de um indivíduo é confundido como algo de fora e o sistema imunológico ataca esse tecido que não foi “reconhecido”. Formas comuns de auto imunidade incluem esclerose múltipla, artrite reumatóide, lúpus e vitiligo (perda gradual da pigmentação da pele), só para citar uma pequena fracção das doenças auto imunes. É possível que elementos de auto imunidade afectem condições aparentemente não relacionadas como esquizofrenia, infertilidade e várias formas de cancro.

Curiosamente, todas essas doenças aparentemente não relacionadas partilham uma causa comum: dano ao revestimento intestinal que permite partículas grandes de alimentos não digeridas entrarem no corpo. Isso é conhecido como “intestino permeável e a resposta autoimune”. Aqui você encontra uma série de vídeos com 7 partes pelo Prof. Loren Cordain descrevendo a etiologia da esclerose múltipla. E, por favor, veja este vídeo TED talk by Dr. Terry Wahls, MD em que ela descreve como reverteu a sua esclerose múltipla com a dieta Paleolítica. Se você tem uma doença autoimune, você deveria considerar o protocolo autoimune da dieta Paleolítica.

(adaptado do artigo: https://robbwolf.com/e-dieta-paleolitica/)

Robb Wolf é o autor do nosso livro: Programados para Comer. Saiba mais aqui. Ou consulte o livro aqui.

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Inflamação do nosso corpo: o que é, causas e efeitos

Inflamação

Hoje sabe-se que a inflamação do nosso corpo está entre as causas para algumas das doenças mais comuns na sociedade ocidental. O que é a inflamação do nosso corpo, quais as causas, consequências e quais os alimentos anti-inflamatórios são alguns dos temas que vamos abordar nos próximo artigos.

Antigamente quando se falava em alimentos, o objectivo era emagrecer, melhorar a imagem do nosso corpo, ou ter uma alimentação correcta à luz da Roda dos Alimentos. Hoje nutrição é saúde. Sabe-se mais sobre as características e nutrientes de cada alimento, os seus efeitos colaterais e começa-se a desmistificar algumas crenças enraizadas na sociedade atual.

O que é a inflamação no nosso corpo?

A inflamação é uma reacção do nosso sistema imunitário. O nosso sistema imunitário reage sempre que identifica uma ameaça ao nosso corpo: uma bactéria, vírus, químicos ou células danificadas. É o seu processo de cura. É este processo que faz com que o nosso corpo seja capaz de ultrapassar uma gripe ou de fazer a cicatrização de uma ferida. Quando por exemplo, batemos com a perna na esquina da mesa, despoleta-se um processo bioquímico que liberta as Citocinas, proteínas que irão regular a resposta do nosso corpo, e reunir hormonas e nutrientes do nosso corpo necessários para “reparar” os tecidos danificados.

Há dois tipos de inflamação: aguda ou crónica. Elas diferem em questões como a sua duração ou que a originou.

Inflamação Aguda

A inflamação aguda é a reacção do nosso sistema imunitário e o seu processo de cura face a ameaças como as referidas anteriormente: uma bactéria, um vírus, um corte que fizemos na pele, uma parte dorida do corpo fruto de uma queda. Normalmente é uma reacção imediata e intensa mas temporária e os seus efeitos demoram no máximo alguns dias a passar.

Inflamação crónica

A inflamação crónica é um processo prolongado no tempo, pode durar meses ou até anos.  Surge quando o sistema imunitário não consegue eliminar a ameaça, quando sofremos de doenças autoimunes, quando estamos expostos a algum químico, em doses muito baixas. Asma, Sinusite crónica, Osteoartrite e Artrite reumatóide, Úlceras, Doença de Crohn e Doença Inflamatória Intestinal são algumas das doenças cujo um dos efeitos é a inflamação.

No entanto, há outros fatores que influenciam a inflamação prolongada do nosso corpo: o stress, uma alimentação desequilibrada ou desadequada (por exemplo, se formos intolerantes a algum alimento ou comermos muitos alimentos que causam inflamação), o excesso de peso, a falta de exercício, a poluição, fumar ou o consumo excessivo de álcool.

Possíveis consequências da Inflamação crónica

A investigação sobre os seus efeitos está longe de estar terminada mas há já alguns riscos que médicos e cientistas sabem estar relacionados com a Inflamação crónica.

Riscos Cardiovasculares

Um estudo da Universidade de Standford concluiu que as doenças coronárias estão relacionadas com genes associados à inflamação do organismo. Por outro lado, a inflamação leva  a que o corpo procure reparar os vasos sanguíneos inflamados e é nesta conjugação e processo bioquímico que por vezes se formam coágulos e lesões coronárias.

Diabetes

Já vários estudos concluíram que doentes com Diabetes tipo 2 tinham também níveis de Citocinas elevados. Conclusão: excesso de gordura corporal, especialmente no abdómen é sinal de inflamação crónica e esta desregula os indicadores de insulina, aumenta a resistência à insulina e leva à doença. Torna-se um ciclo vicioso. O corpo torna-se menos sensível à insulina, o que pode levar a excesso de peso e aumento da inflamação crónica.

Ossos

A inflamação crónica pode levar à perda de massa óssea, uma vez que interfere na regeneração dos tecidos ósseos e diminui a capacidade de absorção de nutrientes importantes para a saúde óssea como o cálcio e a vitamina D.

Depressão

Médicos e cientistas ainda não conseguiram identificar a relação directa entre a Inflamação crónica e a depressão, mas alguns estudos já concluíram que pessoas que sofrem de depressão apresentam um nível de inflamação no cérebro cerca de 30% superior do que pessoas que não sofrem desta doença. Por outro lado a Inflamação crónica está relacionado com sintomas como perda de apetite, tristeza ou dificuldades em dormir.

Vários estudos ainda verificaram que pessoas com acne, psoríase, problemas de sono, dificuldade em perder peso apresentavam também níveis de inflamação superiores à média. Não se conseguiu concluir que é a causa mas que é um factor comum.

Nos próximos artigos iremos falar sobre como diminuir o nível de inflamação do nosso corpo, que tipo de alimentos aumentam o nível de inflamação do nosso corpo e quais os alimentos Anti-inflamatórios.

 

Principais Fontes:

https://www.livescience.com/52344-inflammation.html

https://www.medicalnewstoday.com/articles/248423.php#what-is-inflammation?

https://www.prevention.com/health/signs-chronic-inflammation

http://www.health.com/health/gallery/0,,20898778,00.html#it-damages-bones–0

 

 

 

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A casa, está na cabeça ou no coração?

casa

Quando era miúda e vivia em França, às portas de Paris, tinha uma vizinha chamada Fabienne, pouco mais velha que eu, que habitava um apartamento no último andar do prédio. Fabienne dispunha de duas coisas que eu queria um dia ter também: um cão e um terraço.

O cão acabou por surgir na minha vida, aliás na vida da minha família, por essa altura, na forma de um rafeiro nascido de uma história bonita. A mãe era o bicho de estimação de um casal luso-francês, uma boxer que gostava de vinho do Porto; o pai, um perdigueiro resgatado na ponte 25 de Abril pelo mesmo casal, durante umas férias em Portugal. Chamaram-lhe Tejo. E nós chamámos Tobby ao nosso rafeiro, um nome nem luso, nem francês.

Já o outro sonho teve de esperar muito mais para se materializar. Esperou quase trinta anos. Quis a vida — sempre irónica, sempre a dar com uma mão quando tira com a outra —, que o sonho se concretizasse na pior fase de todas, a do meu divórcio. Foi por isso uma alegria encontrar tão rapidamente este pequeno T1 com terraço. Soube de imediato que era aqui que queria viver, sobretudo depois da antiga proprietária me ter confidenciado, de barriga proeminente, que aqui tinha sido muito feliz.

O que eu não sabia é que a minha condição de ex-doente oncológica me arrastaria para longos meses de batalhas com bancos e seguradoras para fazer valer direitos que o Estado me atribuía para a compra de habitação própria e dos quais nunca quis abdicar, apesar das sugestões asquerosas de algumas entidades bancárias: mentir ou sonegar informação acerca da minha condição clínica às seguradoras que, espantem-se!, lhes pertenciam.

Valeu-me o advogado que trabalhou pro bono no meu caso e a ajuda de uma familiar que aceitou ser minha fiadora. Quando pude finalmente pôr as chaves na porta do apartamento tinha a conta bancária quase a zero, sentia-me revoltadíssima e estava esgotada. Os primeiros meses após a mudança não foram fáceis. Estava zangada com o apartamento. Mas acabei por fazer as pazes. Lembro-me que me senti em casa pela primeira vez no ano seguinte, quando regressei de uma viagem à Patagónia. Senti-me em casa depois de ter ido ao fim do mundo.

De lá para cá, seja em que circunstância for, chegar a casa é uma bênção. Expresso num sussurro o quanto é bom abrir a porta do apartamento e entrar. “Tão bom, tão bom, tão bom…” é normalmente o que digo enquanto pouso a tralha, me descalço e suspiro. É assim que exteriorizo a minha infinita satisfação, a paz e, acima de tudo, a imensa gratidão pelo luxo deste conforto.

Talvez influenciada pela atitude da antiga proprietária, sempre achei que este cantinho com terraço transborda boa energia e a verdade é que, apesar de um ou outro episódio menos bom, tenho sido feliz no meu T1 recheado com muita simplicidade. E acredito, ainda, que a casa me retribui toda a atenção que lhe dispenso, porque sou eu que a limpo, que a arrumo, que a decoro, que até procedo a pequenos arranjos (mesmo que por vezes mal amanhados…) e jardino. Adoro a minha casa e o melhor elogio que me podem fazer é dizerem-me que aqui se sentem bem.

Há umas semanas, no decorrer de um breve curso que fiz na Universidade do Porto, disse-me a professora que o meu arquétipo é claramente o do nómada. Isto não constituiu para mim qualquer surpresa. Sempre o soube. Foi o que me levou a estudar Relações Internacionais, por exemplo. Nessa época de estudante universitária, ganhei uns trocos a dar explicações de inglês a um colega muito mais velho que eu, finalista do curso de Antropologia. Contou que assim que se formasse, pegava numa pequena trouxa e partia para África para viver com uma tribo e estudá-la. E eu ouvia esta história e sonhava fazer o mesmo um dia, pôr uma mochila às costas e partir. Não sei quando me perdi e me desviei desse caminho, distraída com coisas que raramente me fizeram sentir plena.

Curioso é que a nómada que há em mim tenha voltado a despertar quando comprei este T1 em Matosinhos. A nómada que lateja cá dentro é também aquela que está prestes a bater um recorde: nunca antes tinha vivido dez anos na mesma casa! E se nenhuma revolução acontecer na minha vida até ao final deste ano (acreditem que não posso de todo afastar esse cenário…), Matosinhos, que é a oitava cidade onde assentei arraiais, passará a ser oficialmente aquela onde mais tempo vivi. E porém, nunca viajei tanto como nestes últimos dez anos. Este é um daqueles paradoxos que dá mais sabor à vida.

Perguntava-me há pouco tempo um homem se seria capaz de viver num determinado sítio, fora de Portugal. Respondi que ando tão em paz comigo e com o mundo que acho que sou capaz de viver em qualquer lugar. Se for ao lado de uma pessoa de quem gosto, melhor ainda. Fui sincera. Mas se o fizesse, custar-me-ia deixar os meus exíguos domínios em Matosinhos. Ando a desprender-me dos bens materiais, mas este meu espaço vai muito além de mera matéria. Já tem muita história e muitas memórias.

Por isso me pergunto com frequência — afinal onde está a casa: na cabeça (feita de razão, sensatez, segurança e memórias) ou no coração (feita de paixões, impulsos, aventuras e recomeços)? A casa são as paredes e o terraço ou sou eu e aqueles de quem gosto?

Estou, por agora, a tentar ficar com o melhor de dois mundos. Quero ter um pé aqui e outro perdido sei lá onde. Não é fácil. Mas hei de conseguir.