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O que está errado não é o valor das criptomoedas, é o nosso olhar…

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Um dos assuntos mais populares no ecossistema das criptomoedas, é inevitavelmente a sua cotação. Por mais que se presenciamos um esforço dos intervenientes em valorizar características mais profundas numa moeda, a grande verdade é que o seu valor continua a ser aquilo que mais mexe com os sentimentos dos investidores ou fãs de criptomoedas.
Ao percorrer a maioria dos fóruns, sites, grupos de social media, ou conversações entre pessoas que partilham o gosto pelas criptomoedas, é esse o tópico número um. É também esse o tópico que gera sempre mais conversação e polémica. Principalmente quando se começam a esgrimir os argumentos de parte a parte, sobre quais as melhores moedas do momento, e quais as que têm os dias contados.
Vamos falar de Bitcoin, porque é a moeda que tem maior historial e, porque é também a moeda que tem mais influência na cotação das outras moedas. (uma vez que ainda é a moeda de referência e as suas subidas e quedas ainda afetam significativamente a cotação das restantes.) Mas a análise feita neste artigo, estende-se à maioria das moedas. Pelo menos daquelas que têm história suficiente para serem consideradas.

Historicamente, a cotação da Bitcoin sempre foi caracterizada por uma grande volatilidade. Foi isso que atraiu os traders em primeiro lugar. Existe uma tendência de subida no longo prazo, configurando picos de valor súbitos, seguidos de quedas muito acentuadas. Isto aconteceu as vezes suficientes para que a curta memória da comunicação social, aproveitasse o momento para se referir à “grande bolha que são as criptomoedas”. Nem vou discutir o termo bolha, uma vez que consigo encontrá-lo em cada um dos segmentos da economia. Portanto, não considero que isso seja de modo algum um termo “depreciativo”. Passemos então à frente… A verdade… é que raro é o ativo financeiro, que conseguiu repetir bolhas tão grandes e tão constantes, recuperando delas com tanta facilidade. Hoje, os meios de comunicação mais informados, já conseguem entender que as bolhas de valor de Bitcoin, não significam necessariamente, que a Bitcoin em si, seja somente uma bolha. Mas também este, é outro assunto, que já não é novidade, e que já abordei no meu livro Bitcoin – Tudo o que precisa de saber sobre criptomoedas e noutros artigos. Neste momento, gostaria de falar concretamente de um outro assunto. Afinal, para lá de todas estas questões, como está a cotação hoje? Será que vai acontecer outra Bolha? Ou será que vai cair até zero e isto é só o começo de uma descida vertiginosa que não vai parar? Ou seja: Million Dollar Question: será que vamos ter outro pico de valor no final de 2018?

A maioria dos investidores, traders, e todas as pessoas interessadas por criptomoedas, aguarda ansiosamente por esse momento. Por vezes com um discurso tão profético, que mais parece uma oração. Ou um augúrio tão seguro de si próprio, que pode parecer uma daquelas verdades, que é verdade apenas até ao dia que não é… É claro que muita coisa pode correr mal nas criptomoedas. É também claro, que se algumas coisas correrem bastante mal ou demorarem demasiado tempo a acontecer, acabarão por reduzir a capacidade futura de a Bitcoin poder vir a ter valores perto dos que já atingiu. Se pensarmos apenas na Bitcoin como um investimento financeiro (e é assim que pensa muita gente que apenas releva a sua cotação) temos também que saber o que é um investimento financeiro. Os investimentos financeiros têm ciclos. Mas não são um ciclo eternamente repetido. E quando se trata de tecnologias disruptivas, todos os que investem há tempo suficiente para ter presenciado pelo menos uma outra tecnologia disruptiva, sabem que alguns ativos podem passar a valer zero. E a única coisa que depende disso pode ser apenas e só, um novo player no mercado. Aconteceu em todos os momentos da história, e poderá seguramente acontecer a muitas das criptomoedas. Ou a todas. Se olharmos apenas 18 anos para trás, podemos ver que inúmeras empresas que constituíam a promessa do futuro, hoje já nem existem. O mesmo pode acontecer a qualquer tecnologia. E para isso basta vir a seguinte.

Mas dito isto, vou fazer uma inversão sobre o tema.

É certo que no final de 2017, a escalada do valor da Bitcoin, atingiu valores nunca vistos. Apenas entre Outubro e Dezembro, subiu algo perto de 400%, e toda a gente que tinha um pé-de-meia começou a pensar que bastava apanhar a boleia para a Lua. “Up to the Moon!”, “Lambo” como tantas vezes se lê nas conversas acerca de criptomoedas.
Em finais de Dezembro (inícios de Janeiro de 2018 o valor teve a devida queda abrupta, iniciando depois descidas triangulares que a fizeram regressar a cotações (talvez) mais realistas, pelo menos tendo em consideração o seu ponto de partida.
É claro que isto arrefeceu os ímpetos de muitos investidores. Alguns dos quais deixaram de investir tão rápido que nem chegaram a investir. Uma espécie de Lucky Luke, mais rápido do que a sombra. Quando iam para comprar já foram tarde, e acabaram por refrear-se ao sentir as primeiras quedas. Ficou depois o confortável pensamento “ainda bem que não entrei… olha como está agora”…

Podíamos ficar algum tempo em volta destas ideias e do que elas realmente significam em termos de investimento. Mas gostava de fazer uma reflexão sobre aquilo que tem passado mais despercebido quando se fala de cotações.

O ambiente que vivemos é o ambiente do “não se preocupem.. isto vai melhorar… vamos aguardar, agora está mau mas não tarda nada vai subir a sério…
Então mas vamos falar de número: Já está a ser a sério! Se o que queremos é ver o valor de cotação da Bitcoin (ou outra moeda) subir, já está a ser MUITO A SÉRIO! Mais a sério do que qualquer a maioria dos ativos financeiros de wall street.

Mas vamos então ilustrar o tópico com números concretos.
Dia 24 de agosto de 2017, a Bitcoin estava cotada ao valor de $4362,47. Passado exatamente um ano, (a 24 agosto 2018), o valor da Bitcoin era de $6456,16. Quer isto dizer, que a valorização de Bitcoin no espaço de 1 ano, foi de 48%. Agora devemos olhar para este número e ver no mercado financeiro ou em qualquer outro mercado, o que significa uma valorização de 48%.
A verdade, é que para onde quer que olhemos, uma valorização de 48% é extremamente incomum, e é unanimemente considerada uma valorização incrível para qualquer fundo de investimentos, por mais bem sucedido que ele seja.
Para dar uma noção comparativa, um ativo, seja ele corpórea ou incorpóreo, que valorize acima de 10% no prazo de um ano, é sempre considerado um sucesso entre investidores. 10%, ou 12%, são geralmente os números a atingir quando se trabalha com o património financeiro. Algo acima de 15 ou 20% é um sucesso. Se temos 48% na Bitcoin, porque havemos de achar que estamos perante um mau valor atual? Apenas porque entretanto existiu um pico de $19.000? Se olharmos para o gráfico total da Bitcoin desde que ela existe, este movimento já havia acontecido. E não foi motivo para não investirmos, certo?

Para onde quer que olhemos, o valor atual da bitcoin é ótimo numa perspectiva de valorização. É certo que não se está a repetir agora, a escalada de valor que levaria alguns a nunca mais trabalharem. (Ou a comprar o Lamborghini.) Mas acho importante colocar esta mensagem a circular de forma clara. As criptomoedas não estão pela rua da amargura. E se não acontecer uma escalada súbita, é importante que continue a existir entusiasmo.
Não sou fã do entusiasmo de “basta fazer HODL que vou ficar rico. Mas sim o entusiasmo de sabermos que temos um ativo que valorizou 48% em 12 meses. Quando a alternativa de colocar este ativo num outro investimento passivo, era talvez de 1 a 3%.

E nesta altura, gostaria de voltar ao título deste artigo, para dizer que o que está errado não é o valor da Bitcoin. O que está errado, é existir uma expectativa de que as criptomoedas têm obrigatoriamente que ter frequentemente subidas de 400%. Até poderá voltar a acontecer. Diria que todos os detentores de Bitcoin ficariam extremamente agradados. O ponto é apenas a preparação para que caso não aconteça, continuemos todos muito seguros de que foi um excelente investimento. Um investimento de 48% num ano. E se quisermos chocar alguém, podemos também dizer que é um investimento com rentabilidade de cerca de 1130% em 2 anos. Já que o valor de 24 de Agosto de 2016 era cerca de $570.
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Episódio 5 – Carteira variada, sim ou não?

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No episódio de hoje tentámos perceber as vantagens e desvantagens de ter uma carteira de criptomoedas variada, não colocar todos os ovos no mesmo cesto.

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Episódio 3 – Origem da Bitcoin

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No terceiro episódio falamos do criador da bitcoin, das origens da mesma e de que forma a situação económica da altura, potenciou o seu aparecimento.

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Cowork da Praia, em Carcavelos

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Cowork da Praia integrado na lista dos coworks da grande Lisboa

O Cowork da Praia está integrado na lista dos coworks da grande Lisboa, no artigo Cowork em Lisboa: onde trabalhar na capital portuguesa do site Nomadismo Digital Portugal.

coworkEste artigo é um dos mais importantes na divulgação de coworks em Lisboa, tendo já sido atualizado diversas vezes para integrar mais espaços, e posiciona-se em 2º lugar no termo de pesquisas “coworks lisboa”, com mais de 720 visitas médias mensais.

Temos tido uma maior visibilidade crescente do nosso espaço e agradecemos o contributo do Nomadismo Digital Portugal para isso.

Qualidade de vida

No Cowork da Praia privilegiamos a qualidade de vida. Crescemos perto da praia, na maravilhosa Costa do Sol, e encontramo-nos a menos de 100 metros da praia de Carcavelos que é a capital do surf em Portugal. A uma distância de apenas 25 minutos de comboio para o centro de Lisboa, esta zona posiciona-se como o melhor lugar para alguém conseguir ter o estilo de vida relaxado de praia, combinado com a beleza e espírito cosmopolita de Lisboa.

O nosso cowork tem uma localização fantástica e conta com 150m2 prontos para vos receber. Situa-se numa praça dos anos 60, de edifícios baixos,  com mais de 10 restaurantes e pastelarias nas suas galerias; tem igualmente um centro comercial e um supermercado a 150m.

Se quer passar uma semana ou um mês em Portugal a trabalhar, se quer fixar a longo prazo o seu posto de trabalho e a sua equipa, este é o seu lugar e a preços muito competitivos. Este espaço pode estimular o espírito de equipa e levar a criatividade a outro nível.

cowork

Modalidades e preços

Desde 9 € por dia temos várias modalidades de cowork por onde escolher: Full-time, Part-time, Mesa Fixa, Ao Dia, ou Virtual Office. Também nos pode contactar para encontrarmos uma solução mais especifica para as suas necessidades. Além do espaço, que inclui uma área lounge, estão também disponíveis um conjunto de serviços associados: domiciliação de morada da empresa, gestão da correspondência, entre outros.

Contacte-nos.

Veja aqui imagens do nosso espaço.

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O valor da Bitcoin não é demasiado volátil para investir?

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Uma das questões mais debatidas relativamente à Bitcoin é de que o seu preço é extremamente volátil.

Não há dúvida de que o preço é volátil. Mas isso acontece por bons motivos. Pela primeira vez na história existe uma moeda descentralizada, criptográfica, imutável, global, e não manipulável por bancos centrais, governos ou outras instituições. Como tal, não existe nenhum elemento artificial de estabilização para que a mesma tenha um valor estático.

A volatilidade das criptomoedas depende apenas da lei da procura e da oferta e, como tal, fruto de ser ainda um mercado relativamente pequeno, a volatilidade de entrada e saída de detentores de Bitcoin (compradores e vendedores desta criptomoeda) oscila ao sabor de um mercado pequeno. Da mesma forma que a água de um pequeno copo oscila com qualquer tremor da nossa mão e que a água de um balde inteiro já tende a oscilar menos com o tremor dessa mesma mão.

A Bitcoin, tenderá a estabilizar‐se quando a sua capitalização global (ou seja, o valor global do mercado de criptomoedas) for significativo face à capitalização das moedas com as quais compete. (Moedas Fiat como o Euro, o Dólar, o Yuan, ou mesmo o Ouro).

Explicando um pouco melhor, com a generalização da adoção da Bitcoin por mais pessoas, a Bitcoin tenderá a estabilizar o seu preço. Provavelmente estabilizando num valor muito superior ao que tem hoje.

Devemos entender que neste momento estamos na infância destas criptomoedas. Ainda existem fatores que influenciam pesadamente as variações, dado que apenas uma parte muito pequena do capital ingressou na Bitcoin. Isto faz com que esse capital seja intensamente afetado por variáveis que, com o decorrer do tempo, embora continuem a influenciar o valor, tendem a esbater o seu impacto, criando ondas de impacto cada vez menores.

A causar pressão de valorização da moeda, temos o aumento de pessoas a adquirirem Bitcoin. Dado que a Bitcoin tem uma emissão controlada e definida desde a sua criação, uma procura elevada tenderá a gerar aumento do valor da moeda.

A causar pressão de desvalorização temos o fator medo. O medo causa sempre pressão negativa nos preços dos ativos financeiros, e as declarações de muitos líderes de opinião funcionam como pressões que geram descrédito e portanto medo e desvalorização no mercado. Com esse medo dá-se a saída de “investidores” nesta moeda. O que provoca a queda do seu valor.

O que vivemos no presente, é um sentimento de incerteza. A incerteza tem sempre um efeito oscilante e, enquanto estamos nesta fase de “infância”, muita coisa é colocada em causa quando surge alguma notícia menos positiva ou alguma opinião mais conservadora.

Portanto se tem criptomoedas, tenha em conta estas dicas e não se assuste só porque o mercado oscila. As criptomoedas são voláteis por natureza. Mas isso não é necessariamente uma coisa má. Aliás, são uma oportunidade para ganhar dinheiro com essas oscilações ao fazer trading.

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Episódio 2 – Visa e criptomoedas

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Segundo episódio, continuamos a falar de criptomoedas, neste caso relacionando com o meio de pagamento VISA, a partir de uma notícia recente sobre o sistema de pagamento ter tido algumas falhas.

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Episódio 1 – O início

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Neste primeiro episódio, António Vilaça Pacheco, autor do livro “Bitcoin – tudo o que precisa de saber sobre criptomoedas” conversa com o Rui Branco, para explicar um pouco do que é a bitcoin, e este universo das criptomoedas.

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O preço da Bitcoin é muito elevado?

preço

Uma das muitas afirmações que são feitas sobre a Bitcoin é de que o seu preço ou valor é muito elevado.

Como poderíamos usar uma moeda que vale 7.000 euros? Ou 20.000 euros?

O preço unitário de uma moeda é irrelevante para a sua capacidade de troca.

Se pensarmos em termos de nomenclatura ou uso verbal, tradicionalmente esses termos são adaptados e evolutivos. Quando tínhamos o escudo, também estávamos habituados e fazer referência ao dinheiro em várias ordens de valor com termos diferentes: Centavos, Escudos, Contos.

Quando falávamos da compra de uma casa não falávamos nunca em escudos embora a moeda fosse escudos. Mas com a inflação e desvalorização do escudo, criou‐se o termo “contos” para definir cada unidade de mil escudos. Nunca isso foi uma confusão.

Quando falamos de ouro, ele também é uma unidade de troca. Mas também não nos referimos ao valor do ouro em barras de ouro nem trocamos barras de ouro inteiras cada vez que fazemos uma troca. As trocas são feitas em pequenas partes unitárias de uma referência de valor maior.

A Bitcoin, até pela sua natureza, é muito mais facilmente divisível do que uma barra de ouro. No caso da Bitcoin, até já existe uma unidade denominada de Satoshi (em honra ao seu inventor Satoshi Nakamoto) que representa uma Bitcoin dividida em 100 milhões de unidades. Imaginando que uma Bitcoin são 10.000 euros, mil satoshis são um cêntimo.

Rapidamente passamos a ter uma unidade “convertível”. Se rapidamente quisermos inventar uma nova unidade apenas para exemplo, podemos dizer que um Nakamoto seriam 10.000 satoshis. E assim tínhamos uma unidade de “conversação” exatamente proporcional ao euro hoje.

Um Nakamoto seria um Euro se assim fosse conveniente. O valor/preço de uma moeda não é a sua unidade verbal, mas sim a sua capitalização de mercado.

EQUIVALÊNCIAS ENTRE SATOSHI-EUR-BITCOIN
Satoshi
Eur
1 BTC
100000000
10000
1
100
0,01
0,000001
1000
0,1
0,00001
10000
1
0,0001

 

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Os números surpreendentes sobre a Bitcoin

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Actualmente, mais de 30 notícias por dia surgem nos media portugueses sobre a Bitocoin ou criptomoedas. Em 2017 “O que é a Bitcoin” foi o segundo termo mais pesquisado no Google. Estes e outros factos traduzem números surpreendentes sobre o fenómeno das Criptomoedas e da revolução que representam

Saia mais em: Bitcoin – tudo sobre criptomoedas

 

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Entrevista a Sérgio Fernandes, co-fundador Digital Nomads Portugal

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O Sérgio Fernandes já dispensa muitas apresentações no meio do nomadismo digital português. É um dos fundadores da primeira comunidade portuguesa que se formou à volta deste estilo de vida e de trabalho, a Digital Nomads Portugal. Esta comunidade é uma referência para nós próprios, enquanto primeiro grande site português de nomadismo digital: acabamos por ser parceiros e amigos e trabalhamos juntos para tornar este estilo de trabalho mais popular e provar aos portugueses de que ainda é possível ser feliz com o trabalho.

Quem é o Sérgio?

Licenciado em Informática pela Universidade do Algarve, trabalhou vários anos em, aquilo que chama, corporate jobs: “até gostava daquele trabalho corporate na altura. Entretanto mudei de emprego por diversas vezes e cada vez mais me custava ter que ir para um escritório onde iria estar a trabalhar para clientes do outro lado do mundo, acedendo remotamente a eles graças à internet. Começou a não me fazer sentido ter que estar no escritório para poder fazer isto, poderia estar em qualquer lado que tivesse internet”.

Depois de quase seis anos a trabalhar em Lisboa na área da informática e de ter começado a perceber que “o trabalho pode ser feito fora do escritório”, decidiu despedir-se e voltar para o Algarve para encontrar uma solução profissional que o deixasse realmente feliz e satisfeito.

A primeira oportunidade apareceu depois de algumas semanas e de muitas horas de pesquisa sobre trabalho remoto: começou a trabalhar como programador para uma empresa sediada no Reino Unido. Depois dessa primeira experiência, foi mais fácil: “a partir daí as portes abriram-se e comecei a descobrir mais e mais informação sobre trabalhar remotamente, site, blogs, comunidades, etc”.

Obstáculos e desafios

Quando se é empreendedor, muitos dos obstáculos tornam-se desafios que se quer ultrapassar a todo o custo. Os “não-horários”, a procura de clientes, a organização do trabalho, tudo isso são desafios. No entanto, o Sérgio aponta o dedo a algo que é, para muitos, uma barreira muito difícil de ultrapassar que é a falta de ajudas do Estado português: “não existem, não apostam nos novos empresários, vejo isso todos os dias em vários ramos e com várias pessoas amigas”.

Outro grande desafio, sobretudo para quem começa, é o de encontrar a área e o tipo de mercado certo. A falta de brainstorm, análise do mercado e da concorrência e de “ter um foco bem estabelecido do público-alvo” faz com que as pessoas fiquem bastante perdidas e com ideias profissionais sem conseguir concretizar.

Planeamento

A organização é um dos temas que tem que ser abordado sempre que falamos de trabalho remoto. Cada trabalhador remoto acaba por tentar encontrar o seu equilíbrio e o Sérgio, ao trabalhar sobretudo para o Reino Unido e para os Estados Unidos (com diferentes fusos horários), tem uma organização de trabalho meticulosa: “uso a parte da manhã para estar em contacto com os meus clientes do Reino Unido e a parte da tarde ou noite para estar em contacto com os meus clientes dos Estados Unidos. Tenho por hábito planear semanalmente as minhas tarefas, consoante a alocação que tenho aos clientes e projetos”.

É uma das aprendizagens que é mais partilhada pelos nómadas digitais à volta do mundo. A quebra com os valores da sociedade e a valorização das experiências, das memórias e dos momentos presentes faz com que o dinheiro seja importante sim, mas que não seja a maior das prioridades da vida. O Sérgio defende até que, “por vezes nós temos aquilo que necessitamos, mas como somos regidos pelas regras da sociedade temos sempre que ter mais isto e mais aquilo”. O minimalismo e a simplicidade na vida são duas das aprendizagens mais valiosas desta caminhada enquanto nómada digital.

Digital Nomads Portugal

A descoberta deste nicho ainda pouco (ou nada) explorado apareceu durante uma conversa com o Cláudio Domingos, o co-fundador do Digital Nomads Portugal: “constatámos que existia uma grande comunidade de pessoas que desenvolveram negócios que podiam gerir a partir de qualquer lugar do mundo e que optaram por se estabelecer em Portugal, devido ao bom clima, localização e baixo custo de vida”. Com esta constatação, encontraram uma falta de informação não só para os nómadas digitais estrangeiros já baseados em Portugal, mas também para os portugueses que procuravam algumas ideias gerais sobre este movimento.

Perante essa necessidade, criaram, em maio de 2015, a Digital Nomads Portugal. Durante esse processo construtivo decidiram ir até Berlim, em julho desse mesmo ano, ao DNX Global, um evento que junta nómadas digitais do mundo inteiro.

E o futuro do nomadismo digital português?

O Sérgio partilha da minha ideia de que “os próximos dois/três anos serão importantíssimos” para as comunidades nómadas portuguesas.

Com o aumento dos espaços de cowork e de eventos que trazem ao nosso país nómadas digitais mundialmente conhecidos, Portugal é um dos novos destinos que tem vindo a estar presente em quase todos os programas de nomadismo digital.

As empresas portuguesas vão, acredita, começar a ver este potencial e esta liberdade como algo compatível com trabalho e produtividade: “estamos a caminhar para que o trabalho não seja necessariamente preciso ser feito dentro de um escritório e a liberdade de trabalhar de onde se quer está cada vez mais ativa na sociedade”.

O verão de 2017 reserva também uma grande surpresa para Portugal: o evento da DNX Global  realizado no nosso país e promete pôr o nomadismo digital nas “bocas” de todos os portugueses.

Entrevista feita pela Nomadismo Digital Portugal.