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7 coisas que aprendi a escrever “O Livro dos Fazedores”

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Dois meses de escrita, 14 histórias e mais de 20 horas de entrevistas. Falar com fazedores é perceber que o tempo corre, que as dificuldades surgem quando menos se espera e que a história se repete, mesmo que não seja com as mesmas pessoas. E entender que Portugal mudou graças, também a eles. Lista de sete coisas que aprendi a falar e a escrever sobre empreendedores.

Tudo começa pelo princípio

Criar um negócio tem muito que se lhe diga e os fazedores sabem disso. O princípio costuma ser uma necessidade detectada. Daí à ideia é um instante. E se, para a concretização da ideia podem passar poucos meses, para ela se reinventar menos ainda.

Planos, há muitos

Por mais que se planeie, passo a passo, há sempre imprevistos. É assim em tudo na vida e, também nas startups. Por isso, é importante saber o destino, olhar o caminho e, claro, estar aberto ao que aparece. Há oportunidades para aproveitar, obstáculos para ultrapassar e surpresas de que nunca estamos às espera. Mas, na carteira de “características”, os fazedores têm essa flexibilidade essencial para não desesperar sempre que há pedras no caminho.

Crescer dói

Criar uma startup começa com uma pequena ideia, num espaço pequeno, e com uma equipa reduzida. Com o tempo e o crescimento, os fazedores sentem necessidade de alargar a equipa e começar a delegar. E isso dói. Uma das dicas mais repetidas no livro é tratar da cultura da empresa com carinho: uma cultura forte é meio caminho para garantir um crescimento à imagem dos fundadores.

A sorte dá trabalho

Pode até parecer apenas um enorme clichê mas a verdade é que, asseguram os fazedores, a sorte dá muito trabalho. Antes de criarem a Talkdesk, Cristina Fonseca e Tiago Paiva fundaram outros quatro projectos. Antes de escolherem os investidores para financiarem o crescimento da Chic by Choice, Lara Vidreiro e Filipa Neto leram, perguntaram e contactaram dezenas deles. Todos os passos contam para um dia as startups anunciarem investimentos, crescimento, novos mercados. E esses passos dão-se, muitas vezes, a solo, fora de horas e noutros fuso-horários.

Rodeia-te bem

Ter pessoas ao lado que estejam a passar pelos mesmos dilemas ou se revejam nas dores e já tenham ultrapassado alguns dos obstáculos por que estamos a passar são maneiras de. Os fazedores rodeiam-se dos melhores por onde quer que passem: primeiro, em incubadoras e aceleradoras de empresas, depois na criação de processos de recrutamento que ajudem a manter o ADN da empresa mesmo que a estrutura escale.

Prepara-te melhor ainda

Se o teu objectivo é criar um projecto que tenha impacto no mundo, prepara-te para responder a perguntas, ser confrontado com dúvidas e ter de inspirar a confiança dos que te rodeiam (e até de desconhecidos). O segredo para que a missão seja possível é preparação: lê, conta a ideia ao maior número de pessoas possível, valida o conceito. E que não se atrase a ida para o mercado. Só tentando – e, se necessário, falhando rápido – se aumentam as possibilidades de sucesso.

Que o medo não paralise

O medo é um factor que ajuda a medir o risco mas não deve paralisar. No início, todos os fazedores têm pudores em avançar para o mercado: ou porque o produto não está pronto, ou porque ainda podem melhorar, ou por um sem fim de razões que não importa especificar. Atrasar a validação é uma maneira de adiar a verdade. Por isso, se houver medo, arrisque mesmo com medo.

 

*Mariana de Araújo Barbosa , jornalista desde 2007, é autora d’O Livro dos fazedores, um manual de todas as aprendizagens dos primeiros fundadores de startups nacionais, lançado em Outubro de 2018.

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O livro dos fazedores: um MVB (minimum viable book)

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O livro dos fazedores: um MVB (minimum viable book)

A primeira vez que pensei neste livro foi há quatro anos. Mas uma ideia, mesmo que boa, conta muito pouco. Viram?

Devo-vos uma explicação: é que há quatro anos que ando a falar neste livro e só hoje, 16 de outubro, chega às vossas mãos.

A primeira vez que o pensei estava do outro lado do Atlântico: as fugas, mal ou bem, servem para digerir ideias e deixar respirar sonhos. E eu, que andava em fuga da minha vida corrida, decidi mudar. Em 2013, dois anos depois de começar a trabalhar no Dinheiro Vivo, candidatei-me a um mestrado em jornalismo em Buenos Aires, capital da Argentina, do tango e… do empreendedorismo na América latina. Cidade do “quilombo”, depressa se tornou incubadora de ideias. Três anos e mais de 500 fazedores depois e, de regresso a Lisboa, comecei a pensar numa maneira de eternizar esta energia que me alimentava desde 2011: queria escrever um livro deles e sobre eles.

Os meus fazedores, que fizeram capas de jornal, contaram as suas histórias na televisão, fecharam rondas de financiamento e tornaram-se oradores em eventos esgotados mudaram a maneira como, em Portugal, se apresentavam os empresários. Abdicaram da gravata, fecharam negócios além fronteiras via skype call e aumentaram o nosso amor próprio.

Com eles, a ideia do livro ganhou forma. Contando-a, validei-a. Partilhando-a, construiu-se.

Tudo para explicar uma das primeiras e mais importantes lições que aprendi com eles: uma ideia vale muito pouco antes de se colocar em prática.

As histórias d’O livro dos fazedores, 15 no total, representam os bem mais de 1000 que entrevistei nos últimos oito anos. Nelas há ideias boas – sim -, caminhos com altos e baixos, rondas de financiamento, unicórnios, sucessos e falhanços. E recomeços. Este MVB, o meu, é deles. E é vosso também. Que possam rever-se nas histórias destes fazedores. É que, se virmos bem, há um pouco deles em todos e em cada um de nós.