Publicado em

O que o faz feliz?

feliz

Ser feliz. Desde há gerações que os indivíduos procuram entender o sentido da vida e fazem tudo e mais alguma coisa para tentarem entender de que trata e porque nos encontramos aqui. Alguns viajam em busca de novas experiências e de expansão mental, e outros almejam isolamento na esperança de que a introspeção os conduza às respostas que procuram.

Seja como for que escolha explorar a sua existência, o mais importante é que escolha explorá‐la de todo.

A curiosidade é uma das características permanentes e certas de um vigoroso intelecto.

Samuel Johnson, The Rambler

A vida é curta e o mundo continua sem si quando daqui se for. Com irá agir para fazer a diferença enquanto aqui está? Com o que pode contribuir? Qual é a sua missão na vida? Há uma infinidade de razões para as pessoas fazerem o que fazem. Exemplos de motivações individuais incluem criar segurança pessoal, cuidar de uma família, ser o melhor num dado campo, ajudar os outros, criar um legado que lhe sobreviva e até simplesmente divertir‐se.

Ao prestar uma visão geral a todas as ideias que as pessoas percecionam como cruciais à sua existência, o denominador comum é que toda a gente quer viver com a maior felicidade possível.

Alguns inquéritos contemporâneos sugerem que as pessoas que vivem no mundo desenvolvido estão presentemente no pico da infelicidade e que a população em geral era mais feliz na década de 1950, quando, supostamente, a vida era mais simples. Se isto é verdade, as razões aventadas para o porquê de as pessoas se sentirem mais infelizes do que nunca é o terem mais liberdade e mais opções que nunca, e que a pressão para maximizar essas oportunidades pode levar os indivíduos a debater‐se com o que fazem e o que pensam que deveriam estar a fazer.

Talvez tenham demasiadas opções?

A verdade é que hoje estamos mais equipados que nunca para fazer mudanças na nossa vida. A população está em geral em melhor situação financeira e é mais instruída do que as anteriores gerações, e tem acesso a muito mais recursos e informação que ajudem a influenciar o seu desenvolvimento. O mundo move‐se a passo rápido e isso pode acarretar as suas próprias pressões. O tempo é precioso, de modo que tomar decisões eficaz e rapidamente é crucial. Para se ajudar a tomar decisões mais rápidas, e a tomar as decisões corretas ao longo da vida, há que primeiro ser claro quanto ao que o faz feliz.

A felicidade é por demais intangível, mas você sabe quando se sente feliz e sabe quando não está feliz. A investigação e a experiência mostram que as pessoas colocam mais na vida, e obtêm mais dela, quando podem fazer coisas que lhes dão prazer e que as fazem felizes. Então, se conseguir estabelecer as coisas que realmente o fazem feliz e mais vezes as fizer, obterá instantaneamente mais de cada dia da sua vida.

Introspeção

Ao considerar o que o faz feliz, foque-se não só em gratificação instantânea e no que o faz feliz hoje mas considere igualmente comportamentos que tenham um impacto mais duradouro e experiências recorrentes no tempo que o façam feliz numa base regular.

Tome um momento agora para pensar no que o faz feliz colocando-se as seguintes questões. Tome nota das suas respostas.

▶ Quando foi que me senti verdadeiramente feliz pela última vez?

▶ Onde estava eu?

▶ O que fazia eu?

▶ Com quem estava eu?

▶ O que me faz feliz numa base regular?

▶ Que atividades fazem o tempo voar para mim?

Pense em tantas vezes que se tenha sentido feliz quanto possível. Agora destaque as cinco principais coisas da sua vida que garantidamente o fazem feliz:

1 ……………………………………………………………………………………………………………………..

2 ……………………………………………………………………………………………………………………..

3 ……………………………………………………………………………………………………………………..

4 ……………………………………………………………………………………………………………………..

Agora que sabe o que o faz feliz, tem de se assegurar que faz mais destas coisas regularmente. Para cada uma das principais cinco coisas que o fazem feliz, tome nota da próxima vez que fará cada uma delas. Use o seu diário ou agenda para o ajudar a planear com precisão e para se certificar de que se compromete com cada uma das cinco coisas dentro dos próximos 14 dias. Planeie uma altura específica para cada compromisso.

Agora seja o mais específico possível quanto aos detalhes da próxima ocorrência das cinco coisas que o fazem feliz. Para cada uma das atividades que lhe trazem felicidade, ponha por escrito os detalhes em torno de quando terá ela de novo lugar. Onde estará você, o que estará a fazer e, isto é crucial, do que precisa de tratar agora mesmo para se assegurar de que cada acontecimento tenha lugar? O que pode fazer hoje para garantir que será capaz de fazer as coisas que lhe dão prazer?

_____________________________________

Assumir o controlo — tudo se resume ao planeamento

Este pode parecer um plano forçado e algo condicionado só para fazer umas quantas coisas que gosta, mas quando começar, perceberá como esta abordagem resulta. Em geral, a razão de as pessoas não fazerem bastante do que gostam é o facto de não planearem adequadamente essas atividades. Têm a sua rotina diária mas essas rotinas frequentemente não contêm suficientes coisas que lhes deem prazer. O problema é que essas rotinas se podem tornar profundamente incutidas e, em muitos casos, perpetuarem‑se inconscientemente se as pessoas fizerem muito do que as faz infelizes sem se empenharem devidamente no que fazem ou descobrirem como melhorar as coisas. Seguem simplesmente a rotina familiar e esperam ter tempo para algo aprazível ao longo do caminho.

Por vezes, as pessoas sentem que não podem fazer mais do que lhes dá prazer devido às pressões da vida quotidiana e de as circunstâncias estarem além do seu controlo. Podem sentir-se insatisfeitas, mas não despendem o tempo e esforço necessários a focar-se no que poderia ser diferente.

Tendem a seguir padrões de comportamento inconscientes pois estes padrões não requerem que se pense grandemente. Os problemas surgem quando estes padrões familiares podem eventualmente deixar as pessoas frustradas e infelizes.

Para mudar a situação, precisa de trazer os seus padrões de comportamento ao pensamento consciente. Precisa de examinar e analisar o que faz, o que não está a resultar para si, e questionar que padrões de comportamento poderiam ser mais benéficos. O processo acima pode fazer exatamente isso. Torna conscientes novas estratégias, de modo que saiba precisamente o que terá de fazer a fim de tornar a vida diferente e mais enriquecedora. A vantagem mais entusiasmante deste processo é que, ao examinar o que não resulta, fazer um esforço consciente para estabelecer novas abordagens e padrões de comportamento e depois pô-los em ação, você pratica o que resulta até que se torne o seu comportamento inconsciente. Poderá retornar a não ter de pensar tão a fundo em tudo o que faz pois estará então a seguir novos e positivos padrões de comportamento inconscientes que lhe dão o que quer.

Jeff Archer

Em Seja o Seu Próprio LifeCoach

Publicado em

Meditação em tempos de crise

meditação
Meditação

Você não consegue tornar o seu corpo flexível só por pensar que o vai tornar flexível. Só conseguirá fazer isso praticando; o próprio corpo tem de tornar o corpo flexível. Tal como a flexibilidade física tem de ser desenvolvida pelo nosso corpo, a flexibilidade mental – que é outro nome para a derradeira paz e felicidade – tem de ser criada pela nossa mente através do treino.

A meditação é um treino mental.

Meditar é uma técnica psicológica que serve para prevenir ideias erradas e para dar início a uma forma de pensar correta, que leva a um estado de paz, felicidade e harmonia. A palavra meditação soa a um qualquer tipo de termo religioso, mas, na verdade, trata-se da prática mais vasta de psicologia. Meditar protege a mente e mantém-na consciente da realidade.

Como podemos preencher o vazio que sentimos nos nossos corações? A resposta é meditar.

Dedicar-se a uma meditação genuína, a uma prática espiritual verdadeira, é transformar o sofrimento em felicidade – e isso depende da sua mente, da sua atitude.

Você terá de se esforçar para conseguir desenvolver a sua mente, gradualmente, de dia para dia e de ano para ano. Até poderá demorar eternidades. Afinal de contas, este tipo de treino mental é a prática da paciência.

Meditar é a forma de deixar a sua mente calma, livre e estável; é a forma de a impedir de lhe fazer mal. Meditar é uma forma de trazer paz; por fim, é a forma de parar de criar problemas. Mas não basta que apenas você tenha paz de espírito. O objetivo mais importante a atingir ao praticar a meditação é desenvolver o bom coração, bodhicitta – o desejo de fazer menos mal aos outros e de os beneficiar mais. No entanto, apesar de você ainda não ter desenvolvido a sua mente ao ponto de já ter parado por completo de prejudicar os outros e de ter passado a beneficiá-los, você deveria continuar a esforçar-se para aperfeiçoar o bodhicitta.

Esforce-se sempre para melhorar a sua mente, melhorar a sua atitude. Em vez de usar a sua inteligência e o vasto potencial que tem como ser humano para causar mais problemas a si próprio, desenvolva o bom coração, bodhicitta, e desenvolva a sabedoria. Treine a sua mente para que esta se torne cada vez menos furiosa e mais paciente, menos egoísta e mais afetuosa, mais compassiva e mais preocupada com a felicidade dos outros. Todavia, se não trabalhar ativamente para isto, a sua mente permanecerá simplesmente na mesma, ou tornar-se-á, mais provavelmente, pior, acumulando mais fúria, mais orgulho, mais desejo, mais descontentamento. É assim que se forma toda a violência.

A sabedoria significa, simplesmente, consciência da realidade.

A nossa mente é como água a ferver: a borbulhar com superstições, alucinações e muitos pontos de vista desnecessários e errados, que só fazem mal e não trazem paz alguma à sua vida.

Ao aprendermos métodos para apaziguarmos os nossos pensamentos inquietantes, para acalmarmos a nossa mente fervente, estamos a aproveitar a oportunidade para nos libertarmos a nós próprios das causas dos problemas e da infelicidade.

em Como Ser Feliz, Lama Zopa Rinpoche