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Exercise Summit 2017, o primeiro de muitos! (assim esperamos)

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Recentemente a palavra Summit entrou na realidade portuguesa e não parece dar sinais de sair nos próximos anos. E ainda bem que assim é!

summitWebsummit, Global leadership Summit, eHealth Summit, Air Summit, Archi Summit… e agora o Exercise Summit. Muitas áreas do conhecimento procuraram dinamizar-se inspiradas no conceito de Summit, que não sendo um conceito novo, ganhou novos modelos e entrou rapidamente no vocabulário português. Já era tempo! Temos o país ideal para organizar e acolher este tipo de eventos, e para isso é importante não só atrair os eventos internacionais que decidem deslocar-se para cá, como também criar valor, produzindo de raiz os nossos próprios eventos e conteúdos. Parabéns por isso à EXS, organizadora do 1º ExerciseSummit em Portugal. O tema é excelente, bem como o sentido de oportunidade.

Numa altura em que começa a existir uma maior consciência da enorme ligação entre a saúde e o exercício físico, carecem também os profissionais de desporto, de entidades que os formem, credibilizem e atualizem no que diz respeito aos seus próprios conhecimentos. Em áreas como a saúde e o desporto, a evolução nos últimos anos tem sido incrível. E muitas das diretrizes que se julgavam corretas, vêem-se hoje completamente erradicadas pelos mais diversos motivos. Numa sociedade onde os Personal Trainers (ou treinadores pessoais) são cada vez mais populares, é importante que a sua credibilidade, ética, boas práticas e formação sejam também reforçados.

Mas desengane-se quem achar que o ExerciseSummit é um evento apenas para profissionais altamente técnicos, para lá do entendimento do “comum dos mortais”. Nada disso! Tanto a organização como a informação que foi sendo transmitida pelos oradores, embora técnica, foi sempre acessível e interessante para qualquer pessoa que goste de aprender e pratique exercício físico. Samuel Corredoura, Jaime Milheiro, João Moscão, Luís Gonçalves, André Matias, Lucas Leal, Nuno Pinho, Eduardo Carpinteiro, foram os donos do palco, com Hugo Moniz, como grande promotor do evento e fundador da EXS Exercise School.

summitNo Lagoas Park Hotel, fomos recebidos de forma descontraída, e perto da hora de arranque lá estávamos para ouvir a primeira palestra acerca das práticas potencialmente perigosas no fitness. A iatrogenia significa doença ou lesão causada por ou resultante do tratamento médico. É sem dúvida um conceito a reter. Quantos treinos para corrigir um problema ou uma dor foram mal administrados? Quantas vezes esses treinos só vieram agravar a lesão que a pessoa trazia? Samuel Corredoura exemplificou algumas práticas perigosas, que são hoje comuns nos ginásios um pouco por todo mundo. E explicou que não é por acaso que há uma forma correta de fazer as coisas no que diz respeito ao exercício.

No que diz respeito à saúde, ficou também uma excelente ideia que vem valorizar e destacar o trabalho e a responsabilidade dos treinadores pessoais: “um médico está 15 a 20 minutos com um paciente numa consulta, um PT tem 1 hora por semana. Podemos de facto mudar!” Este assumir de responsabilidades e esta forma “educacional” de mostrar aos profissionais de fitness que o seu trabalho é importante e deve ter consequências é importante. É claro que a medicina é importante. Mas os profissionais de fitness têm uma oportunidade única para trabalhar ao longo do ano todos os hábitos dos seus clientes. De trabalhá-los e motivá-los para que vivam melhor e com mais saúde.

Por falar em Saúde, Jaime Milheiro, diretor clínico da Clínica Médica de Exercício no Porto, especialista em medicina desportiva, veio falar de Doenças de adaptação dos tempos modernos. Há inúmeras novas doenças que derivam dos tempos modernos. O conceito de “never offline” é hoje uma realidade na maioria da sociedade. E com ela vêm novas doenças não só físicas, como psicológicas. A postura arqueada das costas devido à frequente consulta do telemóvel, a postura da secretária, da cadeira de escritório, do teclado e dos diversos wearables que cada vez mais fazem parte da nossa vida…

Reforçando a ideia de que os conhecimentos evoluem todos os dias, Jaime Milheiro diz “de 5 em 5 anos 30% de todo o conhecimento médico inverte-se! Não só muda como passa muitas vezes a ser o oposto. É fácil ficarmos obsoletos.” Conceitos como o “overtraining” eram desconhecidos ou simplesmente não existiam. Hoje diz-se que o excesso de treino existe e tem consequências negativas na longevidade de um atleta. A carga alostática significa que a acumulação de stress não aliviado poderá ser danosa. Os atletas continuam a cometer constantemente este erro. Treino a mais significa portanto menos equilíbrio e menos longevidade. O stress crónico pode inclusivamente desencadear outras doenças, como por exemplo, a diabetes.

Retivemos também algumas indicações que tomam a forma de “provocações” no sentido de estarmos atentos aos nossos hábitos de vida: “De 1983 a 2009 a diabetes aumentou sete vezes!” Acrescentamos nós que, 1 em cada 4 americanos sobre de Diabetes tipo 2. (segundo a CDC). A obesidade afeta mais de um terço dos adultos americanos. Muitos deles tenderão a desenvolver diabetes e outras doenças associadas se nada fizerem para mudar a sua saúde. Para os que têm problemas porque acham que dormem demasiado, deixamos aqui algum consolo: a privação do sono é uma das causas para aumentar o peso.

A cimeira continuou com João Moscão a assegurar que os alongamentos assistidos são “inconsequentes, (senão mesmo contra produtivos) e perigosos”. Abordaremos futuramente o ensaio da sua autoria, num artigo mais focado no tema. Mas servirá também para mostrar esta necessidade de atualização permanente dos conhecimentos entre os profissionais de fitness. Afinal de contas, qual é o PersonalTrainer num ginásio que não recebeu na sua formação a indicação para fazer esses alongamentos ao seu cliente?

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Não queremos terminar esta primeira reportagem sobre o evento sem antes mencionar algumas ideias trocadas por Luís Gonçalves, psicólogo clínico e diretor clínico da Psinove. E também porque é extremamente oportuna uma abordagem psicológica e social à nossa saúde. Vivemos numa sociedade cada vez mais focada na produtividade. Temos que estar sempre a fazer alguma coisa. E quando não estamos, chegamos inclusive a ter sentimentos de culpa. Relaxar sem culpa é algo cada vez mais incomum. E as perturbações de stress e ansiedade são cada vez mais comuns. Ao longo da vida, desaprendemos de saber usufruir da quietude. Dá que pensar… também dá que pensar que em Portugal a primeira palavra que as crianças tendem a aprender é “não”. E sabendo que aprendem por observação, é fácil concluirmos que somos uma sociedade pouco afirmativa e com propensão maior à critica.

Lastbutnotleast, fica uma ideia que partilhamos como frase motivacional “As pessoas que praticam exercício físico tendem a tolerar melhor a frustração”. Se suportam mais a dor e conseguem manter-se motivadas, faz todo o sentido. Fica mais essa motivação extra para que nos levantarmos do sofá para ir fazer algum exercício. “Endurance” é a palavra-chave para encerrar a reportagem.

Já vamos longos mas o feedback que queremos deixar a todos é claramente positivo. ExerciseSummit 2017, foi o primeiro de vários, e ficou a garantia de que a 11 Maio de 2018 podemos contar com o segundo ExerciseSummit (promessa da própria equipa da EXS).

Nós agradecemos e o fitness também.
Até lá!
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Falta de tempo para praticar exercício físico?

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Falta de tempo para praticar exercício físico? – tem aqui a solução!

Sempre que se realiza uma sondagem Eurobarómetro dos hábitos de Exercício Físico e Desporto, em que se inclui naturalmente Portugal, os resultados têm sido semelhantes e maus. A saber:

1. Portugal é um dos países da Europa com maior taxa de sedentarismo. Apenas 28% dos Portugueses referiram realizar exercício físico ou praticar desporto de forma regular.

2. Invariavelmente, em todos os países da União Europeia, o motivo mais frequentemente apresentado para a inactividade física prende-se com a “falta de tempo”!

E é nesse segundo item que Profissionais de Exercício e Saúde devem (também) intervir. Cada vez mais o modelo tradicional de 3-4 sessões de treino semanal, com duração aproximada de 1h a 2 horas cada sessão de treino não é adequado à maioria das pessoas que trabalham, estudam e ainda procuram ter tempo para a sua vida social! Não é adequado nem se justifica!

Cada vez mais as evidências científicas já comprovaram os inúmeros benefícios para a saúde e de optimização do rendimento desportivo com treinos de curta duração e intensos! Os resultados de protocolos de treino de duração de 30 minutos, por exemplo, são tão bons ou melhores que os dos treinos tradicionais duradouros e monótonos (Gibala, Little, Macdonald, & Hawley, 2012). Estes treinos intensos podem ser realizados pela maioria dos sujeitos, como acontece actualmente em programas de reabilitação cardíaca, no treino com idosos, obesos*, etc *

Resumindo, a tradicional justificação de que não tem tempo deixa de fazer sentido! E não se esqueça que “se não tempo para tratar da saúde mais tarde terá de ter tempo para cuidar da doença”.

*Exige respeito dos princípios de treino e avaliação e supervisão qualificada.

Gibala, M. J., Little, J. P., Macdonald, M. J., & Hawley, J. A. (2012). Physiological adaptations to low-volume , high-intensity interval training in health and disease, 5(March), 1077–1084. http://doi.org/10.1113/jphysiol. 2011.224725

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O retorno da corrida

Não há quilómetros inúteis. É possível que pessoas bem‑intencionadas lhe tenham dito o contrário. Dir‑lhe‑ão que quilómetros inúteis são aqueles que faz só por fazer. Talvez para aumentar a quilometragem semanal. Talvez porque verificou que os bons corredores tendem a correr muito e concluiu, por isso, que mais é melhor. Garantir‑lhe‑ão que quilómetros inúteis são perda de tempo, pois não o ajudam a atingir os seus objetivos. Não acredite. Permita‑me que repita: não há quilómetros supérfluos. Desde que não esteja tão lesionado que isso afete a sua postura, ou tão doente que se sinta muito pior depois de correr, todos os quilómetros são úteis.

Aqueles que avisam contra os quilómetros inúteis costumam mencionar a lei do retorno decrescente. «Depois de um número x de quilómetros por semana», afirmam, «o benefício retirado de qualquer corrida começa a decair.» E têm razão. Mas o retorno decrescente continua a ser retorno. Se estiver suficientemente motivado para correr um pouco mais com vista a melhorar a sua condição física, não hesite.

Mesmo que pense que uma corrida não o fará ficar em melhor forma, ela trar‑lhe‑á outros benefícios. Facilita a circulação sanguínea, desanuvia‑lhe a mente, afasta-o do computador, queima calorias, põe‑no em contacto com a natureza, ajuda-o a passar tempo com amigos, permite‑lhe desfrutar do tão necessário tempo sozinho, fá‑lo manter um bom ritmo de treino, e muitos mais.

Estes aspetos da corrida que têm pouco a ver com maximização do desempenho são, geralmente, ignorados por quem avisa contra os quilómetros inúteis. Há milhões de motivos para ir correr hoje. Nenhum deles está relacionado com correr mais depressa no próximo fim de semana. Quantos mais destes motivos fizerem sentido para si, menos razões terá para acreditar em quilómetros inúteis.»

Saiba mais sobre o livro AQUI.