Publicado em

Como podemos garantir o nosso sustento?

Percebi que alguma coisa teria de mudar quando regressava do trabalho, a caminho de ir buscar a minha filha à pré‑primária.

Pensei que, se tivesse mais controlo, conseguiria reorganizar o meu horário para trabalhar de forma mais intensa de manhã, quando me sentia mais criativa e produtiva, passando as tardes a vestir bonecas e a fingir ser um macaco. Poderia completar as tarefas do dia depois de a deitar às sete da tarde.

Para que isto acontecesse, precisava de duas coisas: mais poder e mais
dinheiro.

A única forma de conseguir realmente o que desejava seria afastando‑me da economia tradicional que funciona à base de empregos a tempo inteiro com horários definidos. Precisava de conseguir a minha independência financeira ganhando dinheiro adicional além do meu trabalho a tempo inteiro, para deixar de ser vulnerável ao despedimento e poder, eventualmente, trabalhar por conta própria e definir o meu próprio horário. A questão ia muito além do dinheiro. Queria poder controlar a minha vida.

No meu trabalho como jornalista especializada em economia, conheci outros que equilibravam por tempo indefinido biscates com trabalho a tempo inteiro, criando uma fonte de rendimento híbrida e estável. Muitos perceberam, como eu, que os seus empregos a tempo inteiro poderiam desaparecer a qualquer momento e sabiam bem que isso seria devastador. Queriam proteger‑se e às suas famílias. Uma arquiteta despedida publicou no mercado online de artesanato Etsy.com algumas tábuas de corte com forma de estados que fizera para o seu casamento e, meses depois, vendera milhares e transformara o seu passatempo num negócio a tempo inteiro, conseguindo maior segurança profissional para si e para a sua família do que alguma vez tivera como arquiteta. Uma gerente de livraria, frustrada com os horários longos e com o salário anual de vinte e oito mil dólares, percebeu que nunca conseguiria pagar o tipo de vida que desejava para a sua família sem uma mudança drástica. Por isso, lançou o seu negócio de formação em empreendedorismo para pessoas criativas e com dotes manuais. Em dois anos, o seu rendimento anual aumentou para 150.000 dólares e conseguiu obter controlo total do seu horário de trabalho.

Estas não são simples histórias de sucesso no empreendedorismo. A maior parte de nós nem sequer se vê como empreendedor e não iniciámos o percurso com o objetivo de trabalharmos por contra própria (alguns de nós não pretendem abandonar os empregos a tempo inteiro). Fomos forçados a criar um plano secundário quando o principal começou a vacilar.

Estas histórias são as nossas histórias de sobrevivência. Vistas em conjunto, sublinham um facto acerca da nossa economia que poucas pessoas podem continuar a ignorar: hoje em dia, todos precisamos de mais do que uma fonte de rendimento.

Uma sondagem da Gallup de 2012 concluiu que perto de três em cada dez trabalhadores receiam o despedimento, enquanto quatro em cada dez receiam um corte nos benefícios. É difícil levarmos as nossas vidas com normalidade, indo ao supermercado e planeando férias, com esse tipo de ansiedade pairando sobre as nossas cabeças.

Em simultâneo, a vida torna‑se cada vez mais cara. Os preços dos bens alimentares e da gasolina, o aluguer da casa e até o preço do café não param de subir.

É por esse motivo que tantos de nós decidiram procurar um modo de vida alternativo. Um modo de vida que não nos faça sentir que caminhamos sobre um arame, a um passo do desastre. Enfrentamos o stress e a estagnação procurando formas de ganhar dinheiro fora dos nossos empregos a tempo inteiro (se ainda os tivermos). Frequentemente, sentimos que não temos escolha. Precisamos de dinheiro e os nossos empregos não o geram em quantidade suficiente.

Assim, num mundo sem segurança profissional e com pressão financeira crescente, como poderemos garantir a sustentabilidade para nós mesmos e para as nossas famílias?

A resposta mostrou‑se óbvia. Teremos de criar ativamente formas múltiplas de ganhar dinheiro através de iniciativas empreendedoras.

De muitas formas, manter empregos a tempo inteiro durante tanto tempo quanto conseguirmos enquanto desenvolvemos lentamente os nossos projetos de empreendimento permite‑nos o melhor de dois mundos.
Apesar dos cortes, os nossos empregos continuam a incluir frequentemente um seguro de saúde (e, possivelmente, seguros de incapacidade e de vida), um salário regular, oportunidades de desenvolvimento de capacidades, socialização e uma linha de suporte para situações de dificuldade. Entretanto, os nossos biscates permitem uma possibilidade de diversificar e aumentar o nosso rendimento, de nos realizarmos criativamente, de tentar gerir um pequeno negócio e de exercer maior controlo sobre o nosso trabalho. Obtemos em simultâneo os benefícios do mundo empresarial e do mundo do emprego por conta própria.

Este livro ajudá‑lo‑á a preparar o seu biscate para o lançamento, para o salvar do medo e frustração financeiros, para o tornar mais seguro e próspero e para lhe permitir satisfação e realização pessoal muito além do que obteria com a sua ocupação principal. Construirá desta forma a sua economia pessoal.

Em Crie a Sua Economia, de Kimberly Palmer

Imagem de Andrew Neel em Unsplash

Publicado em

Este ano não é para esquecer (versão 20.20)

No final de 2019 escrevi um texto com este título. Este ano não é para esquecer. Dizia que tinha sido um ano particular, para mim e para muitas pessoas que o tinham partilhado comigo. Longe estava eu de saber (embora sabendo) que a vida tem sempre o dom de nos surpreender. Sei que a vida é uma surpresa, mas este ano de 2020 saiu um belo embrulho. Decidi então reescrever este texto.

Podemos então voltar a dizer, como vi escrito há um ano, mas mudando os números: se não queres que 2020 termine, não o estás a viver corretamente.

Assisti a muitas crises emocionais de pessoas que não estão bem consigo próprias. Vi muitas relações terminarem, assim como problemas de saúde a despontarem. Acompanhei pessoas que perderam os seus empregos ou que se reinventaram. Vi pessoas a sentirem-se perdidas, desconhecidas de si próprias, sem rumo, ou simplesmente a quererem ser melhores, diferentes. Querem mudar de vida, alcançar o bem-estar. E a vida tem dado voltas e demonstrado que por vezes nem vale a pena fazer planos (e se isso tem sido verdade este ano!).

Vi dúvidas sobre o mundo, crispações, oposições, desinformações, medo. Sofri perdas. Morreram pessoas próximas. Animais de companhia que partiram. Vi pessoas a sofrerem essas perdas. Sistemas a reorganizarem-se. Tanta coisa que aconteceu, e parece que foi tudo num ápice.

Será um ano para lembrar?

Tem sido um ano duro, de grandes mudanças e ensinamentos. A vida a ensinar que o controlo é fictício. O que era já não é. Pensem em vocês nesta mesma altura no ano passado, o que mudou? E por vezes tudo isto vem com dor e dureza, os momentos de dificuldade acabam por ficar fixados e do sofrimento o Ser Humano quer fugir. Então, normalmente dizemos: este ano é para esquecer! Se é este o teu caso, vou trazer-te uma reflexão diferente, a possibilidade de fazer o contrário: este ano é para lembrar.

Tudo o que nos acontece pode ser uma aprendizagem, se quisermos e quando for possível. Costumam dizer que quando o aluno está pronto o mestre aparece. Poderá 2020 ser um grande mestre? Porque não olhar para tudo o que aconteceu este ano e perguntar: o que é que eu posso aprender com este ano que está a terminar? Claro que podemos (e devemos) refletir sobre qualquer ano que termina, mas agora em particular, que lições podes tirar? Para que sejas mais feliz, para que possas viver mais plenamente, fluindo saudavelmente na vida?

Não é para ampliar o sofrimento, obcecar ou cair na vitimização. É podermos incluir isso na nossa vida como parte integrante da nossa experiência, da nossa história e que nos vai ajudar para o futuro, para a pessoa que queremos ser, que queremos colocar no mundo e nas nossas relações. É também recordar o que aconteceu de bom, as conquistas que fizemos, as alegrias de despontaram.

Não sei o que o novo ano vai trazer. Não sei se vem aí paz, tranquilidade ou o “tudo de bom” que costumo desejar aos outros. Ninguém sabe.

Acabo o ano cansada, mas otimista. Não poderia ser de outra forma. Afinal, “nada se perde, tudo se transforma” (Lavoisier), e se somos natureza, também nos encontramos na nossa transformação.

Desejo-vos boas transformações!

Foto: Jared Berg em Unsplash

Publicado em

Ansiedades

ansiedades

Todas as nossas emoções têm um objetivo e uma funcionalidade, elas são adaptativas. Se pensarmos na raiva, ela pode ser o motor que nos leva a fazer algo, que nos impele ao movimento. A tristeza permite a expressão de algo difícil e a sua mobilização para fora de nós, e a ansiedade e o medo também tem funções muito importantes.

Ao longo do tempo fomos afastando a ideia de que o ser humano é um animal e como tal, cortámos com a perceção daquilo que não é racional e renegamos o que é entendido como impulsos, intuições ou sensações primitivas. Mas somos animais e ter esta informação bem presente ajuda a compreender o nosso corpo.

Vamos imaginar uma gazela. Esta gazela está na savana a comer a sua ervinha de uma forma tranquila mas presente, ou seja, está alerta ao que a rodeia. O seu batimento cardíaco é normal e é o sistema para-simpático que está a trabalhar. Repentinamente surge uma ameaça, há um leão por perto. A gazela dispara, o batimento cardíaco sobe e é o sistema simpático que toma a dianteira, promovendo a reação de fuga. Quando a ameaça desaparece, assim desaparece o medo e a ansiedade, o batimento cardíaco diminui e a gazela volta calmamente ao seu pasto. Este é o movimento natural entre ficar ansioso e relaxar. O medo e ansiedade têm então esta funcionalidade: manter o alerta para potenciais ameaças e reagir perante elas.

Então qual a ligação para o homem? O grande problema do homem permanentemente ansioso é que não consegue parar de correr a fugir de um leão que só existe na sua cabeça. Há um botão que está sempre ou quase sempre ligado (consciente ou inconscientemente) e que o faz estar ansioso: com um batimento cardíaco mais acelerado, dores de barriga e, em casos mais graves, uma inabilidade tremenda em funcionar.

Como lidar com tudo isto? É importante tomar consciência do sintoma mas também da origem, até porque as crises de ansiedade ou ataques de pânico surgem quando estamos numa situação ou perante um estímulo que não aciona estes mecanismos (é diferente das fobias). É importante conhecer o nosso corpo e saber os primeiros sinais para encontrar ferramentas para lidar com os sintomas. No entanto é também importante procurar a origem destes sintomas em terapia. Vamos mergulhar?

Foto de Guillaume de Germain em Unsplash

Publicado em

Pessoas tóxicas: Cara ou coroa?

tóxicas

Vamos pensar sobre: pessoas tóxicas.

CARA

Todos nós já lemos artigos, livros ou ouvimos alguém falar sobre este tema. Pessoas tóxicas são aquelas que, de alguma forma, conseguem entrar no nosso espaço pessoal deixando-nos desconfortáveis e recorrentemente com a sensação de cansaço. Diria que, mais que entrar, essas pessoas impõem-se no nosso espaço. Têm por hábito comparar-se a outras pessoas, exagerar no relato dos seus desafios e costumam apresentar-se com uma postura negativa.

É usual encontrar como solução o afastamento. Quando se trata de indivíduos que não têm impacto diário ou regular na nossa vida esta solução é viável. E quando falamos de familiares, amigos e colegas? Aqui o desafio é maior. Não existem formulas mágicas, atalhos ou soluções fáceis. O caminho pode passar (1) pela reflexão sobre a postura da pessoa em causa e perceber se há ou não uma maneira de ajuda-la e (2) perceber que aprendizagem ou exemplo traz esta situação. (3) Parece-me ainda importante entender porque esta pessoa tem este impacto, estaremos a abrir demais o espaço pessoal ou é um tema que ressoa e é preciso trabalhá-lo?

COROA

E porque todas as moedas têm duas faces. Convido-vos a pensar no lado que não costuma ser exposto.

E eu? E tu? Seremos pessoas tóxicas? Temos comportamentos tóxicos que influenciam a vida e bem-estar de alguém? Quando foi a última vez que te colocaste neste papel?

Se existem pessoas tóxicas e queremos melhorar significativamente o nosso contexto é importante colocarmo-nos em causa. Se é simples? Não. Se é necessário? Sim.

Hoje deixo este desafio: tira 30 minutos, pensa nas pessoas que te são próximas e que convives diariamente e coloca esta pergunta: Que tipo influência tenho na vida dos outros e que exemplo quero dar?

Este exercício trará mais consciência daquilo que atrais, se estás alinhado com os teus valores e se deves adaptar o teu comportamento em algumas situações ou com pessoas especificas.

Recordando a máxima de Gandhi: sê a mudança que queres ver no mundo.

 

(este artigo rege-se pelo antigo acordo ortográfico)

Publicado em

O caminho da Parentalidade Consciente

parentalidade
E se olhasses para o teu filho de uma perspetiva diferente?

Quando praticamos Parentalidade Consciente não olhamos para o comportamento das crianças como algo a corrigir, olhamos para o comportamento como algo a entender, pois este é apenas expressão das suas necessidades. Se entendermos o comportamento podemos atuar fazendo as mudanças que acharmos necessárias (sejam elas relacionadas connosco ou com a criança ou com ambos). Quando não estamos habituados a esse processo de reflexão, pode ser desafiante, mas é sem duvida recompensador.

Quando seguimos este caminho acreditamos que uma boa educação acontece via relações saudáveis com amor incondicional e não através da correção do comportamento. Reagimos às necessidades dos nossos filhos, procuramos compreendê-las, o que não quer dizer que satisfazemos todos os seus pedidos. Necessidades e desejos são diferentes. Quando seguimos este caminho estamos focados no desenvolvimento de uma autoestima saudável (a nossa e do nosso filho).

Parentalidade Consciente

A Parentalidade consciente é tanto sobre os nossos filhos como sobre nós, pais. É sobre o percurso que fazemos para nos desenvolvermos também enquanto pessoas. É uma verdadeira jornada de autoconhecimento, assim queiramos aceitar o desafio. Tentamos ser os melhores pais para os nossos filhos e sentimos, a maioria de nós, amor incondicional por eles. Não é por falta de amor que impomos as nossas vontades mas sim por falta de consciência.

Se estivermos atentos à nossa própria inconsciência e ao nosso próprio comportamento, muitas vezes no reflexo que os nossos filhos nos devolvem, podemos sim integrar a mudança. Esta começa tendo consciência das nossas intenções enquanto pais e, estando preparado para refletir sobre a forma como os nossos hábitos e padrões de comportamentos estão alinhados com essa intenção. E acredito que temos em nós o potencial e as ferramentas necessárias para criar uma maior harmonia familiar.

Paz interior e filosofia de vida

Digo muitas vezes que conhecer a Parentalidade consciente me trouxe uma grande paz interior. Percebi que não há certos nem errados, mas há um caminho baseado na consciência das escolhas que fazemos e do impacto que isso tem nos nossos filhos; percebi que o que interessa é mesmo a qualidade da relação pois com uma relação genuína, autentica e profunda as soluções aparecem; percebi que são as nossas intenções que nos guiam e em função dessas posso validar a minha forma de agir; percebi que tenho sempre escolhas, tudo depende da relação que quero ter comigo e, no meu caso, com as minhas filhas.

Esta forma de estar na parentalidade, torna-se uma filosofia de vida pois baseia-se na tomada de consciência de que são os nossos hábitos enquanto pais o ponto de partida para criar relações fortes e saudáveis com as crianças. E essa relação forte e saudável deve ser o nosso objetivo. Seja connosco mesmos, com os nosso filhos ou em qualquer outra relação.

Praticar os valores base da PC é fomentar relações saudáveis : Praticar o Igual valor, Autenticidade,  Respeito pela integridade e Responsabilidade pessoal são valores base das relações humanas.

“Ser pai consciente é mais sobre desaprender preconceitos do que aprender conceitos. É um deixar ir de tudo aquilo que não serve a nossa intenção como pais, um desaprender de tudo que não promove relações saudáveis baseadas no amor incondicional e tudo aquilo que não ajuda os nossos filhos a crescer e prosperar emocionalmente.” – Mikaela Ovén (Academia de Parentalidade Consciente)

 

Por : Fátima Gouveia e Silva (Coach e Facilitadora de Parentalidade consciente)

Publicado em

Os três passos para definir uma intenção

intenção

Saiba como definir objectivos ou uma intenção e de como garantir que é eficaz.

O processo seguinte vai mostrar‑lhe como definir uma intenção útil e específica para tentar alcançar outros objetivos. Na verdade, quanto mais praticar o ato de definir intenções, mais irá compreender o propósito destes objetivos.

1º Passo – Pergunte a si mesmo:
Porque é que vale a pena gerar mudança?

Um componente importante deste processo consiste em determinar porque é que você quer mudar, para começar. Determinar porque é que quer mudar é como construir os alicerces de uma casa; se não os construir como deve ser, o resto da estrutura acabará por cair.

Ao longo dos anos, fui abordado por clientes com diversos objetivos, e colaborei com eles para descobrirmos as suas intenções. Cada um deles tinha intenções diferentes e, para trabalharmos juntos, tínhamos de descobrir a razão pela qual eles tinham este objetivo de se aperfeiçoar a si próprios. Para implementar e sustentar a mudança, as nossas razões para os nossos objetivos têm de ser específicas.

2º Passo – Contemple a sua razão

«Contemplação» parece muitas vezes uma palavra estrangeira, não é? Muitos de nós têm uma noção de contemplação que inclui um ancião de túnica e sandálias, sentado no cimo de uma montanha do Tibete, a refletir sobre a humanidade em geral. Contudo, talvez fique surpreendido ao saber que a contemplação é provavelmente uma das partes mais fáceis de compreender de toda esta prática. Na sua definição mais simples, a contemplação consiste apenas em pôr de parte uma pergunta durante um determinado período de tempo e deixar que a resposta se revele por si mesma.

Um dos motivos pelos quais a contemplação parece intimidante é que esta exige‑nos que abdiquemos tanto do desejo de saber imediatamente a resposta, como do nosso controlo para a encontrar sem mais demoras. Estamos tão habituados a encontrar instantaneamente outros tipos de respostas através de motores de busca da Internet, como o Google, que esperamos encontrar imediatamente todas as nossas respostas.

Fazemos parte de uma cultura que adora intelectualizar e analisar e sentimo-nos gratificados quando percebemos as coisas. Esforçamo‑nos imenso por discutir tudo até à exaustão, dissecar e bater na mesma tecla até o assunto perder o interesse. Contudo, todas estas ações são o oposto da contemplação, e podemos dar em loucos ao esforçarmo‑nos cada vez mais por encontrar respostas que continuam a ser elusivas. Se fôssemos realmente contemplar uma questão, simplesmente deixávamo‑la em paz até que a resposta estivesse pronta para se revelar.

Imaginemos que está a tentar escolher uma pré‑primária para o seu filho frequentar, e até pesquisou vários lugares. Descobriu que tem de tomar uma decisão até um mês antes do primeiro dia de escola, para conseguir cumprir os vários requisitos de admissão dos programas escolares. Se, no tempo que lhe resta entre pesquisar escolas e optar por uma, você continuar a reler brochuras, perguntar a amigos sobre as experiências dos filhos deles e imaginar uma dúzia de cenários possíveis que implicam que o seu filho não tenha uma boa formação, está a intelectualizar a questão e não a contemplá‑la.

Em vez disso, para contemplar esta questão, faça primeiro a sua pesquisa e depois pare totalmente de pensar nas várias escolas. Talvez tenha de pôr a questão de parte por uns dias ou um mês até que a sensação certa o oriente para a melhor decisão. Por mais tempo que demore, a decisão irá acontecer na altura certa. É provável que encontre exatamente a escola certa para o seu filho, e isso acontecerá por não se esforçar tanto. A contemplação inclui relaxar a mente e permitir que um sentimento mais elevado assuma o controlo. Quando isto acontece, a sua espontaneidade e energia virão à tona, e as coisas acabarão por correr ainda melhor do que aconteceria se a mente intelectual estivesse a controlar.

Assim que tiver perguntado a si mesmo porque quer encetar uma prática espiritual, ser‑lhe‑á útil contemplar a sua resposta antes de avançar. Não há um limite definido para o tempo que esta contemplação deve durar, mas se estiver ansioso por começar, recomendo que espere pelo menos uns dias para não pensar no assunto antes de avançar para o passo seguinte.

3º Passo – Pergunte a si mesmo:
Está a ser sincero em relação às respostas que encontrou?

Depois de ter perguntado a si mesmo porque é que está a fazer algo e ter contemplado as suas respostas possíveis, está então na altura de observar se está a ser ou não sincero perante as respostas que encontrou. Tal como o ato da contemplação, este ato de observar a verdade poderá parecer intimidante, mas na verdade consiste apenas em perguntar a si mesmo se realmente sente que é verdade o que declarou como motivo para realizar a atividade.

Se decidiu começar esta prática porque queria ser mais saudável e melhorar o relacionamento com o seu cônjuge, assim que a tiver começado terá de ponderar se está a ser honesto em relação às suas intenções. Por exemplo, digamos que através desta experiência melhorou a sua saúde física e está a sentir um pico de energia; se em vez de simplesmente desfrutar da sua nova vitalidade, disser a alguém para mudar de vida de forma semelhante, então as suas ações não estão honestamente a refletir intenções úteis.

Este passo não é tão definitivo como os anteriores, pois irá observar‑se não apenas durante um período de tempo fixo, como ao longo da sua prática. Tendo em conta o espaço de tempo mais alargado, pondere definir um lembrete para si mesmo, de forma a perder alguns minutos a cada duas semanas ou todos os meses para refletir sobre as suas intenções originais. Talvez já tenha reparado que não forneço um método para decidir se está ou não a ser sincero relativamente às suas intenções; isto acontece pois a única pessoa que o pode saber é você, e não há qualquer resposta de sim ou não. Você tem a responsabilidade de observar a importância dos seus pensamentos e ações. Na próxima parte do livro, aprofundaremos a questão do ato de observação e como este pode ser usado para concretizar o nosso equilíbrio e felicidade de forma mais completa.

A definição de uma intenção para si mesmo não só estabelece a base para a sua prática, como também o ajuda a investigar a verdade por trás das suas ações e a descobrir se está ou não a beneficiar‑se com as decisões que toma. Inicialmente, certas decisões poderão parecer mais difíceis e outras serão tão fáceis de tomar que ficará a pensar porque é que nunca tinha encontrado essas respostas. Começará a dar‑se conta de que quando define as intenções adequadas para si mesmo, tudo se tornará uma expressão da sua prática. Passará a fazer as coisas porque o ajudam a si e aos outros a sentirem‑se bem e continuará a evoluir a cada dia, para o resto da sua vida. Por sua vez, a sua prática tornar‑se‑á uma expressão de quem você é.

em “Desperte o Guru que há em si”, Yogi Cameron, Self. Saiba mais aqui.

Publicado em

2018: faça compromissos consigo mesmo

ano

Ano Novo, vida nova.

Já faz parte da tradição. Vemos o Novo Ano como uma lufada de ar fresco, uma nova oportunidade, um recomeço. Achamos que agora é que vamos mudar a nossa alimentação, estilo de vida, vamos fazer aquilo que temos vindo a adiar. Quando chega a meia-noite, ao som do fogo de artifício, comemos as 12 passas e pensamos naquilo que desejamos para o novo ano. Há algo de mágico e encantador à volta deste ritual.

Se aproveitou o Ano Novo para realmente fazer as mudanças que há tanto tempo tinha a intenção de fazer, ainda bem. O importante é que, caso as coisas não aconteçam ao ritmo que esperava, não desanime. Lembre-se que não precisamos de um novo Ano para finalmente fazermos aquilo que é melhor para nós. Amanhã, pode sempre ser o dia em que começamos de novo. E não se esqueça que, durante o ano deve rever e reavaliar aquilo que pretende, as suas intenções e os seus novos compromissos.

Não seja demasiado exigente

Muitas vezes estamos a querer exigir demasiado de nós mesmos e, passado umas semanas, na maioria das vezes, grande parte das nossas resoluções ficaram por terra. Mudar é algo trabalhoso. Adoptar novos comportamentos requer resiliência e sobretudo compromisso. Compromisso connosco de que apesar de ser mais fácil, não nos vamos deixar levar pelo costume. Vamos fazer diferente. O compromisso pressupõe tempo, pressupõe altos e baixos. Pressupõe que nem sempre conseguiremos mas há uma continuidade e um sentido a longo prazo.

Por isso, mais do que resoluções de Ano Novo, devemos fazer compromissos connosco e recordar que as mudanças levam o seu tempo e a nossa atenção. Para serem mudanças sólidas e alinhadas connosco.

Seja metódico

Dificilmente conseguimos levar a cabo muitas alterações ao mesmo tempo quando são de diferentes áreas da nossa vida. É importante estabelecer prioridades. Perceber não só o que é mais importante mas também aquilo que seria realizável no momento presente da sua vida. Por vezes, algumas mudanças falham porque não são oportunas ou são demasiado exigentes a dado momento, mas mais tarde, já serão possíveis.

Para ser mais fácil identifique as diversas áreas da sua vida. Pode ser: saúde, família, casa, trabalho, finanças pessoais, entre outros. Olhando para cada uma delas veja o que faz sentido para si, como gostaria que fosse e o que é possível. Crie objetivos concretos e fáceis de identificar.

Faça uma lista daquilo que pretende e estabeleça um ranking. Veja se algumas das intenções estão relacionadas e por isso podem ser feitas em simultâneo. Para cada uma delas, identifique quais são as acções necessárias. Mas não seja muito extenso. Um dos segredos das mudanças bem sucedidas é manter o processo simples.

Vá à origem das coisas

Quando olhar para a lista de coisas que pretende mudar, vá à sua origem. Não se contente com o resultado final. Imagine que gostaria de emagrecer alguns quilos.  Pode ser por uma questão estética mas mais importante, por uma questão de saúde. Se se focar no resultado final, provavelmente vai escolher uma dieta para seguir e fazer mais algum exercício. Na maioria dos casos, acabamos a desanimar com a dieta porque nos custa, porque não vemos resultados imediatos, porque não temos vontade de fazer exercício.

Se for à origem das questões, ao pensar que gostaria de emagrecer uns quilos, pense também como o seu corpo é importante, pois sem ele não há vida. Como você depende do seu corpo para viver. E como a sua saúde é fundamental. E que por isso, faz todo o sentido ter uma alimentação equilibrada e fazer actividade física regular. Cuidar do seu corpo deixará de ser um esforço mas sim algo com sentido. Este será o seu principal objectivo. Consequentemente terá mais energia, será mais saudável e provavelmente irá conseguir atingir o seu peso ideal. Será um processo mais lento, mas sólido e de verdadeira mudança.

Seja resiliente e sobretudo seja gentil consigo mesmo.

Publicado em

Terapia de Grupo

terapia

O que é a Terapia de Grupo?

A terapia de grupo respeita o mesmo método e objetivos da psicoterapia individual, mas organiza-se através de um contexto em grupo onde aumentam as oportunidades de a pessoa se conhecer mediante a relação com os outros. O contexto emotivo-afetivo pautado pela confiança e pelo respeito mútuo facilita a consolidação de um sentimento de segurança e de pertença, diminui a resistência à mudança e expande a capacidade de aprofundar as relações interpessoais.
A experiência de grupo pode reforçar o espírito social e relacional, promover o processo de comunicação e reduzir as tensões. Mas o resultado mais notável reside porventura na mudança que introduz ao nível do comportamento da pessoa fora do grupo, na medida em que a ajuda a conhecer, expressar e expandir a sua verdadeira natureza.

Horário

Terças-feiras das 19.30 às 21.30
Início: 5 de setembro

Valor: 60 € mensais

Para participar é necessária uma entrevista prévia com a terapeuta Rossana Appolloni (marcações por email rossana.appolloni@gmail.com)

Testemunhos

“Embarcar nesta experiência foi o melhor investimento que alguma vez fiz em mim mesma! Com muito medo e insegurança apostei em desafiar-me e sair da zona de conforto. Através da partilha em grupo e do grupo encontrei espaço para sentir e através dos vários sentires, encontrei respeito, conforto, acolhimento, compaixão, ternura e sobretudo ACEITAÇÃO. Neste grupo, onde me sinto parte integrante, encontrei espaço para ser EU mesma, sem condicionalismos ou reservas! Eternamente GRATA!”
R.F.

“Tem sido um percurso de auto conhecimento muito enriquecedor, onde me fui desafiando a olhar para mim com verdade, onde se torna inevitável distinguir o que é meu do que não é (na esfera do sentir e do pensar) e onde vou aprendendo a respeitar e honrar o que não queria ver, o que não queria aceitar em mim. Sempre com amparo, acolhimento e ternura de todo o grupo, sobretudo nas alturas de maior desconforto. É sentir aconchego na dor e alegria na conquista.”
V.C.

“Num momento da minha vida que precisava de parar, criar tempos para mim e olhar para dentro para me redescobrir; iniciei um percurso terapêutico individual. Com paciência, sensibilidade e muito carinho foi-me lançado o desafio de fazer esse percurso em grupo. Foi um grande desafio, mas encontrei neste grupo uma confiança, apoio e aceitação que me têm ajudado, tornando o percurso menos só, e enriquecido, tornando esta experiência mais sentida e vivida. Não só por ter espaço e tempo para partilhar de mim, mas também por ao sentir as outras partilhas, acabar por entrar em contacto com outras partes de mim – o que a sós não seria possível. Ao descobrir o Outro, tenho-me descoberto muito, tendo no grupo um espaço sereno onde a autenticidade pode fluir naturalmente. Obrigada por partilharem comigo este percurso.”
S.L.

Sobre a Rossana Appoloni
Após uma primeira formação académica em Cinema na ESTC de Lisboa, Rossana Appolloni foi para Itália, onde conheceu a Psicossíntese, um modelo psicoterapêutico de natureza humanista-existencialista. É licenciada em Linguística e mestre em Psicolinguística pela Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Perúgia (Itália) e diplomada em Counselling pela Società Italiana di Psicosintesi Terapeutica de Florença, da qual é membro. É ainda mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Lusófona de Lisboa e, além de dar formação, dedica-se à prática do counselling individual e de dinâmicas de grupo.

É autora dos livros “Ousar Ser feliz – Dá trabalho mas compensa!” e “Do Sofrimento à Felicidade“, publicados pela Self.
Publicado em

Supere os seus medos no trabalho

trabalho

Nos moldes da sociedade ocidental o trabalho assumiu uma importância ainda maior no bem-estar das pessoas, não só porque é a sua fonte de rendimento mas também porque é onde as pessoas passam a maior parte das suas horas “úteis” diárias e por isso, torna-se difícil conseguir estar bem se, na maior parte do nosso dia estamos num local que nos causa ansiedades, receios ou até situações de confronto.

Não vamos falar sobre termos um trabalho com o qual nos identificamos, onde nos sentimos realizados e valorizados. Onde conseguimos investir no nosso desenvolvimento e mostrar as nossas mais-valias.

Vamos falar de conseguirmos estar num emprego onde não nos sentimos intimidados e onde não nos confrontamos diariamente com os nossos medos. Eis alguns dos receios mais comuns e algumas dicas de como ultrapassá-los:

Medo de Falhar

Todos nós já vivemos o medo de falharmos ou de errarmos no desempenho das nossas funções. Porque temos um cargo novo, porque as tarefas que desempenhamos têm um grande impacto na empresa, ou simplesmente porque estamos num ambiente competitivo, são várias as razões que nos levam a ter receio de falhar. E esse medo acaba muitas vezes por comprometer o nosso  desempenho.

Como podemos ultrapassá-lo?

Criar métodos que nos ajudem a minimizar as possibilidades de erro, perguntar em caso de dúvidas, mantermo-nos concentrados são algumas ferramentas que podemos utilizar. Mas o fundamental é relativizar o medo de falhar. Todos os que estão à nossa volta têm receio: chefes, colegas, estamos todos sobre essa pressão. O erro é algo que pode acontecer e nessa situação o importante é a aprendizagem que podemos retirar e as mudanças que podemos fazer.

O erro é experiência e ajuda-nos a fazer melhor, a antecipar problemas, a otimizar a nossa atividade.

Medo de nos expormos

Partilhar as nossas ideias, falar em público, ou qualquer situação em que sentimos que os olhos estão postos em nós, o medo de nos expormos está ligado ao receio de sermos julgados, não aceites ou simplesmente de nos sentirmos intimidados.
No entanto, um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology mostra que pessoas que mostram a sua vulnerabilidade acabam por conseguir ganhar a confiança e o respeito dos que os rodeiam, criando-se relações de cooperação e ajuda entre as pessoas.

Identificar os nossos pontos menos fortes e investir na sua melhoria e desenvolvimento é o primeiro passo para conseguirmos diminuir o número de situações em que temos receio de estar expostos. Tem medo de falar em público? Faça formações, coloque-se em situações que consegue controlar mas onde possa treinar os skills necessários. Exemplo: integrar um grupo de teatro, falar em grupos onde nem todas as pessoas são suas conhecidas. Confiarmos em nós, aceitarmos o erro e sabermos que não coloca em causa o nosso valor torna-nos menos “permeáveis” e minimiza o impacto que a análise dos outros poderá ter na nossa auto-estima e no nosso desempenho.

Medo da mudança

Nós somos criaturas de hábitos e se por um lado nos queixamos da rotina, de um trabalho sem novidades e desafios, a verdade é que quando a mudança aparece, todas as nossas dúvidas vêm ao de cima e de repente deixa de ser um cenário positivo.
Porque receamos a mudança? É importante perceber porque nos deixa desconfortáveis, porque nos sentimos fora da nossa zona de conforto?

Nas organizações muitas vezes as mudanças não são bem sucedidas por falta de comunicação. Se a comunicação não é clara e suficiente essa pode ser a causa do nosso desconforto. Deveremos procurar informação e resposta para que haja menos incertezas num cenário de mudança.

Falta de confiança pode ser outra das razões para sermos avessos à mudança. Receamos novas funções, novo ambiente de trabalho, porque é diferente e sentimos que não temos controlo. Focarmo-nos nos nossos pontos fortes, na nossa experiência e nas acções que podemos levar a cabo para nos ajustarmos mais facilmente, ajuda-nos a minimizar o impacto da mudança e dá-nos confiança neste novo cenário.

Medo do confronto

A relação que mantemos com os nossos colegas, chefias, clientes, parceiros influenciam bastante o ambiente de trabalho. Por vezes acabamos por tentar evitar situações de confronto para garantir o bom relacionamento com os que nos rodeiam. No entanto, isto pode revelar-se uma estratégia pouco sustentável. E por outro lado, não nos ajuda a superar os nossos receios.
Há que saber manter um relacionamento saudável no entanto sem deixar de comunicar a nossa posição e fazer o nosso trabalho. Situações de conflito em que as pessoas não têm a mesma opinião ou discordam sobre uma situação, é normal. Há que saber conviver com o desacordo, encará-lo naturalmente e aprender a negociar e a encontrar um ponto que satisfaça ambos os lados. Ouça o seu interlocutor, veja os pontos em comum, negoceie algumas cedências de parte a parte.

Descubra como é que aciona os seus medos

O primeiro passo para lidar com o medo é saber claramente como é que o criamos. Por exemplo, se estivermos com receio de uma reunião que teremos de liderar e pensamos que poderá correr mal, esta é a origem do medo. É este pensamento negativo futuro que aciona a sensação de medo. E quanto mais repetimos esse cenário na nossa mente, mais essas imagens se tornam prováveis para nós.

Pessoas confiantes não ignoram o medo. Têm uma forma natural de entender quando é racional ou quando tem poucos fundamentos e se intromete naquilo que queremos alcançar. Se estamos com receio da reunião que vamos ter, o medo deverá ser utilizado para nos ajudar a refletir no que podemos melhorar, o que podemos preparar e por outro lado trabalharmos a nossa confiança.

Publicado em

Descomplicar as mudanças

mudançasMudanças são inevitáveis! Grandes ou pequenas. Às vezes queremos que as coisas mudem na nossa vida, mas o medo atrapalha. Daí à resistência à mudança é um passo e daqui ao conflito interno é um outro passo, segue-se o bloqueio e a insatisfação. Temos muitos sonhos, desejos, ambições e aspirações mas tudo isso implica algum risco. Queremos a mudança sem mexer muito com a nossa segurança. Queremos a mudança mas com garantia, mas a Vida não tem Seguro. Adoro uma frase de Helen Keller: “A Vida é uma aventura audaciosa, ou não é nada. A segurança é geralmente uma superstição, ela não existe na Natureza.”

Às vezes queremos as coisas fáceis, fáceis, sem termos que nos implicar, evitando participar activamente no processo de mudança. Queremos uma vida melhor ou uma outra vida, com mais sentido, mais sumarenta, seja viver um outro amor, novas amizades, um novo trabalho, uma outra casa, uma outra cidade ou até um outro país e por aí vai. A dificuldade em abraçar a mudança começa em nós, na nossa percepção negativa ou pessimista. Espera-se o pior, enrolados numa espiral descendente, a nossa imaginação transporta-nos para os cenários mais fantasmagóricos, frequentemente pouco prováveis e assim, e medo agiganta-se, gera ansiedade, paralisa, e o mais grave, tira-nos a clareza mental para as soluções e encontrar o melhor curso de acção. Sim, devemos ser cuidadosos e prudentes, observar e analisar as possibilidades, mas não obstinadamente cautelosos.

mudançasA atitude face à mudança revela, proporcionalmente, a nossa própria facilidade/dificuldade em mudarmos aspectos de nós mesmos, desenvolvermos novas atitudes. Outro grande obstáculo à mudança baseado na insegurança é o excesso de controlo. Fechados na nossa mente, num rodopio mental, revisamos e analisamos os mínimos detalhes numa pré-ocupação e perfeccionismo desconcertante e desgastante levando, por vezes, a uma perda de energia vital.

Porque mudar é preciso? Porque é a essência da Natureza e da vida humana. Somos naturalmente equipados para a mudança mas nós atrapalhamos um mecanismo que é inato. Mudar, mais do que um desejo é uma necessidade. Atingir novas realizações, vivenciar outras experiências dão-nos um sentido de propósito, de vitalidade.

O sentimento de auto-realização, contentamento e bem-estar pessoal, objectivos da alma humana, só possíveis de atingir quando estamos dispostos a explorar todas as possibilidades desta grande aventura que é a vida.

Shivai